Rammstein: retornando para a linha do excelente "Mutter"
Resenha - Liebe Ist Für Alle Da - Rammstein
Por Amir R. De Toni Jr.
Fonte: Rammstein
Postado em 19 de outubro de 2009
Os alemães do Rammstein atraem a curiosidade de muitos fãs de música pesada por diversos motivos: as performances flamejantes, o vocal grave e marcante em alemão, a excelente mistura de sintetizadores com guitarras distorcidas. Além disso, o vocalista Till Lindemann não mede palavras em suas letras sobre sexo (em todos os contextos imagináveis), violência e amor, fazendo amplo uso de frases ambíguas para instigar os ouvintes.
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E depois de dois álbuns com muita experimentação, o Rammstein digere bem o que aprendeu e retorna para uma linha mais próxima do excelente 'Mutter' neste 'Liebe ist für alle da' ou simplesmente LIFAD. A comparação com 'Mutter' é injusta para uma banda que sempre explorou muito bem as possibilidades sonoras criadas por Flake Lorenz e companhia, mas é a referência mais notável nas onze faixas, que soam tão variadamente como o Dimmu Borgir em 'In Sorte Diaboli' e o RUSH em 'Snakes & Arrows' (o riff de Roter Sand evoca instantaneamente Bravest Face do trio canadense).
'Rammlied' abre o álbum com a precisão característica dos alemães, com coro no refrão e um riff direto e poderoso. 'Ich Tu Dir Weh' inicia com um teclado suave e segue alternando levadas muito pesadas e um tema principal que é, na medida do possível, suave. 'Waidmanns Hail' é direta, numa pegada de marcha militar que lembra 'Links 2-3-4'. Já 'Haifisch' começa como uma releitura do tema que abre o primeiro disco do sexteto alemão, resgatando muito do estilo característico dos dois primeiros álbuns da banda.
'B********' lembra a fenomenal 'Mein Teil', com o teclado criando um clima de horror e os vocais transitando entre sussurros e o refrão urrado. 'Fruhling in Paris' traz um belo trabalho de cordas, com Till interpretando a letra de maneira bem suave, como em algumas canções do 'Rosenrot'. Mais uma das canções baseada em fatos reais, 'Wiener Blut' trata do caso do austríaco Josef Fritzl, o pai incestuoso que teve sete filhos com sua filha mais velha, mantida em cativeiro num porão durante 24 anos.
'Pussy' é o primeiro single do álbum e fala sobre turismo sexual. Cantada em inglês e alemão, teve seu videoclipe divulgado através de um site de hospedagem de vídeos pornográficos, dado o conteúdo sexualmente explícito. A canção-título é a mais curta do álbum e passa como um dos momentos menos inspirados do trabalho. O disco se fecha com duas canções que flertam com o quê o Rammstein faz de mais parecido com uma balada, como também terminava seu álbum anterior, mas sem o brilhantismo de 'Los' ou 'Amour'.
LIFAD não é o melhor álbum do Rammstein, mas é maduro e consistente, fazendo jus ao alto nível de todos os lançamentos da banda. Resta torcer para que a turnê deste sexto disco dos alemães os traga de volta ao Brasil, desta vez como atração principal.
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