Stereophonics: onde foi parar aquela adorável ousadia?
Resenha - Keep Calm and Carry On - Stereophonics
Por Fábio Cavalcanti
Postado em 04 de dezembro de 2009
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Antes de tudo, para quem está acostumado com as resenhas deste que vos escreve, deve ser um tanto incômodo dar de cara com uma abordagem que costuma valorizar muito mais a essência "principal" e/ou "inicial" da banda em questão - seja lá qual for. Felizmente, em pouquíssimos casos, como na discografia dos galeses do Stereophonics, a mudança mais "radical" sempre foi muito bem vinda, nos trazendo pérolas do Britpop e do rock alternativo. O que dizer então do seu mais novo álbum, "Keep Calm and Carry On" (2009)?

Do divertido pop/punk do debut "Word Gets Around" (1997), passando pelo quase 'alternative country' do "Just Enough Education to Perform" (2001), e chegando finalmente no indie, simplista e injustiçado "Pull the Pin" (2007), o grupo - agora um quarteto - lança seu sétimo álbum de estúdio, e nos traz a pergunta: onde foi parar aquela adorável ousadia?
Pode-se dizer que o novo trabalho de Kelly Jones (voz/guitarra) e sua trupe fecha uma espécie de "trilogia indie", iniciada no superestimado "Language. Sex. Violence. Other?" (2005). Guitarras predominantes, atitude nas letras, vocal ainda mais rouco do que de costume, são apenas algumas das características de um Stereophonics que agora resolveu apostar apenas em pequenas mudanças...
Se o papo ainda é mudança, percebemos uma produção mais sofisticada logo de cara, na irregular "She's Alright", a qual traz uma inesperada batida levemente eletrônica, mas peca pelo seu refrão insosso e repetitivo. Por outro lado, percebemos um melhor uso das novas incursões eletrônicas na curiosa "Beerbottle" e nos bons rocks "I Got Your Number" e "Uppercut". Já a semi-balada "Live 'N' Love" é apenas legalzinha, passando longe de ser uma faixa memorável.
E quanto às baladas propriamente ditas? É claro que elas também estão presentes neste novo trabalho, afinal o Stereophonics sempre foi reverenciado por algumas das mais belas músicas do Britpop em seus álbuns anteriores. Mas, se vamos falar de inspiração e capacidade de cativar o ouvinte com melodias criativas e grudentas, apenas a melancólica "Stuck In A Rut" e a linda - e quase etérea - "100MPH" conseguem se destacar como pontos altos do novo álbum, enquanto que "Could You Be the One?" e "Show Me How" são apenas razoáveis...
E pra não dizer que a banda não conseguiu emplacar pelo menos uma música sensacional, temos o maravilhoso single "Innocent", um indie rock melódico e semi-acústico que certamente irá garantir um lugar entre os pontos altos de toda a discografia da banda! E se você é do tipo que prefere algo mais cru e direto, o Stereophonics trouxe dois interessantes petardos: o dançante surf rock "Trouble" e o simpático e estranho power pop "Wonder".
Se, após ler tudo isso, você imaginou uma certa falta de rumo musical, acertou em cheio! "Keep Calm and Carry On" traz boas músicas, mas mostra uma banda que, pela primeira vez em uma ótima carreira, ficou com medo de dar um passo maior em direção a algum lugar... Tudo que podemos fazer é curtir alguns dos melhores momentos deste agradável novo trabalho, e esperar que o Stereophonics nos surpreenda novamente em seu próximo trabalho.
Coragem, Kelly Jones, coragem! Just keep calm and carry on...
Músicas:
1. She's Alright
2. Innocent
3. Beerbottle
4. Trouble
5. Could You Be the One?
6. I Got Your Number
7. Uppercut
8. Live 'N' Love
9. 100MPH
10. Wonder
11. Stuck In A Rut
12. Show Me How
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Rhapsody se despedirá com formação clássica ao lado do Epica na América do Sul
20 bandas que nunca lançaram um disco ruim, de acordo com a Metal Hammer
Live anuncia cancelamento de shows no Brasil
A cantora que conquistou James Hetfield com sua voz "de cheiro de cigarro"
A música em que Dio disse ter cantado "como uma garota"
Kurt Cobain não queria seguir o mesmo caminho de Eric Clapton
Queen + Adam Lambert acabou? O próprio vocalista responde
Dave Lombardo comenta lenda dos 33 minutos de "Reign in Blood"
A melhor música de rock progressivo de todos os tempos, segundo os leitores da Prog
Em clima de Copa do Mundo, Angra lança videoclipe da releitura de "Pra Frente Brasil"
Com a cantora Mona Miari, Roger Waters lança nova versão de "Comfortably Numb"
O clássico que quase foi para o lixo por ser "pop" e parecer música de parque de diversões
Eric Martin, Edu Falaschi, Tim Owens e Jeff Scott Soto anunciam setlist do Masters of Voices
Classic Rock ranqueia discografia do Bon Jovi do pior ao melhor álbum
As músicas mais longas de 10 grandes bandas de heavy metal


Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
"MI'RAJ" - quando Edu Falaschi troca a velocidade pela emoção e encerra trilogia com maturidade
A Lapidação da alma: O triunfo conceitual do Big Big Train em "Woodcut"
HellLight - Reafirmando seu espaço entre os melhores da safra do gênero.
"Betrayed By Obedience", do Infected Cells, é death metal bruto, técnico e direto
Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
RHCP: O monstro saiu da jaula com um de seus melhores trabalhos


