Arch Enemy: Integrado no contexto do "Melodic Death Metal"

Resenha - Khaos Legions - Arch Enemy

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Por Bruno Avellar Alves de Lima
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Há quatro anos sem lançar um full-length, o Arch Enemy deixou seus fãs em grande ansiedade ao anunciar o "Khaos Legions", mais novo álbum da banda e sucessor de "Rise Of the Tyrant" de 2007 e "The Root of All Evil", de 2009, álbum sem músicas inéditas, que conta com regravações de músicas clássicas dos 3 primeiros álbuns da banda (que contavam com Johan Liiva nos vocais). Toda a ansiedade e a espera foram recompensadas por este que pode ser considerado o álbum mais completo, dinâmico e técnico desta banda que com certeza já pertence à elite do metal extremo contemporâneo.

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"Khaos Overture" introduz o álbum de maneira monumental com um pedal point de Michael Amott de arrepiar, seguido pela entrada da guitarra base de Christopher Amott, o baixo de Sharlee D'Angelo e a bateria destruidora de Daniel Erlandsson. Uma passagem falada, estilo Rhapsody Of Fire, dá fim a "Khaos Overture" e anuncia "Yesterday is dead and Gone".

"Yesterday is dead and Gone" tem riffs simples e eficientes, com destaque para o belo duelo de tapping dos irmãos Amott e para mais uma clássica melodia de Michael Amott que com certeza será acompanhada pelos já famosos "Ôoos" do público ao vivo.

"Bloodstained Cross" é a primeira "pedrada" do álbum, com riffs rápidos, pedal duplo a toda e uma melodia marcante. Essa track já expõe algo bastante positivo deste álbum, a grande evolução técnica de Michael Amott, que sempre teve mais evidência por seu feeling que por sua técnica. O solo de Michael Amott desta música é o melhor desde "Burning Angel!" Mas isso é só o começo.

"Under Black Flags we March" marca um tipo de canção comum nos álbuns do Arch Enemy, algo mais cadenciado, com Riffs que remetem a um Heavy Metal mais clássico, mas não menos pesado, estilo We will rise. O destaque neste track fica por conta das linhas de baixo que estão excepcionais.

"City Of The Dead" e "Through the eyes of a Raven" contém simplesmente todos os elementos do álbum: peso, velocidade, técnica e melodia em um equilíbrio perfeito. Angela Gossow despeja uma brutalidade única nestas tracks, um gutural digno de qualquer banda clássica de Death Metal.

"Cruelty without Beauty" e "Cult Of Chaos" são músicas únicas em toda a carreira do Arch Enemy. Seus riffs têm uma pegada Thrash Metal que nos remete as canções mais clássicas de bandas consagradas como Kreator e Slayer. Destaque nestas tracks para os sensacionais blast beats de Daniel Erlandsson, que deram um toque a mais de brutalidade as músicas, e foram utilizados de maneira criativa e inteligente, ao contrário do que infelizmente ocorre em muitas bandas de Death Metal que exageram no uso desta técnica a ponto de comporem músicas inaudíveis.

"Vengeance is Mine" tem riffs que com certeza entram no hall dos melhores e mais velozes riffs já compostos pelos irmãos Amott, ao lado de "Nemesis", "Blood on your hands", "First Deadly Sin" e afins.

"Thorns in my flash" e "Secrets" são músicas bastante melódicas e rápidas, com solos que lembram Power Metal. Destaque mais uma vez para os irmãos Amott, que sabem como poucos fazer solos em dueto.

Os pontos fracos ficam por conta das instrumentais "We are a godless entity" e "Turn to dust", que são exageradamente simples e pouco representativas no contexto do álbum. Outro ponto fraco é "No gods, No masters", que apesar de bem feita é exacerbadamente pop e sinceramente desnecessária na carreira do Arch Enemy, ela caberia bem em um álbum do In Flames!

O cover de "The Zoo" do Scorpions ficou ótimo, mas como algo a parte no álbum, bem como a versão acústica de "Snowbound" do álbum "Wages Of Sin" de 2001.

O fato é que este álbum não só pode ser considerado o melhor da carreira do Arch Enemy, como o melhor no contexto do famigerado "Melodic Death Metal", gênero que, aliás, a banda nega pertencer, mas que é o que melhor se adéqua a sonoridade da banda.


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