MaYan: Uma espécie de Epica mais calcado no Death Melódico

Resenha - Quarterpast - MaYan

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Por Júlio André Gutheil
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


É fato conhecido por praticamente todos os fãs que Mark Jansen é a principal mente criativa por trás do Epica. Dessa forma, fiquei ligeiramente surpreso quando soube que ele pretendia lançar um projeto paralelo, este tal de MaYan. O que não me deixou nem um pouco surpreso foi a temática envolvida; é impressionante a fixação dele pelo povo e cultura Maia. Mas picuinhas a parte, vamos ao que interessa.
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Este “Quarterpast” soa como uma espécie de Epica mais calcado no Death Metal Melódico que ficou um tanto quanto mais proeminente com a entrada do guitarrista Isaac Delahaye e do baterista Ariën Van Weesenbeek em 2007. Na minha opinião isso foi um acerto, já que se era pra fazer uma coisa que fosse extatamente igual a sua banda principal, que este disco fosse lançado pelo Epica. Mas em contrapartida as participações especiais podiam ter sido um pouco mais originais, botar nos vocais de apoio de algumas faixas Simone Simons e Floor Jansen foi de uma obviedade de certa forma frustrante.

Seria de se supor que sendo este um trabalho com o selo criativo de Mark Jansen teríamos na abertura um prelúdio sinfônico e grandioso, no melhor molde de trilha sonora épica de cinema. Mas foi uma agradável surpresa ver que os trabalhos começam diretos e retos, logo de cara com uma paulada chamada 'Symphony of Agression'. Os primeiros instantes da canção lembram muito a negra aura sinfônica dos trabalhos mais recentes do Dimmu Borgir, despejando riffs densos e muito pesados, com a bateria metralhante de Ariën sendo devastadora como sempre e os vocais agressivos de Mark, com destaque infinitamente maior que no Epica. Pontos negativos o vocal de apoio feminino, desnecessário na minha opinião.

Creio eu que muitos fãs do finado After Forever terão uma forte sensação de nostalgia com a introdução de “Mainstray Of Society - In The Eyes Of The Law Corruption”, que me soa muito como algumas faixas dos primeiros trabalhos da citada banda. É menos impactante que a primeira, mas tem bastante peso e agressividade também. Faixa na média. 'Quarterpast' é um interlúdio, daqueles soturnos e climáticos, e felizmente não aleatório.

Já 'Course of Life' é uma grande canção. Os vocais de Floor são muito mas interessantes e participativos, o vocal limpo de Henning Basse é muito bom, bastante operístico e teatral. O instrumental é absolutamente preciso e esbajando peso para todos os lados. Logo em seguida chega outra pedrada: “The Savage Massacre - In The Eyes Of Law Pizzo”. Acho muito bom ouvir o Mark com tanto destaque, a interpretação dele é muito boa, uma atuação com desenvoltura e imponente.

E mais um interlúdio para a coleção: 'Essenza di Te'. Bacana, nada mais que isso. Na cola do interlúdio vem 'Bite the Bullet', uma música um pouco mais reta, assim digamos, também bastante pesada e de intrumental impecável. A seguinte, 'Drown the Demon', foi a primeira a ser divulgada há alguns meses. Na primeira audição me soou Epica demais, impressão que ainda me é constante. Não é demérito nenhum, mas acaba parecendo uma faixa meio deslocada. Mas de qualquer forma é um grande som!

E 'Celibate Aphrodite' foi bem na contra-mão. Foi a segunda a há ser divulgada, alguns dias antes do lançamento, e para mim não lembra quase nada o Epica (tirando o vocal feminino, claro). As orquestrações são brilhantes, o gutural de Mark é espetacular, o vocal limpo de Henning lembra bastante o grande mestre Jon Oliva com todo sua magia teatral. Os guitarristas destroem com riffs rasgantes e solos inspirados, e a bateria é demolidora como sempre (Ariën é disparado um dos meus bateristas favoritos).

A última faixa em si do disco é 'War On Terror - In The Eyes Of The Law Pentagon Papers', que começa com inusitados instrumentos, num tom de bandinha de coreto de cidade do interior. Porém é passageiro, e logo somos esmagados por mais e mais doses de peso cavalar. Não é preciso dar maiores explicações, com orquestrações ainda mais grandiosos é um desfecho imponente. E pra fechar a conta temos 'Tithe', uma curtíssima base de piano, que me fz supor que seja o gancho para algum futuro trabalho do conjunto.

Seria um disco perfeito se Mark não fosse tão preso a alguns clichês que ele próprio ajudou a criar. Vários momentos são idênticos a coisas que ele fez no After Forever e faz no Epica, que acabou soando um pouco genérico. Mas isso não estraga o álbum, de forma nenhuma, consideremos isso como tão somente um pequenos deslize ou força de um hábito difícil de largar.

Outro ponto que eu gostaria de comentar é que, mesmo estas composições sendo consideravelmente mais pesadas que o padrão Epica, as músicas poderiam ter ainda mais peso. Acredito que seria ainda mais impressionante se houvesse um quê de Death Metal tradicional mais intenso. Guitarra realmente sujas, algo de mais visceral e virulento, talvez até um pouco de podridão bem dosada seria fantástco na proposta do MaYan.

Mas enfim, ficou absurdamente bom de qualquer maneira. Mark Jansen é um dos grandes gênios do metal sinfônico contemporâneo, sabe muito bem o que quer e o que pode fazer. E como as duas coisas são praticamente inerentes, é recomendado para fãs de Epica. Se for seu caso, compre que é satsifação garantida.

O MaYan é:

Mark Jansen – Vocais
Isaac Delahaye – Guitarra
Frank Schiphorst – Guitarra
Rob van der Loo – Baixo
Jack Driessen – Teclados e vocais
Ariën Van Weesenbeek – Bateria e vocais

Convidados:

Floor Jansen (Revamp) – Vocais
Simone Simons (Epica) – Vocais
Hennin Basse (Sons of Season) – Vocais
Jeroen Paul Thesseling – Fretless Bass
Laura Macrì (cantora lírica) – Vocais (soprano)

Track list:

1. Symphony Of Aggression (07:49)
2. Mainstay Of Society (In The Eyes Of The Law: Corruption) (05:25)
3. Quarterpast (01:35)
4. Course Of Life (06:10)
5. The Savage Massacre (In The Eyes Of Law: Pizzo) (05:28)
6. Essenza Di Te (02:06)
7. Bite The Bullet (05:19)
8. Drown The Demon (05:00)
9. Celibate Aphrodite (07:20)
10. War On Terror (In The Eyes Of The Law: Pentagon Papers) (04:25)
11. Tithe (00:52)

http://www.myspace.com/mayanofficial

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Sobre Júlio André Gutheil

Nascido em Feliz, interior do Rio Grande do Sul, de origem alemã e com 20 anos de idade. Grande fã de Blind Guardian, Paradise Lost e Opeth, além de outras várias bandas de diversos estilos distintos. Pretende cursar jornalismo e também se dedicar o máximo possível à crônica do mundo Heavy Metal. Escreve no blog www.metalmeltdowndiscos.blogspot.com. Twitter: @jagutheil.

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