Arcturus: extremo aberto a influências de outros gêneros
Resenha - Shipwrecked in Oslo - Arcturus
Por Ricardo Seelig
Postado em 01 de abril de 2009
Nota: 8 ![]()
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O Arcturus nasceu em 1987 em Oslo, e desde o início se destacou por fazer um som extremo aberto a influências de outros gêneros musicais, notadamente o rock progressivo. Passagens atmosféricas e climáticas são frequentes na música desses talentosíssimos noruegueses, extremamente técnicos e donos de um bom gosto absurdo em suas composições.

"Shipwrecked in Oslo", gravado ao vivo no dia 17 de setembro de 2005 na capital norueguesa e lançado em maio de 2006 na Europa, ganha agora uma versão nacional disponibilizada pela Somber Music e deixa claro que o grupo se transformou em uma entidade interessantíssima, que, ainda que tenha partido do metal extremo, hoje está distante dele, agregando elementos de música folclórica, do já citado progressivo e até mesmo de space rock em sua complexa sonoridade.
Contando com Simen Hestnaes nos vocais (o ICS Vortex do Dimmu Borgir), Tore Moren e Knut Magne Valle nas guitarras, Hugh Mingay no baixo, Steinar Johnsen nos teclados e Jan Axel Blomberg - o lendário Hellhammer do Mayhem - na bateria, o Arcturus mais parece um verdadeiro dream team do metal extremo norueguês. É muito interessante ver esses músicos, que exploram caminhos distintos em suas bandas, trilharem estradas totalmente diferentes com o Arcturus. A pluralidade e a riqueza sonora são evidentes, bem-vindas e fundamentais. Não há limites para a criatividade, a música não fica presa nas cercas de um determinado gênero musical. A diferença aqui é a soma de elementos aparantemente antagônicos na construção de uma sonoridade única. Assim, há desde black metal da melhor qualidade até música eletrônica na mistura promovida por esses nórdicos malucos. Mas, com certeza, o principal ingrediente, e que faz toda a diferença para que o prato desça redondo, é o talento sobrenatural do sexteto. Sem ele, teríamos apenas uma massaroca mal costurada e indigesta. Graças a ele, temos uma música única, espantosa e cativante, sem parâmetro no heavy metal.
Falar da performance individual dos músicos é desnecessário, pois todos são fenomenais. A recomendação para qualquer banger é colocar o DVD no player, sentar no sofá e viajar junto com a banda. A forma como o show, e o DVD, foram montados, ajuda muito nessa jornada. Dançarinas com máscaras invadem o set, seres estranhos surgem tanto na platéia quanto em cima do palco, imagens se fundem às cenas do grupo tocando. Tudo conspira para levar o telespectador em um mergulho profundo no mundo todo próprio da banda, mostrando que os caras pensaram o show como um evento multimídia, onde cada recurso se soma aos demais, formando um painel denso e psicótico.
Usar o velho recurso de destacar essa ou aquela música não se aplica aqui. O DVD foi pensado como um todo, e ele funciona muitíssimo bem assim. Se você é daqueles ouvintes preconceituosos, que pensa que o black metal é apenas barulho feito por gente que não sabe tocar nada, assista esse DVD. Ele vai muito além do gênero. Aliás, "Shipwrecked in Oslo" é indicado não aos fãs de música extrema, mas sim àqueles que curtem a multiplicidade e a técnica do rock progressivo. Se você é um fã de prog, irá pirar com esse DVD. Se for um true from hell, recomendo os recentes vídeos do Dark Funeral e do Marduk, porque certamente você não irá curtir esse do Arcturus.
Enfim, um produto de altíssima qualidade, que exemplifica, nos mínimos detalhes, o quanto o heavy metal se tornou, com o passar dos anos, um gênero amplo e sem limites estilísticos.
Faixas:
1. Introduction
2. Ad Absurdium
3. Nightmare Heaven
4. Shipwrecked Frontier Pioneer
5. Alone
6. Deception Genesis
7. Chaos Path
8. Tore Guitar Solo
9. Deamon Painter
10. Nocturnal Vision Revisited
11. Painting My Horror
12. Steinar Keyboard Solo
13. Hufsa
14. Master of Disguise
15. Knut Guitar Solo
16. White Noise Monster
17. Reflections
18. Raudt og Svart
19. Credits
Bonus
1. Video Clip
2. Rehearsal
3. Slideshow Gallery
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