Cain's Offering: Um álbum que merecia maior divulgação

Resenha - Gather the Faithful - Cain's Offering

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Dehco De La Vega
Enviar correções  |  Ver Acessos

Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Sempre fui fã de Heavy Metal Melódico, porém nunca admirei o ostracismo que impera dentro do estilo. Existem inúmeras bandas que não possuem nada, exatamente nada de originalidade, e, muitas vezes, se superam na ausência de técnica e bom gosto. Este não é o caso de "Gather the Faithful", dos finlandeses que integram o "Cain's Offering", do ano de 2009, lançado pela Frontier Records. Não é um disco inovador e que mudará a história do Heavy Metal, mas estará entre os favoritos de muitos ouvintes, com certeza.

Edu Falaschi: o fax com convite de seleção para o Iron MaidenSimplicidade é para os falsos: o nome de banda mais complicado do mundo

Quando lemos o line-up da banda, encontramos os renomados Timo Kotipelto (vocalista do "Stratovarius") e Jani Liimatainen (ex-guitarrista do "Sonata Arctica"), além de Mirkko Harkin (ex-tecladista do "Sonata Arctica"). Completam o time Jukka Koskinen, nas quatro cordas, e Jani Hurula, tocando bateria na velocidade da luz. Não espere encontrar nada em exagero no disco: não há excesso de solos com infinitas notas, mas também não deixam de estar presentes; não há incontáveis coros tentando soar como Blind Guardian, mas as vozes não são "cruas"; há músicas cadenciadas, arrastadas e rápidas, bem como baladas de altíssimo nível. Tudo isso junto, com muita musicalidade e bom gosto.

A bolacha se incia com "My Queen of Winter". A inevitável comparação surge. Lembra muito o "Sonata" dos primeiros álbuns. Neste caso, a comparação é boa e não deixará os fãs mais radicais desapontados. Melodias de teclado acertadas e com belos timbres, riffs rápidos e com peso, um refrão que fica na sua cabeça como se fosse um jingle de loja de departamento, variando ao longo da canção entre levadas constantes de pedal duplo e momentos mais lentos. Não fica pra trás a próxima faixa, "More than Friends": riffs cativantes de guitarra com um certo swing, além de um pré- refrão bastante original, fazem a diferença na música.

Na sequência, "Oceans of Regret". Sem dúvida um dos pontos altos do disco. Tem de tudo e do melhor. Melodias de voz de arrepiar, riffs pesados, riffs com swing, riffs técnicos, variações rítmicas interessantes e, claro, é veloz, afinal o "cabeça" da banda é Jani. Aliás todas as composições são dele. Confesso que acho Timo Kotipelto um pouco repetitivo, sem muito sentimento, mas nessa faixa, meu Deus, o cara acertou na veia. O refrão é muito bom, com melodias de voz muito bem encaixadas na harmonia, que não é "quadrada" ou "clichê"; é daqueles que você nem terminou de ouvir e já está voltando para ouvir de novo, com um sorriso no rosto. Os solos são também muito bons, e o tecladista Mirkko mostra bastante feeling. Outro ponto que fortalece a composição é a letra, muito inspirada. Na verdade, no trabalho todo as letras são boas, fugindo daquela temática fantasiosa que teima em ser "obrigatória" no metal melódico.

A faixa título é instrumental, bem conceituada e curta. Não possui solos eivados de delírios megalomaníacos. Ao invés disso, traz uma imposição rítmica e harmônica bem trabalhada, que não se torna cansativa. É seguida pela primeira balada, "Into the Blue". A melodia de voz é melosa, mas na medida certa. O ponto negativo fica para as linhas de baixo, bastante pobres e com um timbre, às vezes demasiadamente "metálico", que não consegue me agradar, sinceramente. Mais uma vez a letra é o ponto forte e Kotipelto mostra a razão porque é renomado.

