Dismember: álbum coeso e sem encheção de lingüiça

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Por Glauco Silva
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Apesar de serem uma das mais incensadas bandas no meio death, o Dismember sempre teve um grave porém: a falta de alma. Vinte anos depois de começarem a carreira, é com enorme satisfação que vejo finalmente resolverem esse aspecto - o auto-intitulado álbum (que saiu por aqui via Hellion) é, possivelmente, o melhor que lançaram até hoje.

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Veja bem: a característica que apontei acima nunca foi um demérito, sempre fui fã e possuo muitos CDs deles, mas como uma das bandas seminais do que veio a ser conhecido como death sueco, pra mim sempre ficaram atrás do Entombed. Porém, enquanto L-G Petrov e sua turma enveredaram por caminhos perigosos com o desenvolver da carreira, deixando aquele som cáustico para trás, estes "primos" mantiveram fidelidade absoluta ao death metal puro (tal qual o grande Unleashed), evoluindo mas nunca dando um passo em falso… e a epítome dessa evolução é o álbum que tenho em mãos: uma agressão madura, inteligente, melódica e - o mais importante - com muita personalidade.

São onze faixas relativamente curtas, mantendo a densidade no ponto e trazendo bem aquilo que o fã de barulho quer: pancadaria incessante, aqueles riffs hipnotizantes (com aquela leve e eventual puxada pro NWOBHM, que sempre funcionou) característicos, partes em que o peso convida instintivamente ao headbanging… mas não tem como não destacar o vocal do Matti: o cara está um ogro absurdamente raivoso, toda faixa é vociferada com um ódio incontido - ô coisa linda de se escutar! O resto do time mostra um entrosamento de idéias surpreendente, nem parece que só Mr. Karki e o guitar David são os membros originais remanescentes…

As que mais me chamaram a atenção - e isso desde a "aula" que deram em Sampa, outubro passado (link abaixo) foram a de abertura (que lembra bastante seu clássico debut), a porrada "Legion", o peso absurdo de "No Honour in Death" - capaz de causar enxaquecas brabas aos desavisados -, e principalmente a maravilhosa "Under a Blood Red Sky", que começa brutal e termina cem por cento Iron Maiden à la "Killers" (também, olha como começaram seu último show em São Paulo no vídeo abaixo).

Resenha - Dismember (Tribe House, São Paulo, 05/10/2008)Resenha - Dismember (Tribe House, São Paulo, 05/10/2008)

Não há altos e baixos, "Dismember" apresenta-se como um álbum extremamente coeso e com zero encheção de lingüiça: é colocar o volume no talo, abrir uma cerveja e agitar… é só morbidez correndo solta e o death metal reinando. Se esse CD sobrar na sua frente, em alguma loja, não titubeie em levar pro caixa… e sabe o melhor de tudo? Esse álbum devolve o entusiasmo quanto a futuras produções destes mestres suecos… obrigatório!

Faixas:
1. Death Conquers All [3:48]
2. Europa Burns [3:33]
3. Under a Blood Red Sky [5:24]
4. The Hills Have Eyes [3:15]
5. Legion [3:22]
6. Tide of Blood [3:35]
7. Combat Fatigue [4:06]
8. No Honour in Death [2:29]
9. To End It All [3:51]
10. Dark Depths [3:47]
11. Black Sun [6:25]

Selo: Hellion, 2008 (BR)


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Sobre Glauco Silva

36 anos, solteiro, estudou Linguística e Engenharia de Alimentos na UNICAMP. Tem sua sobrevivência (CDs, cigarro e cerveja) garantida no trabalho em uma multinacional. Iniciado no Metal em 1988, é baixista/vocal do LACONIST (Death Metal) e acredita fielmente que o SARCÓFAGO é a melhor banda do universo.

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