Cartas à Julie-Marie: Trio carioca une rock e jazz à poesia
Resenha - Cartas à Julie-Marie - Cartas à Julie-Marie
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 09 de março de 2011
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Embora muitas bandas insistam em reproduzir as fórmulas já consagradas pelo rock n’ roll, o movimento indie nasceu com o intuito de acabar com a mesmice e reinventar o gênero. A sonoridade clássica do estilo, que passou a absorver as características do rock alternativo com mais naturalidade, assumiu uma postura artística rica em detalhes. Nessa perspectiva, os cariocas do CARTAS À JULIE-MARIE é um interessantíssimo exemplo. O grupo chega ao seu primeiro disco unindo referências do rock e do jazz à poesia de modo extremamente consistente.

O trio Alex Frechette (vocal e piano), Peter Strauss (guitarra) e Andréa Amado (bateria) juntaram no CARTAS À JULIE-MARIE uma série de influências diversificadas, que passeiam com desenvoltura pela música francesa de cabaret e pelo jazz/blues, como se os dois gêneros assumissem uma proximidade íntima ao rock n’ roll. O resultado soa uniforme e contorna a música da banda com muita personalidade e originalidade. Em uma nítida referência à obra "Cartas a Théo" (de Van Gogh), os cariocas musicaram doze poemas dedicados à sua personagem fictícia de modo muito consistente. De um lado, o trio mostrou competência criativa em doze faixas de relativo impacto. De outro, os caras comprovaram que a experiência de quatro serviu como degrau para atingir um nível excelente na produção do disco.
A característica mais marcante do disco "Cartas à Julie-Marie" é que a música do power trio carioca não se prende a rótulos ou a formatos pré-estabelecidos. De modo muito natural, Frechette & Cia. inseriram instrumentos até que poucos explorados pelo rock, como o trompete e o trombone, além da flauta e do acordeon. Embora não dêem um acento folk à obra, os doze músicos convidados enriqueceram a sonoridade do CARTAS À JULIE-MARIE, sem criar uma áurea de estranheza (comum do indie) à proposta do grupo. Depois da introdutória "Le Prélude", as faixas seguintes mostram melodias animadas e, apesar dos títulos em francês, letras no nosso idioma. "La Découverte" se baseia em linhas de piano e conta com uma pegada genuinamente rockeira de guitarra. Na sequência, "Le Risque" mostra uma faceta mais jazz/blues com características setentistas. De qualquer modo, a música – assim como a sua anterior – mostra muita qualidade.
No entanto, o que não permite creditar "Cartas à Julie-Marie" como um disco sensacional é o desempenho de Alex Frechette diante do microfone. O cantor claramente não possui a desenvoltura necessária para se encaixar em todas as composições da banda, sobretudo em faixas como "Le Monde" e "Le Cirque", exatamente porque exigem muito da voz de quem assume a posição de frontman. Por outro lado, "Le Lettre" – que conta com a bonita voz da convidada Gudi Vieira – mostra como a sonoridade do grupo se encaixa muito bem quando aposta em temas mais cadenciados. Por mais que a pegada rock n’ roll do power trio se sobressaia, "Le Lettre" certamente pode ser apontada como uma das melhores faixas do álbum.
Não há como deixar passar em branco. A faixa seguinte, "Le Jeu", foi a única masterizada por Christian Wright no famoso estúdio Abbey Road, em Londres (Inglaterra). Com um toque mais jazz, a composição comprova que o CARTAS À JULIE-MARIE consegue um resultado excelente a partir do momento em que investe em passagens mais animadas e em um refrão que se fixa com facilidade na mente do ouvinte. A característica do refrão, que possui notoriedade desde as primeiras faixas do álbum, retorna em "Le Énigme", mesmo que essa música possua uma áurea mais cadenciada, ao contrário de "La Routine", que conta com a melhor performance de Alex Frechette diante do microfone.
Por mais que "Cartas à Julie-Marie" possua detalhes extremamente difíceis de serem rotulados e explicados aqui no texto, a proposta da banda apresenta muito mais virtudes do que comete pecados. A originalidade dos cariocas não só é evidente como ainda é capaz de dar uma qualidade extrena ao primeiro trabalho do CARTAS À JULIE-MARIE. De certo modo, a experiência proporcionada por Frechette & Cia. precisa ser mais provada (com os ouvidos) do que relatada por aqui. Por fim, o encarte e o CD prensado em SMD deram um toque a mais à riqueza sonora do material. Imperdível.
Site: www.cartasajuliemarie.com.br
Track-list:
01. Le Prélude
02. La Découverte
03. Le Risque
04. Le Monde
05. Le Cirque
06. La Lettre
07. Le Interméde
08. Le Jeu
09. La Conquête
10. Le Énigme
11. Le Épilogue
12. La Routine
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As 10 melhores bandas da história do metal, segundo o Loudwire
Entre a Sombra e o Futuro - Como Halford, Astbury, Danzig e Dickinson desafiaram seu passado
O dia em que Phil Lynott disse a um fã famoso: "acabarei com o Thin Lizzy por sua causa"
O maior guitarrista da história da música pesada, segundo o Loudwire
James Hetfield pede namorada em casamento debaixo d'água
Quando David Gilmour teve que ouvir "música comercial" para gravar um disco do Pink Floyd
Deathfeast Open Air terá 33 bandas em 3 dias de shows na edição de 2026 do festival
A banda chamada de "novo Led Zeppelin" que tinha Metallica no bolso, e mesmo assim não estourou
A opinião elogiosa de Ron "Bumblefoot" Thal sobre Slash
O melhor baterista da história da música pesada, segundo o Loudwire
Morre Phil Campbell, guitarrista que integrou o Motörhead por mais de 30 anos
A música do Megadeth que é um "pop country de gosto duvidoso", segundo o Heavy Consequence
A diferença entre Bruce Dickinson e Paul Di'Anno, segundo Adrian Smith
Wanessa Camargo prefere Black Sabbath com Dio, mas Zezé Di Camargo prefere com o Ozzy
5 álbuns clássicos de rock que Gastão Moreira tentou gostar - e não conseguiu
Kiko Loureiro conta como Teemu Mäntysaari foi escolhido para ser guitarrista do Megadeth
A faixa do "Dark Side" que para Roger Waters resistiu mais ao teste do tempo que as outras
Gordo revela valor do cachê que recusou da Pepsi: "Queriam que eu fosse Papai Noel azul"

Virgo um dos álbuns mais importantes da carreira de Andre Matos
Em "Attitude Adjustment", Buzzcocks segue firme como referência de punk rock com melodia
Alice In Chains: Sete músicas, que podem mudar a vida de uma pessoa



