Chickenfoot: não é um disco que vai mudar o mundo...

Resenha - Chickenfoot - Chickenfoot

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Por Doctor Robert
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Engraçado como o surgimento de qualquer novo super-grupo sempre enche os fãs de expectativas. E é uma pena que nem sempre estas expectativas sejam correspondidas. Se formos relembrar alguns, como o The Firm (de Jimmy Page e Paul Rodgers), o Audioslave (de Chris Cornell com o pessoal do Rage Against The Machine) e tantos outros, o que temos como saldo é um grande misto de altos e baixos em seus trabalhos. O que esperar então do Chickenfoot? Um novo Van Halen? Um som virtuoso, com algumas levadas funkeadas? Afinal, temos reunidos só feras aqui: Sammy Hagar (Montrose, Van Halen) nos vocais, Michael Anthony (Van Halen) no baixo, Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) nas baquetas e ninguém menos que Joe Satriani pilotando as seis cordas.
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Já dava pra se ter uma noção do que encontrar neste álbum, visto que “Soap On A Rope” já estava disponível pela web há algum tempo. Pois bem, se esta faixa nos remete diretamente ao Van Halen do começo dos anos 90 (por que será, hein?), no resto do álbum o quarteto tenta não soar tanto assim como a ex-banda de Hagar e Anthony. A abertura com “Avenida Revolution” tem uma levada diferente e empolgante, os “ruídos” característicos de Satriani costurando a música e um vocal bem rasgadão de Hagar. Este, aliás, merece um baita elogio, pois mesmo já sessentão, mostra que ainda consegue detonar.

A segunda faixa é a já citada “Rope”, esta sim totalmente Van Halen. Tem alguma coisa de errada nisso? Claro que não. Teria se a referência (comparação) tivesse por base algo ruim, e como temos dois caras aqui que têm muito a ver com a sonoridade de sua ex-banda, a comparação fica inevitável: feche os olhos, ouça os backing vocals de Anthony, e tente não lembrar do Van Halen...

Seguindo o play, “Sexy Little Thing” tem uma levada mezzo hard, mezzo pop, um refãozinho meio grudento... mas tudo muito legal! E se em “Oh Yeah!” temos uma grande faixa, onde o ótimo trabalho nas guitarras de Joe rouba a cena, em “Runnin’ Out” temos a sensação de que estamos ouvindo uma daquelas faixas que entra apenas pra preencher espaço. Não chega a ser ruim, mas fica bem aquém do resto do trabalho, apesar do bom solo de guitarra (que chega a ser redundância, tratando-se de Mr. Satch). Já em “Get It Up”, o que se ouve é um rockão direto, sem muita frescura, onde Hagar chega a arriscar alguns “Arriba!”. Talvez uma homenagem ao belo Cabo San Lucas, onde a banda se reuniu pra compor, ensaiar, gravar e, muito provavelmente, tomar algumas doses da famosa tequila Cabo Wabo.

Voltando ao disco, este segue alternando seus altos e baixos: se um outro bom momento fica por conta de “Down The Drain”, hard rock bem setentista, onde Satch dá mais um show, outra faixa fraquinha é “My Kinda Girl”, que talvez ficasse melhor se gravada pelo Mr. Big ou alguma outra banda do gênero. “Learning To Fall” até que é legal, mas acaba ficando meio cansativa. Já “Turnin’ Left” levanta o moral de novo, lembrando adivinha que banda? Uma que tem as iniciais “VH”...

Fechando o play, uma boa baladona, “Future In The Past”, nos deixando a sensação de que acabamos de ouvir mais um grande disco de rock and roll, feito por quatro caras que entendem muito do assunto. Não é um disco que vai mudar o mundo, mas sim pra se curtir numa boa, com o volume bem alto e, para quem gosta, tomando uma boa tequila. Não deve atrair os fãs de Red Hot Chili Peppers, mas com certeza vai agradar os fãs de... ah não!... olha eles aí de novo... Van Halen...

1. Avenida Revolution
2. Soap On A Rope
3. Sexy Little Thing
4. Oh Yeah!
5. Runnin’ Out
6. Get It Up
7. Down The Drain
8. My Kinda Girl
9. Learning To Fall
10. Turnin’ Left
11. Future In The Past

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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