Eternal Malediction: Metal extremo longe da mesmice
Resenha - Endeavour Through Thorns - Eternal Malediction
Por Maurício Dehò
Postado em 24 de dezembro de 2007
Nota: 9 ![]()
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O Eternal Malediction, que debutou com este "Endeavour Through Thorns", é uma grata surpresa para quem gosta do Metal Extremo, mais ainda para quem trilha pelos lados obscuros do Black Metal. Se algumas bandas preferem se calcar na velocidade e naquela sonoridade "o quanto mais podre melhor", estes paulistas mostram que é possível fugir da mesmice em um estilo que costuma ser dos mais fechados dentro do Metal.

O grupo surgiu em 2000 e logo de início resolveu se distanciar daquele cenário do Black Metal Sinfônico, liderado pelo Dimmu Borgir, dispensando o som dos teclados. A busca pelo que seria o mais extremo possível já aparece nos primeiros segundos do play, com as batidas velozes e os riffs furiosos de "Flames of Humanity". O que logo de cara se sobressai, e assim continua por todo o disco, é o trabalho de guitarras feito por Rafael Souza e Augusto Lopes. A faixa não deixa devendo a banda alguma do estilo. Além de ser violenta, é claro, tem um baita refrão que fica na cabeça, momentos em que a cabeça não consegue ficar parada de modo algum. Tudo muito bem trabalhado.
A produção, por incrível que pareça à primeira vista, foi feita justamente pelos dois guitarristas. Grande trabalho. Eles apostaram em uma sonoridade bastante limpa, com todos os instrumentos bem na cara, inclusive o baixão de Kenny Kleinschmidt. Mas é claro que quando o que vale é o lado mais soturno possível, eles não deixaram de lado. Vide a sujeira da parte central de "Burning Inside the Purity", que tem belas linhas de violão combinadas a vocais sussurrados ou cheios de efeito para ficar ainda mais sombrio. A faixa apresenta riffs muito criativos, mas um dos destaques segue sendo o frontman Heverton Souza. O cara – que tem a companhia de Alex Chiovitti, do Oligarquia, nesta canção – se sai bem tanto nos vocais mais demoníacos quanto em outras passagens mais simples.
A esta altura, os fãs mais "True" podem estar questionando o Eternal Malediction. Como assim, violão, produção "audível"!? Então, "Satan ‘Bless’ You" já mostra que a praia dos caras é o Black mesmo. A música é bem direta, uma paulada mesmo, e aparentemente tão "True" que não tem letra apesar dos vocais – é o que parece, ao menos, já que apenas dois versos aparecem no encarte...
O álbum apresenta muitos momentos diferentes, com influências diversas no Metal, desde o Black, passando pelo Death e linhas mais melódicas de guitarra. "Ashes", por exemplo, é mais cadenciada, com vocais mais limpos em alguns momentos e outros que lembram a cena do Pagan Metal europeu.
Já "Exist" é um dos destaques maiores. Principalmente por contar com um poema de Álvares de Azevedo, escritor brasileiro do século XIX que morreu aos 20 anos, mas que fez nome na segunda fase do romantismo. Claro que o autor abordava temas um tanto macabros, tendo uma fixação pela morte. E a interpretação foi caprichada, a cargo do guitarrista Augusto Lopes, com uma voz tão sombria – e diabólica – quanto os versos do poeta. A faixa é mais uma com violões e realmente os caras tem talento para a coisa, com trechos belíssimos, entre as várias mudanças de andamentos nos cerca de 10 minutos da música.
O álbum segue ainda com a diretona "Ascension of the Reign" e os grandes riffs de "Killing the Masks", sempre com Heverton bradando impropérios nas letras, com muitas menções a guerras e ao paganismo. Há ainda a instrumental "As Faith Dissolves", bem diferente do usual, misturando guitarras e violões e "Shadows of a Past" fecha o trabalho com chave de ouro. Ela trás a influencia do Death, vide as palhetadas velozes, bem técnicas, e os blast beats.
Destaque também para o trabalho gráfico. O CD vem num belo slipcase e o encarte é um postêr. Tudo muito bem feito, de qualidade profissional (ou até mais do que muitos que se considerariam profissionais por aí!)
Não é à toa que o grupo já abriu shows como o do Deicide, em 2006. Qualidade não falta e até supreende por ser o primeiro disco dos paulistas. Para quem curte um Black Metal bem trabalhado – e para quem gosta de guitarras bem trabalhadas! –, o item é essencial para a coleção. E já se fica na espera do próximo passo, porque o Eternal Malediction promete bastante!
Track List:
1. Flames of Humanity
2. Burning Inside the Purity
3. Satan "Bless" You
4. Ashes
5. Exist
6. Ascension of the Fire Reign
7. Killing the Masks
8. Ancient Black Throne
9. As Faith Dissolves
10. Shadows of a Past
Formação no disco:
Heverton Souza – vocal
Rafael Souza – guitarra
Augusto Lopes – guitarra
Kenny Kleinschmidt – baixo
André Ataíde – bateria
Lançamento nacional – Force Majeure (2006)
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