Axel Rudi Pell: Seu grande problema é o repertório
Resenha - Crest - Axel Rudi Pell
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 20 de março de 2011
Nota: 6 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Embora possua um currículo de muita consistência, o guitarrista alemão AXEL RUDI PELL nunca conquistou o verdadeiro prestígio da crítica e do público. Em seu mais recente disco, intitulado "The Crest", os motivos desse ostracismo se mostram mais do que evidentes. Por mais que busque uma aproximação diferenciada com o hard rock, a empreitada do compositor germânico continua apontando para o que o metal melódico possui de mais cansativo e repetitivo. A consequência é que as músicas rasas se sobrepõem às poucas faixas que conseguem se destacar no álbum.
Axel Rudi Pell - Mais Novidades

Na metade da década de oitenta, AXEL RUDI PELL conquistou certa notoriedade como músico do STEELER, grupo que o guitarrista abandonou quatro anos depois para iniciar a sua carreira independente. O alemão, considerado por muitos como um dos melhores guitarristas da sua geração (e consequentemente do seu país), chega ao décimo quarto disco de uma carreira extremamente produtiva. Porém, essa não é uma empreitada dedicada à música instrumental, mais ou menos como o sueco YNGWIE MALMSTEEN conquistou o seu prestígio ao redor do mundo. Pelo contrário. O artista germânico é acompanhado aqui por uma banda coesa e muito técnica – John Gioeli (vocal, HARDLINE), Volker Krawczak (baixo), Ferdy Doernberg (teclado) e o conhecidíssimo Mike Terrana (bateria, TARJA e ex-RAGE). Entretanto, a excelência técnica dos envolvidos não se reverte obrigatoriamente em um ótimo álbum.

Não há dúvidas de que "The Crest" comete poucos pecados. No entanto, o repertório construído (e produzido) por AXEL RUDI PELL está muito distante de ser o mais indicado, sobretudo para um quarteto de exposição internacional e que investe as suas fichas no que o metal apresenta de mais tradicional e de mais melódico. Em quase uma hora de música, são poucas (ou pouquíssimas) as faixas que verdadeiramente se destacam na obra. De um lado, a impressão que "The Crest" deixa é de que o guitarrista alemão poderia buscar uma sequência de composições mais inspiradoras dentro do gênero. De outro, a ausência de impacto sonora é nítida e compromete qualquer ambição mais comercial de AXEL RUDI PELL. O álbum deve agradar somente os fãs mais insistentes – e pouco críticos – do metal melódico tipicamente germânico.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | A faixa de abertura – intitulada "Too Late" – é precedida pela curta e introdutória "Prelude of Doom". De certo modo, essa composição pode ser apontada como um dos destaques do disco, praticamente por unir as principais virtudes de "The Crest" de uma vez só. Os arranjos de guitarra são diferenciados e podem ser mencionados como uma qualidade à parte (e presente no restante do álbum). As bases de teclado se contrapõem à crueza da voz de Gioeli. Por mais que se encontre com facilidade os pontos positivos da banda, as músicas carecem de arranjos mais inspirados e variações rítmicas. Na sequência, "Devil Zone" e, principalmente "Prisoner of Love", mostram grandes ideias, mas que precisariam ser mais bem lapidadas para um resultado verdadeiramente satisfatório. As faixas de "The Crest" são monótonas e certamente não resistirão ao tempo.

Embora mostre diversas características interessantes quando une o metal melódico às influências do hard rock – "Prisoner of Love" pode ser justamente apontada a melhor faixa do álbum por isso – o repertório de "The Crest" perde o pouco do seu brilho quando exagera em sonoridades extremamente básicas para o gênero. De um lado, "Dreaming Dead" é demasiadamente reta e não deve impressionar ninguém. De outro, a balada "Glory Night" não comete nenhum deslize, mas está longe de empolgar – até mesmo os menos exigentes. Por outro lado, "Dark Waves of the Sea (Oceans Pt. II The Dark Side)" – com exatos oito minutos – é a primeira faixa a mais densa e complexa do álbum. No entanto, ela se destaca somente (e obviamente) pelos ótimos solos assinados por AXEL RUDI PELL.

Não há dúvidas de que "The Crest" carece de músicas capazes de resumir a obra de AXEL RUDI PELL em faixas de impacto mais imediato. Em razão disso, a sequência final do disco passa em branco sem chamar a atenção de ninguém. De um lado, "Burning Rain" é reta demais e evidencia novamente a ausência de criatividade. A instrumental (e clássica) "Noblesse Oblige (Opus #5 Adagio Contabile)" pode até cair no gosto de quem estuda guitarra. De outro (e por fim), "The End of Our Time" conta com uma intensidade acima da média, sobretudo nas melodias entoadas por John Gioeli. O resultado – mais uma vez – não foge do senso comum que cerca "The Crest" do seu início ao seu fim.
O resultado de "The Crest" pode ser interpretado por dois caminhos. O primeiro aponta para um disco coeso e bem executado. O segundo evidencia a ausência de criatividade e de ousadia, duas características extremamente importantes para as bandas que ainda insistem no metal melódico – gênero que já se encontra esgotado por fórmulas repetidas imensamente. A dicotomia avaliativa do mais recente álbum de AXEL RUDI PELL deve dividir inclusive opiniões e mostrar o porquê da sua carreira ainda não possuir uma abrangência mundial. Não é só com músicos competentes que se constroi um excelente álbum.

Track-list:
01. Prelude of Doom (Intro)
02. Too Late
03. Devil Zone
04. Prisoner of Love
05. Dreaming Dead
06. Glory Night
07. Dark Waves of the Sea (Oceans Pt. II The Dark Side)
08. Burning Rain
09. Noblesse Oblige (Opus #5 Adagio Contabile)
10. The End of Our Time
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A curiosa lista de itens proibidos no show do Megadeth em São Paulo
O cover gravado pelo Metallica que superou meio bilhão de plays no Spotify
A condição de Ricardo Confessori pra aceitar convite de Luis Mariutti: "Se for assim, eu faria"
Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
A banda de abertura que fez Ritchie Blackmore querer trocar: "Vocês são atração principal"
A canção que levou o Led Zeppelin a outro patamar; "eu já estava de saco cheio"
Bangers Open Air inicia venda de ingressos para 2027; confira possíveis atrações
Dez músicas clássicas de rock que envelheceram muito mal pelo sexismo da letra
A banda de metal que Lars Ulrich disse que ninguém conseguia igualar: "Atitude e vibração"
Guns N' Roses supera a marca de 50 shows no Brasil
Astro de Hollywood, ator Javier Bardem fala sobre seu amor pelo Iron Maiden
"Exageraram na maquiagem em nós": Chris Poland lembra fotos para álbum do Megadeth
A música que The Sopranos ajudou a transformar em uma das maiores de todos os tempos
Bruce Dickinson confirma que novo álbum solo está pronto
Guns N' Roses encerra turnê no Brasil com multidões, shows extensos e aposta em novos mercados
Eloy quebrava mais do que baquetas na banda de Andre Matos, segundo Hugo Mariutti
A resposta de Humberto Gessinger a jornalista que perguntou se ele é antipático ou tímido
A música "estranha" do Megadeth que atingiu o topo das paradas de rádio nos EUA
Stryper celebra o natal e suas quatro décadas com "The Greatest Gift of All"
Kreator - triunfo e lealdade inabalável ao Metal
"Eagles Over Hellfest" é um bom esquenta para o vindouro novo disco do colosso britânico Saxon
Em 1977 o Pink Floyd convenceu-se de que poderia voltar a ousar

