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Predator: nenhuma referência fácil para comparar seu som

Resenha - Homo Infimus - Predator

Por Glauco Silva
Postado em 01 de maio de 2009

Após onze anos de existência e duas demos no currículo, em 2007 o trio gaúcho formado por Jener Milani (V/G), Luciano Hoffmann (B) e Roberto Ceccato (D) lançou de forma independente este debut, que mostra uma forte pegada e muita identidade em seu death metal - tanto que não consegui achar nenhuma referência "fácil" para comparar seu som.

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A 1ª coisa que chamou a atenção quando coloquei o CD pra rolar foi o vocal: o Jener está naquela categoria única, da qual o John Walker do finado Cancer é o melhor exemplo - algo quase sussurrado, embora gutural e bem discernível. Mostra bastante força, mas após várias audições chega a cansar um pouco… creio que estabelecer uma dinâmica mais rica de timbres (ou acrescentar backings) ajudaria bastante a banda nesse aspecto. Outro diferencial positivo são as letras bem boladas, abordando temas variados ao invés de baterem na mesma tecla incessantemente - variam de raiva, medo e insanidade a tópicos como honra, história antiga e a busca pelo desenvolvimento pessoal.

Bom, mas e a música, que no fim das contas é o que interessa? Os caras fazem uma mistura bem balanceada de blastbeats, levadas mais cadenciadas (embora a velocidade impere sempre) e principalmente, uma farta riqueza de arranjos, quebradas de tempo e passagens bastante técnicas - mas longe de ser algo enfadonho ou mera exibição de habilidade pessoal. E atenção para o trampo excepcional do Roberto, que realmente tem tudo pra se tornar uma grande revelação entre os bateristas brasileiros da atualidade!

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As músicas apresentam certa regularidade até a metade do álbum, mas é interessante como a qualidade das composições fica muito mais evidente na metade final da obra: riffs que pegam fácil, pausas bem sacadas não quebrando o andamento linear, refrões fortes. As 2 últimas são realmente um primor, com direito até a um inspiradíssimo solo de baixo fechando o disco. Destaco ainda a bela arte biomecânica de Marcelo HVC (ele está virando o Dan Seagrave nacional, de tanta gente requisitando seu trampo!), um clip bem editado de "Osiris" (embora o áudio não ajude nada), e a gravação é boa - mas nada maravilhosa também, e aqui quero abrir parênteses fugindo do espectro musical…

É redundante todos nós malharmos a corja de políticos que estão no poder (e que, ironicamente, o povo elegeu), mas parece que em Caxias do Sul a coisa está um pouco melhor… segundo o release e informações do encarte, esse álbum foi inteiramente produzido com verba provinda da Secretaria de Cultura do município. Eu realmente não lembro de nada sequer vagamente parecido com isso: uma banda de metal - ainda mais sendo death, pasmem! - poder registrar sua arte graças a um fundo pró-cultura. Vira e mexe isso acontece com música de raiz ou rap, mas nunca com metal pesado. Fica o reconhecimento a eles e, principalmente, à população do local, que soube escolher de modo sábio representantes ponderados e realmente democráticos.

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Mas retomando: "Homo Infimus" é uma estréia de respeito e que apresenta uma banda esbanjando garra, mas tem algumas arestas que podem - e devem - ser dilapidadas, de forma a tornar mais evidente o brilho desta gema bruta. Os caras simplesmente não param na estrada desde que seu disquinho foi lançado, então atenção à sua agenda local de shows (sem exceção: já cruzaram o Brasil de São Luiz a Foz do Iguaçu, incrível) porque o trabalho deles merece respeito e deve ser conferido com bastante atenção.

Faixas:
1) El Dia Del Toro [2:49]
2) Homo Infimus [4:27]
3) Hate in Your Heart [3:36]
4) In the Name of False Ideology [3:49]
5) You Are What We Were, You Will Be What We Are [5:17]
6) Storm of Death [3:14]
7) Lost in the Flames [4:06]
8) Samurai Spirit [5:11]

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Independente, 2007 (BR).

Site - http://www.predatordeath.com

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Sobre Glauco Silva

36 anos, solteiro, estudou Linguística e Engenharia de Alimentos na UNICAMP. Tem sua sobrevivência (CDs, cigarro e cerveja) garantida no trabalho em uma multinacional. Iniciado no Metal em 1988, é baixista/vocal do LACONIST (Death Metal) e acredita fielmente que o SARCÓFAGO é a melhor banda do universo.
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