Resenha - Smoke & Mirrors - Datsuns
Por Fábio Cavalcanti
Postado em 29 de janeiro de 2007
Nota: 7 ![]()
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Nos últimos anos, a crítica especializada vem seguindo uma espécie de cartilha pronta: certa banda nova faz um som interessante, ganha um espaço temporário na mídia como a "salvação do rock", lança seu segundo álbum, o qual é mais fraco do que o primeiro (salvo raras exceções), e por fim a banda acaba, ou lança álbuns cada vez mais decadentes e ignoráveis. Entre tais "sorteados", temos o The Datsuns, banda que teve seu momento de fama com seu álbum de estréia em 2002, foi reprovada com o seu segundo álbum "Outta Sight/Outta Mind" (2004), e agora está sendo simplesmente ignorada, graças ao seu novo álbum "Smoke & Mirrors" (2006). A regra dos críticos foi bem aplicada neste caso? Resposta: não!

Diretamente da Nova Zelândia, o The Datsuns despontou para o mundo com seu álbum "The Datsuns" (2002), que trazia um rock 'n' roll vigoroso, elétrico, veloz, e com um dos vocais "berrados" mais interessantes da atualidade, cortesia do carismático vocalista Dolf. O segundo álbum, "Outta Sight/Outta Mind" (2004), indica uma vontade de seguir o mesmo caminho da maioria das bandas alternativas, em busca de um som próprio. Com "Smoke & Mirrors", temos a leve impressão de que a banda finalmente encontrou seu som. Mas, se a idéia era reinventar a roda, alguém precisa avisá-los que seu som atual lembra um Supergrass mais rock 'n' roll, especialmente no vocal e backing vocais "esquisitos".
O álbum abre com a acelerada "Who Are You Stamping Your Foor For?", mostrando o tal estilo "Supergrass frenético", que também poderá ser notado nas faixas "Maximum Heartbreak" (uma espécie de faixa-título, visto que cita "Smoke & Mirrors" em sua letra) e "Such a Pretty Curse". O principal single do álbum, "System Overload", lembra bastante algum proto-punk do início dos anos 70, com uma bateria limitada a fortes batidas na caixa, e um refrão explosivo (quase literalmente): "Countdown to explode, system overload!"
A psicodélica "Waiting for Your Time to Come" (um pouco mais de Supergrass?), juntamente com a ótima e criativa "Stuck Here for Days", são as faixas mais eletro-acústicas do álbum, e encontram-se quase coladas, indicando um setor mais maduro dos Datsuns, e abrindo novas portas para o som da banda. Temos também duas faixas que mostram bem o novo direcionamento melódico da banda: "Blood Red" e "Emperor's New Clothes", ambas apenas aceitáveis, nada mais do que isso.
E o título de melhor faixa do álbum vai para "All Aboard", um ótimo rock cadenciado, recheado de slides de guitarra, e bem acompanhado por backing vocais em um estilo meio gospel. Por incrível que pareça, é a faixa que mais lembra a proposta rock 'n' roll do primeiro álbum da banda. Outro grande destaque é a última faixa, "Too Little Fire", a qual merece atenção especial, por ser a maior e mais ousada música do álbum. São mais de 7 minutos de uma viagem um tanto psicodélica, que vai de encontro à proposta simples e direta da maioria das faixas do álbum.
Como citado antes, o estilo geral de "Smoke & Mirrors" não é a coisa mais original do mundo. Sem contar que seu novo som pode lembrar mais as bandas alternativas atuais, enquanto que o rock "basicão" do primeiro álbum ainda se mantém pouco reutilizado atualmente. Mas, colocando as semelhanças com outras bandas de lado, o The Datsuns continua em forma em termos de qualidade musical, e com certeza terá mais respeito entre a "crítica especializada", quando esta se livrar da sua cartilha atual. Quem sabe daqui a alguns anos...
Músicas:
1. Who Are You Stamping Your Foor For?
2. System Overload
3. Waiting for Your Time to Come
4. Stuck Here for Days
5. Maximum Heartbreak
6. All Aboard
7. Such a Pretty Curse
8. Blood Red
9. Emperor's New Clothes
10. Too Little Fire
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