Iced Earth: Dystopia é Heavy Metal até a medula
Resenha - Dystopia - Iced Earth
Por Ricardo Seelig
Postado em 26 de outubro de 2011
Nota: 9 ![]()
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Considero Jon Schaffer um dos grandes compositores do heavy metal. O seu talento para conceber músicas memoráveis é inegável. Porém, os últimos discos do Iced Earth – "Framing Armageddon" (2007) e "The Crucible of Man" (2008), onde a banda retomou a aclamada saga iniciada no ótimo "Something Wicked This Way Comes" (1998) – são trabalhos apenas regulares. O motivo disso está na instabilidade interna que o grupo passou no período, trocando Tim 'Ripper' Owens pelo filho pródigo Matt Barlow. Porém, o celebrado retorno de Barlow acabou sendo mais breve que o esperado, frustrando os fãs.
Jon, um eterno guerreiro, não se abateu e saiu em busca de um novo cantor, encontrando a nova voz do Iced earth em Stu Block, da banda canadense Into Eternity. A audição de "Dystopia", novo álbum do grupo, mostra que a escolha foi acertada. Block tem um timbre muito próximo ao de Barlow, e isso faz com que a transição entre um vocalista e outro seja quase imperceptível. Além disso, quando canta de forma mais aguda, a lembrança de Ripper é instantânea, agradando gregos e troianos
Mas o principal fator que chama a atenção em "Dystopia" é outro: a qualidade das composições. O som do Iced Earth foi construído através da união primorosa das duas principais influências de Jon Schaffer – Iron Maiden e Metallica. Foi o power metal com características thrash que fez a banda crescer assustadoramente ao longo de sua carreira, transformando-se em referência de heavy metal nos Estados Unidos e sendo amada em toda a Europa. Isso está de volta em "Dystopia". O grupo soa revigorado no novo álbum, voltando a transmitir aquela paixão, aquela energia, tão característica do metal.
Um disco totalmente Iced Earth, "Dystopia" se equilibra entre composições mais rápidas e agressivas – como a excelente faixa-título, "Equilibrium" e a grandiosa "Tragedy and Triumph" - e outras mais calmas - "Anguish of Youth", espécie de prima de "Melancholy (Holy Martyr)", é um destaque imediato. O resultado final é um álbum consistente, onde nenhuma música soa desnecessária.
Se você, como eu, havia se decepcionado com os discos recentes do grupo, "Dystopia" soará como uma surpresa pra lá de agradável. O álbum é heavy metal até a medula, com o melhor que há no gênero: composições épicas na medida certa, refrões empolgantes, guitarras repletas de peso e melodia, ótimos vocais. Tudo está no lugar certo, em um disco que não só recoloca a carreira do Iced Earth nos trilhos como aponta para um futuro promissor.
Espero que essa formação continua junta por vários anos, porque o que se ouve em "Dystopia" parece ser apenas o primeiro passo de um novo capítulo na carreira do Iced Earth.
Faixas:
Dystopia
Anthem
Boiling Pont
Anguish of Youth
V
Dark City
Equilibrium
Days of Rage
End of Innocence
Tragedy and Triumph
Outras resenhas de Dystopia - Iced Earth
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