Arnaldo Baptista: vida retratada magistralmente em "Loki"
Resenha - Loki - Arnaldo Baptista
Por Daniel Pala Abeche
Postado em 18 de abril de 2010
Pergunte aos seus amigos roqueiros, quantos gostam dos Mutantes? Desses, quantos conhecem a fundo a obra da banda? Desses, quantos gostam de Arnaldo Baptista?
O gênio mutante é consagrado mundialmente, sendo ídolo de figuras como Sean Lennon, Kurt Cobain, David Byrne, só para citar alguns, mas aqui, em seu país, a história é um pouco diferente. Responsável pelas principais criações da banda mais original e inventiva da música brasileira, e por que não, umas das mais importantes do mundo? – o artista tem sua vida retratada magistralmente no documentário "Loki", dirigido por Paulo Henrique Fontenelle.
A abordagem começa com o grupo O´Seis (embrião dos Mutantes) e foca em boa parte na trajetória dos Mutantes, banda formada ao lado do irmão Sergio Dias e Rita Lee. O "boom" do Tropicalismo, a evolução musical do grupo, o envolvimento pesado com drogas, a turnê européia... está tudo registrado com uma infinidade de raras imagens de encher os olhos.
Como não poderia deixar de ser, há também o foco no curioso acidente que divide a vida do artista, onde Arnaldo cai pela janela de um hospital, deixando-o com graves sequelas.
Conforme o andar do documentário, Arnaldo pinta em uma tela imagens que remetam às passagens importantes de sua vida, é de arrepiar...
Ao contrário de muitos documentários, este chega a quase duas horas e o passar do tempo nem é percebido. Feito de maneira dinâmica, eficiente, com ótimas imagens, depoimentos de Tom Zé, Gilberto Gil, Sean Lennon, os ex-Mutantes Sergio, Liminha e Dinho, o longa emociona. Indico sem medo a todos que se interessam, o mínimo que seja, pela cultura brasileira, fãs de Mutantes ou não, independente do estilo musical/cinematográfico que apreciem.
Um filme essencial para conhecer este grande gênio brasileiro da música mundial. E também entender como a mídia pode auxiliar sim na reclusão de um grande mito. Afinal, se Arnaldo andar por aí hoje nas ruas paulistanas, ele seria mais reconhecido do que celebridades pop de hoje em dia, que conquistam muito mais prestígio da massa?
Julgado por muitos como "louco", termino com a frase do próprio: " Mas louco é quem me diz, e não é feliz... Eu sou feliz."
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