Cain's Offering: Um álbum que merecia maior divulgação
Resenha - Gather the Faithful - Cain's Offering
Por Dehco De La Vega
Postado em 09 de janeiro de 2011
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Sempre fui fã de Heavy Metal Melódico, porém nunca admirei o ostracismo que impera dentro do estilo. Existem inúmeras bandas que não possuem nada, exatamente nada de originalidade, e, muitas vezes, se superam na ausência de técnica e bom gosto. Este não é o caso de "Gather the Faithful", dos finlandeses que integram o "Cain's Offering", do ano de 2009, lançado pela Frontier Records. Não é um disco inovador e que mudará a história do Heavy Metal, mas estará entre os favoritos de muitos ouvintes, com certeza.

Quando lemos o line-up da banda, encontramos os renomados Timo Kotipelto (vocalista do "Stratovarius") e Jani Liimatainen (ex-guitarrista do "Sonata Arctica"), além de Mirkko Harkin (ex-tecladista do "Sonata Arctica"). Completam o time Jukka Koskinen, nas quatro cordas, e Jani Hurula, tocando bateria na velocidade da luz. Não espere encontrar nada em exagero no disco: não há excesso de solos com infinitas notas, mas também não deixam de estar presentes; não há incontáveis coros tentando soar como Blind Guardian, mas as vozes não são "cruas"; há músicas cadenciadas, arrastadas e rápidas, bem como baladas de altíssimo nível. Tudo isso junto, com muita musicalidade e bom gosto.
A bolacha se incia com "My Queen of Winter". A inevitável comparação surge. Lembra muito o "Sonata" dos primeiros álbuns. Neste caso, a comparação é boa e não deixará os fãs mais radicais desapontados. Melodias de teclado acertadas e com belos timbres, riffs rápidos e com peso, um refrão que fica na sua cabeça como se fosse um jingle de loja de departamento, variando ao longo da canção entre levadas constantes de pedal duplo e momentos mais lentos. Não fica pra trás a próxima faixa, "More than Friends": riffs cativantes de guitarra com um certo swing, além de um pré- refrão bastante original, fazem a diferença na música.
Na sequência, "Oceans of Regret". Sem dúvida um dos pontos altos do disco. Tem de tudo e do melhor. Melodias de voz de arrepiar, riffs pesados, riffs com swing, riffs técnicos, variações rítmicas interessantes e, claro, é veloz, afinal o "cabeça" da banda é Jani. Aliás todas as composições são dele. Confesso que acho Timo Kotipelto um pouco repetitivo, sem muito sentimento, mas nessa faixa, meu Deus, o cara acertou na veia. O refrão é muito bom, com melodias de voz muito bem encaixadas na harmonia, que não é "quadrada" ou "clichê"; é daqueles que você nem terminou de ouvir e já está voltando para ouvir de novo, com um sorriso no rosto. Os solos são também muito bons, e o tecladista Mirkko mostra bastante feeling. Outro ponto que fortalece a composição é a letra, muito inspirada. Na verdade, no trabalho todo as letras são boas, fugindo daquela temática fantasiosa que teima em ser "obrigatória" no metal melódico.
A faixa título é instrumental, bem conceituada e curta. Não possui solos eivados de delírios megalomaníacos. Ao invés disso, traz uma imposição rítmica e harmônica bem trabalhada, que não se torna cansativa. É seguida pela primeira balada, "Into the Blue". A melodia de voz é melosa, mas na medida certa. O ponto negativo fica para as linhas de baixo, bastante pobres e com um timbre, às vezes demasiadamente "metálico", que não consegue me agradar, sinceramente. Mais uma vez a letra é o ponto forte e Kotipelto mostra a razão porque é renomado.
"Dawn of Solace". A mais rápida do álbum, sem sombra de dúvidas. A bateria é fulminante do começo ao fim, literalmente, desde a introdução até um pouco antes do final, momento em que Hurula dá um show nas viradas e põe muita batera de nome na manga. Os fãs de "Sonata Arctica", antigo Stratovarius, vão entrar em êxtase ao cantar as melodias. Outra vez, não é exagero, a letra se destaca, além dos solos e riffs numa velocidade alucinante. Outro bom momento do álbum vem a seguir, com "Thorn in my Side": mais cadenciada e com uma bateria eletrônica disparada, porém, claro, com muito bom gosto. Os riffs de guitarra são bastante simples, mas bem pesados e bem "pra cima". As linhas de voz estão entre as melhores do disco.
