Iron Maiden: Coletânea dupla é boa para ouvintes casuais
Resenha - From Fear to Eternity - Iron Maiden
Por Ricardo Seelig
Postado em 24 de julho de 2011
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O principal mérito de "From Fear to Eternity" é colocar em perspectiva a carreira do Iron Maiden na década de 2000. Ainda que a coletânea – dupla - englobe também os anos noventa, o fato é que os discos gravados pelo Maiden nos 90 apresentaram uma queda significativa de qualidade em relação aos primeiros tempos e, além disso, suas melhores composições já figuram em compilações anteriores lançadas pela Donzela. Assim, faixas como "Fear of the Dark", "Be Quick or Be Dead", "Afraid to Shoot Strangers", "Bring Your Daughter … To the Slaughter", "Tailgunner" e "Holy Smoke" acabam soando deslocadas em "From Fear to Eternity", cuja maioria das composições provém do período posterior ao retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith ao grupo, quando o Maiden se transformou em um sexteto com três guitarristas.

A audição deixa claro que, mesmo mudando algumas características do seu som e acrescentando novos elementos à sua música que não caíram bem aos ouvidos mais ortodoxos, o Iron Maiden produziu material de qualidade nas últimas duas décadas. Basta colocar faixas como "The Wicker Man", "Paschendale", "Blood Brothers", "Brave New World", "These Colours Don't Run" e "Dance of Death" pra rolar para perceber isso. A tão discutida influência progressiva, exteriorizada em composições mais longas e com nuances diversas, deu um ar mais maduro à música da Donzela, fazendo-a soar diferente da energia brilhante dos primeiros discos, mas ainda com o poder de cativar.
O fato é que escutar essas composições de forma isolada e não em seus álbuns originais forma um panorama que torna possível avaliar de maneira mais eficiente o que o Iron Maiden vem fazendo nos últimos anos. Se, por exemplo, a já citada "The Wicker Man" reafirma o seu poderio, frescor e status de novo clássico, "Different World" revela-se apenas mais uma peça no tabuleiro, sem acrescentar nada à carreira do grupo.
Um ponto que certamente gerará discussão entre os fãs é que as canções da era-Blaze Bayley presentes em "From Fear to Eternity" são todas versões ao vivo com os vocais de Bruce Dickinson. Ainda que eu, pessoalmente, prefira as gravações com a voz de Bruce, uma compilação que objetiva passar a limpo determinado período da carreira de uma banda deve conter as gravações originais, porque assim fica mais clara a evolução – ou não – do seu trabalho.
A ressalva que faço em relação a "From Fear to Eternity" é que o CD duplo poderia contar apenas com músicas dos quatro últimos álbuns do Iron Maiden – "Brave New World" (2000), "Dance of Death" (2003), "A Matter of Life and Death" (2006) e "The Final Frontier" (2010) -, já que as faixas dos discos da década de noventa soam totalmente deslocadas aqui. Se isso fosse feito, abriria espaço para a inclusão de composições excelentes e que ficaram de fora, como é o caso de "Ghost of the Navigator", "Montségur", "Face in the Sand", "The Pilgrim", "Satellite 15 … The Final Frontier", "Mother of Mercy", "Isle of Avalon", "The Talisman" e "The Man Who Would Be King", documentando assim, de maneira muito mais eficaz, a feceta atual da banda. O que temos em "From Fear to Eternity" é a união de duas fases distintas da carreira do Iron Maiden, e isso incomoda e faz com que a audição não flua naturalmente.
No final, o balanço é positivo, e a conclusão é a de sempre: se você já possui todos os discos, não há motivo para comprar. Mas, se você é apenas um ouvinte casual do Maiden, esse CD duplo vale a pena.
Faixas:
CD 1
1 The Wicker Man 4:36
2 Holy Smoke 3:49
3 El Dorado 6:49
4 Paschendale 8:28
5 Different World 4:19
6 Man on the Edge (Live) 4:40
7 The Reincarnation of Benjamin Breeg 7:22
8 Blood Brothers 7:14
9 Rainmaker 3:49
10 Sign of the Cross (Live) 10:49
11 Brave New World 6:19
12 Fear of the Dark (Live) 7:41
CD 2
1 Be Quick or Be Dead 3:24
2 Tailgunner 4:15
3 No More Lies 7:22
4 Coming Home 5:52
5 The Clansman (Live) 9:06
6 For the Greater Good of God 9:25
7 These Colours Don't Run 6:52
8 Bring Your Daughter... To the Slaughter 4:44
9 Afraid to Shoot Strangers 6:57
10 Dance of Death 8:36
11 When the Wild Wind Blows 11:02
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Queen que Freddie Mercury considerava melhor que "Bohemian Rhapsody"
Rush inicia novo capítulo de uma carreira baseada em fortes convicções
Mike Mangini assume a bateria do Godsmack em nova etapa de turnê
As 25 melhores bandas de todos os tempos, segundo a Classic Rock
Edu Falaschi diz que "Mi'raj" pode ser seu último álbum de estúdio
Vocalista do Moonspell sobre tradução literária: "É mal pago, mas adoro"
Angra confirma primeiro show da carreira na China
Show do Kiss deu origem a uma das maiores bandas da história do thrash metal
A origem de "Por Quem os Sinos Dobram", que une Raul Seixas e Metallica
Os roqueiros da Seleção Brasileira na História das Copas do Mundo
Dee Palmer, ex-tecladista do Jethro Tull, morre aos 88 anos
O pioneiro do rock que Elton John passou a considerar "patético"
10 músicas lançadas há mais de meio século que superaram 1 bilhão de plays no Spotify
Os 25 melhores discos de gothic metal de todos tempos, segundo a Louder
As bandas clássicas e nem tanto que estarão no novo game dos criadores do Guitar Hero
Steven Tyler: "Há álbuns que prefiro esquecer"
Punk contra a Rainha: o dia em que Freddie Mercury deu um enquadro em Sid Vicious
Cinco clássicos do heavy metal com intros de bateria inesquecíveis



Os 10 momentos mais impactantes e fundamentais do metal nacional
Rodrigo Constantino toca clássico do Iron Maiden na bateria e ganha elogios
Iron Maiden e tietagem: Steve Harris posa com membros de três bandas de metal sinfônico
O Iron Maiden errou ou acertou em contratar Janick Gers? Youtuber explica
Inscrições do ENEM abertas: quanto você tiraria na prova sobre rock?
A banda que era a "versão brasileira do Iron Maiden", segundo Max Cavalera
O disco que transformou o Iron Maiden em uma banda realmente global
5 introduções do metal dos anos 1980 que provam por que a década é amada até hoje
Antes do "Reign in Blood" o Slayer já disse ser mais pesado que o Iron Maiden



