Resenha - Jerusalem Slim - Jerusalem Slim

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Por Otávio Augusto Juliano
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O álbum auto-intitulado da banda/projeto Jerusalem Slim, formada por Michael Monroe, líder de um dos grupos pioneiros do Glam Rock no início dos anos 80 - o Hanoi Rocks, embora já esteja fora de catálogo há mais de uma década, merece a atenção que lhe será dada nas linhas abaixo.

Lançado originalmente em 1992, o álbum Jerusalem Slim foi gravado em decorrência da parceria estabelecida entre o já citado vocalista Michael Monroe e o talentoso guitarrista Steve Stevens (Atomic Playboys, Vince Neil e Billy Idol).

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No entanto, antes de comentar a "parte musical" do CD resenhado, sinto-me na obrigação de contar, ainda que de forma bastante resumida, as histórias que fazem desse álbum um verdadeiro ítem de colecionador.

Após alcançar relativo sucesso com o álbum solo "Not Fakin` It" (cujo destaque é a música "Dead, Jail or Rock n´ Roll", com participação de Axl Rose no clipe), Monroe e Stevens foram apresentados e deram início aos trabalhos de gravação das chamadas "demos". Tudo corria dentro dos conformes até que uma mudança no rumo musical do trabalho passou a tirar o sono de Monroe, que se irritou com a insistência da PolyGram em lançar o CD a todo custo e com a indicação de Michael Wagener para a produção do álbum.

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Wagener, famoso por trabalhos com diversas bandas de Hard Rock e responsável pela produção dos dois primeiros álbuns do Skid Row, foi um dos "culpados" pela dita "mudança na direção musical" que tanto desanimou Monroe na gravação deste álbum. Isto porque Wagener passou a explorar ao máximo o talento de Steve Stevens em praticamente todas as faixas do álbum, mostrando um trabalho musicalmente bastante focado nos solos de guitarra, causando grande insatisfação para o então ex-vocalista do Hanoi Rocks.

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Apesar das inúmeras tentativas de Monroe, as gravações não foram interrompidas e o disco foi finalizado, mixado e lançado com o nome de Jerusalem Slim, exatamente como queria a PolyGram. Curioso destacar que Michael Monroe, convencido de que o álbum não estava de acordo com os seus interesses, nunca promoveu o disco, deixando muito clara sua opinião, seja em seu site pessoal (www.michaelmonroe.com) ou em entrevistas que se encontram publicadas na Internet. E a insatisfação foi tanta que logo após o lançamento do álbum, Monroe saiu em turnê pelo Japão (obviamente sem Stevens no "line-up" da banda, por absoluta falta de afinidade musical) e, ao invés de divulgar o disco recém lançado, simplesmente se recusou a tocar ao vivo as músicas do Jerusalem Slim e ainda por cima anunciou ao público de seus shows que o CD não deveria ser adquirido por ninguém, pois o trabalho final não havia saído da forma como ele queria.

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Esclarecidas as situações que envolveram a pré-produção/gravação do álbum, vamos às músicas. Em que pesem as desavenças entre os principais envolvidos, Jerusalem Slim merece atenção, pois se trata de um grande disco, recheado de solos virtuosos de guitarra, com um ótimo trabalho vocal e uma musicalidade bastante interessante.

A abertura do CD fica por conta de "Rock n` Roll Degeneration", com levada bastante Hard Rock, alternando momentos mais rápidos com outros mais cadenciados. Segue-se com "Dead Man", na qual Stevens abusa dos riffs de guitarra e "Attitude Adjustment" que, justificando o título, mostra um vocal mais agressivo e com muita atitude por parte de Monroe.

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Na seqüência, "100 Proof Love" apresenta mais uma vez a desenvoltura de Steve Stevens na guitarra, trazendo solos interessantes, lembrando até mesmo o trabalho anterior do guitarrista, com sua banda Atomic Playboys. "Criminal Instinct" novamente traz um vocal mais gritado e agressivo e abre caminho para a cadenciada "Lethal Underground" e a rápida "Teenage Nervous Breakdown", esta última com um início de piano que lembra bastante os sucessos de Rockabilly dos anos 50, sendo um dos destaques principais do álbum.

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O disco é fechado com a não menos interessante "Gotta Get a Hold" e a balada "The World is Watching", com uma letra bastante atual (embora escrita no início da década de 90), especialmente em tempos de Internet. Na edição japonesa avaliada, encontram-se ainda duas faixas adicionais – versões "demo" para "Rock n´ Roll Degeneration" e "Teenage Nervous Breakdown", ambas produzidas por Stevens e Monroe e gravadas provavelmente na época em que ambos ainda estavam se "conhecendo" e a antipatia de um pelo trabalho do outro não havia sido totalmente revelada.

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Enfim, apesar dos fatos polêmicos que envolveram a gravação deste álbum e das diferenças musicais entre os principais "astros" da banda – Monroe e Stevens, Jerusalem Slim acabou rendendo um disco consistente e diversificado, com predominância dos solos de guitarra, deixando evidente a versatilidade e a habilidade de Stevens com o instrumento de seis cordas, talvez esse um dos principais motivos que tenha irritado tanto o não menos talentoso vocalista Michael Monroe.

Participaram ainda da banda/projeto o baterista Greg Ellis, o pianista Ian McLagen e o também integrante do Hanoi Rocks, o baixista Sam Yaffa (embora não tenha gravado todas as linhas de baixo, pois em algumas músicas Stevens fez também essa parte).

Não é um álbum fácil de ser encontrado, mas vale a "garimpagem" por sebos e lojas de usados, ou até mesmo a compra pela Internet, pois além da qualidade musical envolvida, o disco traz consigo muitos fatos e histórias, os quais o valorizam ainda mais como item raro e de colecionador, afinal um relançamento/remasterização é totalmente improvável, em razão da absoluta falta de interesse das partes envolvidas, especialmente de Michael Monroe.

Importado – Polygram Records

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

Mais matérias de Otávio Augusto Juliano no Whiplash.Net.

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