Na sequência "Morpheus in Masquerade", a música mais longa da bolacha, tem uma enxurrada de melodias de voz que não se repetem, mudando constantemente. Alguns violões e bons teclados se alternam, trazendo um clima diferente do que se viu até agora.
"Stolen Waters" é outro ponto excelente do disco, tudo em harmonia: peso e melodia, velocidade e cadência. É aquela música que você escuta durante um ano seguido no carro e não se cansa. E se você estava pensando que Jani ia segurar a mão na fritação das seis cordas, enganou-se. Não há piedade, é palhetada alternada na velocidade da luz todos os instantes!
O final do álbum é uma balada de piano e voz, muito, mas muito bonita. A letra é, mais uma vez, muito boa. Curta e sem enrolação, a música termina o disco de maneira magistral.
Existe também uma faixa bônus, para o Japão, que lembra bastante a música de abertura, com boas melodias de voz. O que vale ressaltar nessa faixa é o solo de guitarra. Jani mostra que é um excelente guitarrista, com muita técnica e bom gosto, virtuoso, mas sem ser exagerado. O cara manda bem em sweep, palhetada alternada, two hands, hammers on e pull offs, afina bem os bends... assim vai...
Resumindo, o álbum é indispénsável para os fãs de Heavy Metal Melódico. Se você procura belas melodias de voz e riffs pesados, você não vai se decepcionar. O único ponto negativo é o baixo, que, apesar de bem mixado, não corresponde ao resto da banda. O destaque fica por conta de Jani Liimatainen, que cada vez mais se mostra um excelente guitarrista e compositor, tanto nos arranjos quanto nas letras, repletas de técnica e bom gosto. Não há discussão de que esteja mais maduro. Os fãs dos álbuns antigos do Sonata Arctica irão fazer abaixo-assinados para que o ruivão das seis cordas retorne para banda... Nota 10, sem dúvidas!
Track list:
1.My Queen Of Winter - 4:15
2.More Than Friends - 4:20
3.Oceans Of Regret - 6:21
4.Gather The Faithful - 3:50
5.Into The Blue - 4:25
6.Dawn Of Solace - 4:18
7.Thorn In My Side - 4:07
8.Morpheus In A Masquerade - 6:51
9.Stolen Waters - 4:35
10.Tale Untold (Bonus track for Japan) - 4:08
11.Elegantly Broken - 2:46
Outras resenhas de Gather the Faithful - Cain's Offering
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A melhor música de todos os tempos, na opinião de Tarja Turunen
Slash elege os 10 maiores riffs de guitarra de todos os tempos
Pophouse adquire parte dos direitos musicais, de imagem e nome do Iron Maiden
Heathen divulga versão de "The Prisoner", do Iron Maiden
A banda que antecipou o Van Halen e quase virou o Led Zeppelin dos EUA
5 músicas que fazem o metaleiro olhar para o amigo e dizer: "Agora ficou sério"
A música "numero 1" do AC/DC, na opinião de Angus Young
Mastodon oficializa nova formação, que conta com músico brasileiro
Mbappé, Messi, Haaland, Kane e Neymar: qual banda de metal representa cada um?
A música que fez James Hetfield sair da zona de conforto como vocalista
Jason Newsted reconhece ter caído em "depressão severa" com diagnóstico de câncer
Mick Jagger não vê nada de bom em envelhecer, mas admite uma vantagem inesperada
Dave Mustaine diz que releitura de "Ride the Lightning" exigiu muito da sua capacidade vocal
A rixa de Cobain e Novoselic: "Você está colocando essa merda fedorenta na música"
A curiosa resposta do Pixies após Dave Grohl opinar sobre clássico da banda
O motivo pelo qual o tecladista do Pink Floyd ficou insatisfeito com "The Division Bell"
A música mais longa (e mais triste) da carreira dos Ramones
O mega ator com dois Oscar que Dave Grohl acha péssimo: "Monótono e sem emoção"

Brasileiro Puukkojunkkari faz ótimo punk/hardcore extremo cantando em finlandês
A Arquitetura da Fé e da Melodia - Michael Sweet Transmite Paz em "The Master Plan"
Headhunter DC - Death Metal como arma, identidade e resistência
Black Swan - Quando a experiência se transforma em poder de fogo
Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
O melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos



