Ocultan: amadurecimento em diversos níveis
Resenha - Regnum Infernalis - Ocultan
Por Glauco Silva
Postado em 29 de setembro de 2007
Nota: 9 ![]()
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E eis que uma das bandas mais admiradas (e detestadas, como todo bom ícone que se preze) do Brasil ataca com seu 6º álbum de estúdio, o 2º pelo próprio selo Pazuzu, e a primeira palavra que vem à mente é: amadurecimento.

Amadurecimento este em diversos níveis - composições mais complexas, letras menos apelativas (mas sem perder um pingo do ataque blasfemo), e principalmente nas habilidades musicais de cada um: Count Imperium cada vez mais seguro, preciso e violento em suas batidas, um inspirado Legacy que não deixa saudade alguma de seus antecessores, e principalmente os riffs da Lady Of Blood, cuja evolução nas seis cordas foi nada menos que espantosa.
13 faixas, sendo 5 destas vinhetas de orquestração intermeando guitarras com fraseados que lembram os momentos mais macabros do Morbid Angel e mesmo a última fase (mais jazzy) do Pestilence: todas absolutamente memoráveis e relevantes. O único senão técnico, a meu ver, é que infelizmente o baixo foi - mais uma vez - consumido na mixagem, mas isso não compromete o resultado final de forma alguma.
Musicalmente, o quarteto manteve a linha de seu bem-sucedido álbum anterior, "Profanation" (2005): blastbeats incessantes alternado com levadas pouco mais cadenciadas, pontuados com vocalizações inspiradas de Legacy - o novo vocal trouxe não só mais dimensão harmônica ao som da banda, mas principalmente MUUUITO mais potência... grande aquisição!
Encarte com o capricho gráfico de sempre, fica até difícil apontar algum destaque, pois tudo está nivelado por cima: "Victory & Honour" já abre o CD com uma verdadeira paulada no crânio. "Black Kingdom" mostra uma faceta mais pesada, convidando imediatamente ao headbanging - um bom prelúdio aos riffs cortantes e pancadaria de "Quimbanda, Glorification Of Evil".
A faixa-título é uma verdadeira pérola, com um refrão totalmente cavernoso e que gruda na orelha de imediato. A nova versão de "O Orgulhoso Exu Beelzebuth - Parte 2" é praticamente perfeita em suas harmonias e a sutileza de um trem descarrilhando... uma verdadeira aula de ódio.
Enfim, mais uma banda caindo na real de que o maior mérito pra crescer e ganhar respeito é investir em sua capacidade musical, abordando tanto o ying da criatividade como o yang da destruição - ao invés de arranjar brigas ou aparecer na mídia através de páginas policiais (como tantos europeus). Grande e digno trabalho da, possivelmente, maior horda de Black Metal em atividade no Brasil... recomendado com toda a ênfase das grandes obras!
Lançamento: 2007, Pazuzu records (BR).
Duração total - 49:27
Formação atual: Legacy (V), Lady Of Blood (G), Dom Junior (B), Count Imperium (D).
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