Echo & The Bunnymen: 1981 foi um ano fundamental
Resenha - Heaven Up Here - Echo & The Bunnymen
Por Elias Rodigues Emidio
Postado em 09 de agosto de 2010
O ano de 1981 foi fundamental na carreira do Echo & The Bunnymen. No ano de 1980 a banda havia lançado o álbum "Crocodiles" que apesar de ter gerado grandes sucessos da banda como "Stars Are Stars", "Rescue" e "Going Up", ainda carregava muito da crueza do Punk Rock em sua sonoridade. Em meados de 1980 o Punk Rock em seu estado mais bruto estava saindo de moda e a New Wave, departamento de punks que aprendiam a tocar mais quatro acordes e que faziam uma música mais sofisticada, começava a invadir as paradas de sucesso.

Outro movimento derivado do Punk que criou raízes nesta época foi o Pós-Punk, nome dado aos grupos que adaptavam o Punk de 1970 com tecnologia e técnicas de composição mais futurísticas com uma cara bem anos 80. Um dos maiores expoentes deste novo movimento era o Joy Division, banda inglesa que lançou, ao menos, dois álbuns fundamentais na história do Rock, "Unknown Pleasures" de 1979 e "Closer" de 1980, grandes referências para outras bandas do gênero.
"Heaven Up Here" marca a transição entre o começo da carreira do Echo & The Bunnymen e o futuro promissor no qual a banda aderia definitivamente ao Pós-Punk, mas sempre mantendo um estilo único. Talvez este seja o fator que torna este álbum tão importante na carreira do Echo & The Bunnymen. Em outras palavras, este é o álbum que criou a sua identidade musical. Além disso, durante a gravação do álbum, o clima entre os integrantes da banda era o melhor possível o que facilitou muito o trabalho.
Nele estão contidas algumas faixas bem rápidas como a faixa título "Heaven Up Here", "A Promise" e "Over The Wall" que nos remetem ao começo de sua carreira, e faixas mais lentas liderados pelos vocais arrastados do vocalista Ian McCulloch como "All My Colours", "All I Want" e "The Disease".
O disco abre com a faixa "Show Of Strength" na qual o guitarrista Will Sergeant desfila um magnífico riff de guitarra hipnótico e Ian McCulloch realiza uma grande interpretação nos vocais. "With A Hip" tem uma introdução marcante com sons eletrônicos, a qual é seguida por mais um bom trabalho de Sergeant na guitarra. A próxima canção "Over The Wall" tem vocais maravilhosos e uma levada muito impressionante, uma das melhores no disco e clássico absoluto do Echo & The Bunnymen. "It Was A Pleasure" tem uma melodia incrível com baixo e guitarra casando perfeitamente como o ritmo da música imposto pela bateria certeira de Pete de Freitas. "A Promise" é quase uma irmã gêmea de "Show Of Strength" com um riff mais hipnótico ainda e outra belíssima interpretação do vocalista Ian McCulloch, a melhor do álbum. Na sequência temos a canção homônima que dá nome ao álbum, "Heaven Up Here" é a música mais pesada do disco: rápida, rasteira e sem firulas como todo bom rock, encabeçada por um riff de guitarra poderoso, uma batida poderosa da bateria e por um belo trabalho de Les Pattinson ao baixo. "The Disease" tem uma levada de guitarra mais simples que serve de acompanhamento a um interessante trabalho vocal mais lento em relação as faixas anteriores, destaque também para a introdução que mais parece entoação de um mantra. Em "All My Colours" é a vez de Ian McCulloch brilhar e mostrar o porquê de ser considerado um dos melhores vocalistas da história do Rock, é o momento mais sombrio dos disco, trazendo uma atmosfera bem pesada. A próxima faixa "No Dark Things" traz uma das melhores melodias no álbum, é um momento um pouco mais agitado em relação à faixa anterior. "Turquoise Days" é um momento mais lento no disco comandado pelos vocais mais arrastados de Ian McCulloch; destaque para a verdadeira aula de Les Pattinson no baixo. "All I Want" segue a mesma linha da faixa anterior e fecha o álbum de forma magistral.
"Heaven Up Here" pode até não ser o melhor álbum da carreira do Echo & The Bunnymen, mas sem dúvida é um dos mais importantes e sempre uma referência pra outras bandas deste mesmo período. Ele marca um amadurecimento musical em relação ao álbum de estreia e deixa um clima de que a banda poderia mostrar ainda mais, como ela realmente o fez.
O Echo & The Bunnymen lançou mais dois discos essenciais para a história do Rock: "Porcupine" embalado pelos mega hits "The Cutter", "Clay" e "Back Of Love"; além do espetacular "Ocean Rain" de 1984 que trouxe ao grande público a melhor canção do grupo, "The Killing Moon". A boa fase do grupo se encerraria em 1987 com o lançamento do mediano álbum homônimo "Echo & The Bunnymen", que continha os sucessos "Lips Like Sugar" (um dos maiores hits de sua carreira) e "The Game".
Como uma reportagem na revista Superinteressante afirmou certa vez "Heaven Up Here" tem algo de épico e é o grande álbum que marca o amadurecimento do Pós-Punk, grandioso demais para se encaixar em algum movimento.
Álbum essencial em uma coleção de Rock.
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