Jimi Hendrix: por dentro de "Valleys of Neptune"
Resenha - Valleys of Neptune - Jimi Hendrix
Por Rafael Correa
Fonte: Blog Rock Pensante
Postado em 18 de março de 2010
Se ainda estivesse conosco, James Marshall Hendrix completaria em novembro próximo 68 anos de vibrante existência. Somado a um legado musical incomparável, JIMI HENDRIX deixou-nos uma imensa lacuna que, mesmo passados quase 40 anos de sua morte, ainda não foi preenchida. Ciclos transcorreram em completude, revoluções eclodiram e Estados nasceram: mas não surgiu nenhum outro artista capaz de mover o mundo empunhando uma guitarra.
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Talvez, com "Valleys of Neptune" este mesmo mundo possa reestabelecer a esperança e lançar ao céu novamente a estrela enclausurada que Hendrix assinalou em nossas almas ao partir. Este disco, que chega ao publico no velho continente entre os dias 10 e 12 de março já encontra-se disponível para audição e download em diversos sítios virtuais. Vamos, então, à ele.
O álbum conta com uma série de canções inéditas e outras tantas já conhecidas, mas nunca comercializadas. Seja pelo encanto que Hendrix ainda exerce ou pelo anseio de se ouvir novas canções de sua autoria, fato é que o décimo primeiro álbum póstumo que recebe sua assinatura é esperado com uma veemente expectativa. Tais pressupostos são postos alegremente ao chão quando "Stone Free", faixa inicial do álbum, chega aos nossos ouvidos. Completando a mesma intensidade, a faixa título se desenvolve de modo concreto, preparando terreno para "Bleeding Heart" chacoalhar nossa alma. Esta é uma canção típica de Hendrix: excitante, vibrante e tantos outros "antes" cabíveis para adjetivá-la.
Os solos e os compassos alternados, marca registrada do JIMI HENDRIX EXPERIENCE, retornam com toda a força em interpretações de "Hear My Train A Comin" (cuja violência chega a assombrar), "Mr. Bad Luck" e a já citada "Bleeding Heart", forte candidata a pérola soberana do álbum.
Outro momento incontestavelmente deleitoso é a execução descomunal de "Sunshine of Your Love", originalmente concebido em "Disraeli Gears" do CREAM. Hendrix, quando da gravação de sua versão para esta canção em 1969, transformou o riff introdutório de Clapton em uma interessante viagem de som e pulsação, que se estende, vejam só, por quase quatro dos sete minutos de seu desenvolvimento. Curiosamente, Hendrix não entoa em nenhum momento sua voz: são as seis cordas que falam, berram e explodem a seu comando. De fato, como já evidenciavam os pichados muros de Londres em 1968: "Se Clapton é Deus, Hendrix é o Diabo".
"Lover Man"e "Ships Passing Trought the Night" também sobressaltam-se à atenção do ouvinte pela sua interessante construção. Já em título de encerramento, são as re-interpretações de "Fire" e "Red House" (cujas diferenças do orginal são evidentes), aliadas aos ensinamentos demonstrados em "Lullaby for the Summer" e "Crying blue Rain" que costuram toda atmosfera nostálgica de "Valleys of Neptune" com a vibração típica de Hendrix. A capa do álbum é uma pintura confeccionada pelo próprio guitarrista, fato que nos aproxima ainda mais da monumentalidade deste disco. Pela sua excelência, "saudade" talvez seja a melhor palavra a ser utilizada para tentar descrever as presentes gravações. Resta-nos aproveitar até o último segundo.
Faixas:
1. Stone Free
2. Valleys of Neptune
3. Bleeding Heart
4. Hear My Train A Comin
5. Mr. Bad Luck
6. Sunshine of Your Love
7. Lover Man
8. Ships Passing Trought the Night
9. Fire
10. Red House
11. Lullaby for the Summer
12. Crying the Blue Rain
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