Resenha - Wolfmother - Wolfmother

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Por Ricardo Seelig
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Vivemos em tempos estranhos. Ao contrário do que houve em décadas passadas, os anos 90 e 00 não nos deram um grande grupo que pudesse ser chamado de "o maior do mundo". A década de sessenta foi dos Beatles. Nos anos 70 o Led Zeppelin reinou absoluto, e nos oitenta este trono foi dividido entre o U2 e o Guns`N'Roses. Ou seja, há quase vinte anos não vemos um gigante dando passos fortes e decididos por aí.

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O que isso gera? Gera um vácuo, um vazio, e que, na maioria das vezes, é preenchido momentaneamente por novos nomes superestimados. De Pearl Jam a Strokes, de White Stripes aos atuais Panic At The Disco, o que não falta são grupos adorados pelos críticos, que não economizam elogios na hora de apontá-los como "the next big thing". O problema é que, na quase totalidade das vezes, estas bandas se revelam capengas e aquém do que se espera. Seja por escolhas mercadológicas (Pearl Jam), seja por uma expectativa desmedida (Strokes), ou seja por excesso de exposição mesmo (White Stripes), o fato é que ninguém vem conseguindo esquentar o banco há um bom tempo.

Mas eis que, de uma hora para a outra, publicações tão díspares como Rolling Stone e Kerrang, Bizz e Roadie Crew, começaram a encher a bola de três jovens australianos que atendem pelo nome de Wolfmother. Sem medo de errar, digo com todas as letras: Andrew Stockdale, Chris Ross e Myles Heskett formam, hoje, o grupo em que eu deposito todas as minhas fichas, ilusões e esperanças de fã do bom e velho rock and roll.

Com uma sonoridade que é a união da santíssima trindade do rock pesado (Black Sabbath, Led Zeppelin e Deep Purple), o Wolfmother lançou neste esquisito 2006 um álbum que soa como se estivesse chegado ao mercado na primeira metade dos anos setenta. A estréia da banda é marcado por riffs hipnóticos, que se alternam pelas escolas de Tony Iommi e Jimmy Page, intercalados por momentos instrumentais onde a influência dos dois grupos, somados ao Deep Purple, tornam o som da banda contagiante.

Longe de apenas ficar pagando tributo ao passado, o Wolfmother juntou estas influências na construção de um som único. O que a banda faz hoje ninguém mais faz. A abertura do play, com Stockdale soltando a voz seguido por um riff que é puro "Led Zeppelin II", já deixa o ouvinte com uma pulga atrás da orelha. Na sequência, somos brindados com canções como "White Unicorn" e "Woman", que nos apresentam o modo Wolfmother de encarar o rock. A parede sonora construída pela banda surpreende, na melhor tradição de power trios lendários como o Cream.

Quando os ouvidos já estão acostumados, somos levados de volta à época do "Led Zeppelin II" com "Where Eagles Have Been", maravilhosa balada com direito até a órgão Hammond. Ainda que mantenha uma unidade, cada música revela pequenas surpresas, como o peso sabático de "Apple Tree", o hard rock pra lá de clássico de "Colossal", a jam que dá início a "Pyramid", a sombra do Zeppelin em "Witchcraft" e "Tales", a percusão que introduz "Love Train".

Mas, no meio deste mar de ótimas canções, duas conseguem se sobressair mais que as outras. A primeira é a paulada "Joker & The Thief". Se você nunca ouviu o som do grupo, comece por esta música. Todas as características que marcam a banda estão presentes nela, mais evidentes do que nunca. Os riffs hipnóticos de guitarra, a bateria que soa como uma fusão entre os estilos de John Bonham e Bill Ward, o vocal gritado que ora parece Ozzy ora soa como Plant, as intervenções discretas de teclado que dão ainda mais brilho à música, a cozinha matadora. Tudo isso conspirando em favor da composição, como acontecia na época de ouro do hard rock, em grupos como os citados lá no início do texto e em outros, como Grand Funk, Mountain, Rainbow e todas estas bandas clássicas que estão vindo a sua mente neste exato momento.

A outra é a linda balada "Mind's Eyes". Candidata fortíssima a melhor música do ano, irá fazer um fã de rock, de hard rock, de classic rock (ou seja lá como você chama o estilo que a maioria das pessoas classifica singelamente como "sonzeira") chegar as lágrimas. O sentimento, o lirismo, a emoção, são palpáveis em "Mind's Eyes". Com uma interpretação excelente da banda, principalmente de Andrew Stockdale, é daquelas canções que surgem apenas quando todo o universo conspira a favor de alguma coisa. Duvida? Então vá direto para a faixa oito.

Resumindo, "Wolfmother" traz música de melhor qualidade do início ao fim. De todos aqueles aspirantes ao trono de maior banda do mundo surgidos na última década e meia, o Wolfmother é o ÚNICO que possui reais possibilidades de se transformar em um novo gigante.

Se vivêssemos em um mundo justo, a banda seria conhecida por qualquer pessoa. Como passamos nossos dias em uma realidade dominada por Simple Plans e Yellow Cards, isso provavelmente não irá acontecer.

O negócio é fazer o seguinte: não vivem dizendo que nós, que curtimos música, vivemos em um mundo próprio, em uma realidade diferente das outras pessoas? Pois esta realidade tem um novo rei, e ele se chama WOLFMOTHER.

Faixas:
1. Dimension
2. White Unicorn
3. Woman
4. Where Eagles Have Been
5. Apple Tree
6. Joker & The Thief
7. Colossal
8. Mind's Eyes
9. Pyramid
10. Witchcraft
11. Tales
12. Love Train
13. Vagabond


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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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