Resenha - Uma Dupla Infernal - Tenacious D
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 27 de junho de 2007
Nota: 8 ![]()
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Talvez você esteja estranhando ver por aqui uma resenha relativa a um DVD que é, essencialmente, de um longa-metragem – e não o registro de um show e/ou uma coleção de videoclipes de uma banda. "Ué, mas este aqui não era um site dedicado ao rock ‘n’ roll? Agora está publicando resenhas de filmes, é?". Acontece que este "Tenacious D – Uma Dupla Infernal" (Tenacious D in The Pick of Destiny) é o filme mais heavy metal do ano. Talvez coubesse até dizer que se trata do musical mais heavy metal do ano. Aliás, para ser bem justo com a película, "Tenacious D" é o besteirol mais heavy metal do ano.

A história conta o que seria o fictício início do duo Tenacious D – formado pelo comediante Jack Black ("O Amor é Cego", "King Kong", "O Amor Não Tira Férias") nos vocais e seu amigo, o semidesconhecido Kyle Gass, nas guitarras. Cabe aqui inclusive uma explicação em comparação com o nosso Massacration: fãs de metal e hard rock clássico, Black e Gass misturaram temas humorísticos e guitarras distorcidas em uma banda que começou estrelando uma série de vida curta no canal HBO e acabou caminhando com as próprias pernas, saindo em turnês por todo o mundo e lançando até um CD full-length, auto-intitulado, pela Sony gringa.
"Tenacious D – Uma Dupla Infernal" começa mostrando o gorduchinho JB descobrindo o rock e enfrentando a resistência dos pais conservadores que acham que aquilo é coisa do capeta, do cramulhão, do coisa-ruim. Querendo realizar seu sonho de tornar-se rock star, ele coloca a mochila nas costas e foge para Hollywood, onde conhece o virtuoso e arrogante KG, músico que ganha a vida tocando peças clássicas no calçadão da praia. A química entre os dois é imediata (ou quase...) e não demora até que eles formem uma banda – com o objetivo de fazer muito sucesso e entrar para os anais - literalmente, conforme você vai entender ao assistir à trama - da história do rock.
Mas primeiro eles precisam arrumar uns trocados para poder pagar o aluguel, e a grana só vai entrar quando eles ganharem o concurso de música de uma boate local. E a única chance que os músicos quase sempre chapados do Tenacious D têm de vencer esta parada é encontrar a lendária Palheta do Destino, artefato utilizado por nomes como Eddie Van Halen e Angus Young e que está escondido em algum lugar no Museu do Rock ‘n’ Roll. E eis que começa a jornada da dupla, que vai passar por universitárias taradas, pés-grandes, cogumelos alucinógenos e um assustador sujeito paranóico e manco que tem seus próprios planos para o D.
O filme funciona apoiado especialmente em três alicerces. O primeiro deles, obviamente, é o próprio Jack Black, cujo carisma permite que ele pinte e borde em tela mesmo em cima de piadas um tanto óbvias e típicas do besteirol tipicamente estadunidense, que privilegia o grotesco e o bizarro das bundas, peitos, peidos, arrotos e demais ruídos corporais. Isso sem contar a inacreditável "flexão peniana". E o cara ainda canta muito bem, como já tinha provado anteriormente em "A Escola do Rock" e na memorável seqüência final de "Alta Fidelidade".
O segundo alicerce são claramente as boas canções – composições pesadas, acertadinhas e divertidas o suficiente para fazer a cabeça dos headbangers mais bem-humorados e com a cabeça aberta.
O terceiro, e maior deles, são mesmo as participações especiais, todas de amigos dos protagonistas. A começar pelos atores recorrentes de outras produções da mesma turma de Black – Ben Stiller ("Uma Noite no Museu"), também produtor executivo do filme, como o vendedor da loja de instrumentos, e Tim Robbins ("Um Sonho de Liberdade") no papel do estranhíssimo cabeludo do restaurante de beira de estrada e que tem o que parece ser um mapa do Museu do Rock ‘n’ Roll, além da ótima Amy Poehler (do humorístico "Saturday Night Live") como uma garçonete de olho roxo.
No entanto, são os músicos que se configuram na cereja do bolo dos fãs de rock pesado – e principal motivo, veja só, para você estar lendo este texto neste exato momento. Dave Grohl, frontman do Foo Fighters e ex-baterista do Nirvana, pinta a pele de vermelho e enverga um enorme par de chifres para encarnar o Diabo em pessoa, que chega para desafiar o Tenacious D em um momento musical fantástico – possivelmente em retribuição à participação de Black nos clipes "Learn To Fly", "Low" e "The One" e também ao dueto que ambos fizeram na faixa bônus "I Am The Warlock", do projeto heavy metal de Grohl, o excelente Probot.
A abertura do filme guarda ainda mais uma surpresa, com a esperadíssima aparição de Ronnie James Dio interpretando a si mesmo como uma espécie de mentor espiritual do pequenino JB em sua batalha contra a tirania do pai, que abre os olhos do garoto do jeito que sabe melhor: cantando. Um detalhe: o músico ainda é citado algumas vezes durante o filme, inclusive em uma mini-paródia de "Holy Diver". É bom saber que Dio tem bom humor – já que sua relação com Black começou quando o próprio Tenacious D gravou "Dio", na qual dizia que o vocalista do Heaven & Hell deveria se aposentar e deixar espaço para que eles brilhassem. O cantor levou a piada tão na boa que convidou Black e Gass para participarem do clipe de "Push".
Neste número de abertura, facilmente o ponto alto da produção, Black e Dio cantam junto com outro grande nome roqueiro: Meat Loaf, este já um veterano das telonas e conhecido especialmente pela surreal aparição em "Clube da Luta".
"Tenacious D – Uma Dupla Infernal" não é uma obra-prima da Sétima Arte. Mas garante boas risadas até os créditos finais, devidamente pontuados por uma derradeira canção. E é bom ter um pouco daquele entretenimento descartável de em quando, só para variar. Nosso cérebro merece um descanso.
Observação: No Brasil, o filme será lançado diretamente em DVD, estando programado para chegar às locadoras no final de agosto.
Distribuição:
PlayArte Home Vídeo
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