WASP: pesado, visceral, furioso, direto ao ponto

Resenha - Dominator - W.A.S.P.

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Por Thiago El Cid Cardim
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Nota: 9

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Os dois discos conceituais que formavam aquela espécie de ópera-rock intitulada “The Neon God” (2004) foram trabalhos realmente interessantes do W.A.S.P. (leia-se: “Blackie Lawless e mais uns carinhas aí”), não dá para negar. Mas também é inegável que os fãs sentiram falta de alguma coisa. Teve muita gente que não sabia nem dizer o que era. O próprio Lawless oferece a resposta em “Dominator”, o mais novo disco de estúdio do W.A.S.P.: faltava crueza. Com “Dominator”, o músico deixa de lado toda a pompa, circunstância e os ares de superprodução hollywoodiana e investe em uma sonoridade mais básica, que chega a evocar os seus primeiros álbuns, além de meter o dedo na ferida da atual situação política estadunidense. O resultado é incendiário: “Dominator” é pesado, visceral, furioso, venenoso, gritante, gritado, direto ao ponto.
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O W.A.S.P. de “Dominator” continua sendo hard rock. Mas um hard rock ousado que não tem medo de abandonar a tríade “sexo, drogas e rock ‘n’ roll” e que mergulha sem reservas nas trevas da nação dominada por George W. Bush. O tema que permeia o disco é espinhoso, e Lawless carrega esta influência sombria também para o aspecto musical da coisa. ”Dominator” tem aquela levada pegajosa do hard rock, mas pega bem pesado nos instrumentos, ganhando fortes contornos de heavy metal. Desta espécie de crossover, natural na discografia pregressa do W.A.S.P., saíram 9 faixas furiosas, para bater cabeça mesmo, que não aliviam os tímpanos do ouvinte apesar dos refrões com aquele incrível potencial de repetição. Citando o próprio petardo "Mercy", que abre o disco, no qual Lawless diz aos gritos: "I'll make you cry out loud". É exatamente isso que vai acontecer.

"Long, Long Way To Go" é tão bestial e acelerada que, em suas influências quase punk de acordes simples, sujos e virulentos, traz lembranças imediatas de um certo Motörhead. Por outro lado, "Take Me Up" começa quase balada, mas logo ganha contornos de metal tradicional em uma interpretação pungente e dolorosa de um vocalista inspiradíssimo. E para quem conhece os trabalhos anteriores do W.A.S.P., "Heaven's Blessed" e "Teacher" soam daquele jeitinho que aprendemos a conhecer (e gostar) da banda - coisa que fez muita falta nos dois discos anteriores, há de se convir.

Mas o grande momento de "Dominator" é mesmo a poderosa (e fazia tempo que este adjetivo não era utilizado com tanta propriedade) "Heaven's Hung in Black", uma verdadeira obra-prima épica da mais pura tristeza em seus mais de 7 minutos, com direito a dois solos introspectivos de tirar o fôlego e fazer engolir as lágrimas. Sua letra, profunda, intensa e provocativa, toma o título emprestado de uma declaração de Abraham Lincoln e trata da história de um soldado morto no Iraque que, quando tenta entrar no céu, acaba se deparando com um São Pedro, às portas da Terra Prometida do Nosso Senhor, dizendo que o terreno está lotado... justamente das vítimas do próprio exército ianque em ação no Oriente Médio. Ele não tem mais asas. E os portões do Paraíso estão selados para ele. Que ele volte outra hora.

Encerrando o disco, outro momento sublime:"Deal with the Devil", uma porrada etílica e que quase dá para chamar de suingada, de tão "envenenada" que está com um bom gole de blues, como se Buddy Guy tivesse aparecido para uma bebedeira na residência da família Lawless.

Para entender "Dominator", basta que você saiba que esta bolacha é o antagonista direto do direitista "United Abominations", do Megadeth - que também é um trabalho de altíssima qualidade mas que, em determinados momentos, parece justificar as ações do exército estadunidense Bushinho em sua campanha pelo petróleo nosso (ou melhor, deles) de cada dia. O W.A.S.P. está rigorosamente do outro lado da moeda. ”Os últimos seis anos na América foram uma viagem inacreditável. Depois de 11 de setembro, eu nunca tinha me sentido tão orgulhoso de ser americano. Depois de ir para Nova Orleans e presenciar toda a devastação e abandono desta grande cidade por parte de seu próprio Governo Federal, eu nunca me senti tão envergonhado de ser americano”. A frase define muito bem o clima de "Dominator". Se o próprio Lawless falou, quem sou eu para discordar?

Line-Up:
Blackie Lawless – Vocal, Guitarra
Doug Blair – Guitarra
Mike Duda - Baixo
Mike Dupke - Bateria

Tracklist:
1. Mercy
2. Long, Long Way to Go
3. Take Me Up
4. Burning Man
5. Heaven's Hung in Black
6. Heaven's Blessed
7. Teacher
8. Heaven's Hung in Black (Reprise)
9. Deal with the Devil

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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