"Dawn of Solace". A mais rápida do álbum, sem sombra de dúvidas. A bateria é fulminante do começo ao fim, literalmente, desde a introdução até um pouco antes do final, momento em que Hurula dá um show nas viradas e põe muita batera de nome na manga. Os fãs de "Sonata Arctica", antigo Stratovarius, vão entrar em êxtase ao cantar as melodias. Outra vez, não é exagero, a letra se destaca, além dos solos e riffs numa velocidade alucinante. Outro bom momento do álbum vem a seguir, com "Thorn in my Side": mais cadenciada e com uma bateria eletrônica disparada, porém, claro, com muito bom gosto. Os riffs de guitarra são bastante simples, mas bem pesados e bem "pra cima". As linhas de voz estão entre as melhores do disco.

Na sequência "Morpheus in Masquerade", a música mais longa da bolacha, tem uma enxurrada de melodias de voz que não se repetem, mudando constantemente. Alguns violões e bons teclados se alternam, trazendo um clima diferente do que se viu até agora.

"Stolen Waters" é outro ponto excelente do disco, tudo em harmonia: peso e melodia, velocidade e cadência. É aquela música que você escuta durante um ano seguido no carro e não se cansa. E se você estava pensando que Jani ia segurar a mão na fritação das seis cordas, enganou-se. Não há piedade, é palhetada alternada na velocidade da luz todos os instantes!
O final do álbum é uma balada de piano e voz, muito, mas muito bonita. A letra é, mais uma vez, muito boa. Curta e sem enrolação, a música termina o disco de maneira magistral.

Existe também uma faixa bônus, para o Japão, que lembra bastante a música de abertura, com boas melodias de voz. O que vale ressaltar nessa faixa é o solo de guitarra. Jani mostra que é um excelente guitarrista, com muita técnica e bom gosto, virtuoso, mas sem ser exagerado. O cara manda bem em sweep, palhetada alternada, two hands, hammers on e pull offs, afina bem os bends... assim vai...

Resumindo, o álbum é indispénsável para os fãs de Heavy Metal Melódico. Se você procura belas melodias de voz e riffs pesados, você não vai se decepcionar. O único ponto negativo é o baixo, que, apesar de bem mixado, não corresponde ao resto da banda. O destaque fica por conta de Jani Liimatainen, que cada vez mais se mostra um excelente guitarrista e compositor, tanto nos arranjos quanto nas letras, repletas de técnica e bom gosto. Não há discussão de que esteja mais maduro. Os fãs dos álbuns antigos do Sonata Arctica irão fazer abaixo-assinados para que o ruivão das seis cordas retorne para banda... Nota 10, sem dúvidas!

Track list:
1.My Queen Of Winter - 4:15
2.More Than Friends - 4:20
3.Oceans Of Regret - 6:21
4.Gather The Faithful - 3:50
5.Into The Blue - 4:25
6.Dawn Of Solace - 4:18
7.Thorn In My Side - 4:07
8.Morpheus In A Masquerade - 6:51
9.Stolen Waters - 4:35
10.Tale Untold (Bonus track for Japan) - 4:08
11.Elegantly Broken - 2:46


Outras resenhas de Gather the Faithful - Cain's Offering

Cain's Offering: jóia rara no já desgastado power melódico




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Cain's Offering"


Edu Falaschi: o fax com convite de seleção para o Iron MaidenEdu Falaschi
O fax com convite de seleção para o Iron Maiden

Simplicidade é para os falsos: o nome de banda mais complicado do mundoSimplicidade é para os falsos
O nome de banda mais complicado do mundo

Em vídeo: A diferença entre ser músico e ser rockstarEm vídeo
A diferença entre ser músico e ser rockstar

História do rock: Sexo bizarro, drogas, mortes e outros boatosTime Magazine: os 100 maiores álbuns de todos os temposPink Floyd: Rolling Stone elege as 10 melhores músicasElvis Presley: segundo irmão, Rei do Rock teria cometido suicídio

Sobre Dehco De La Vega

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.