Resenha - Wolfmother - Wolfmother
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 17 de setembro de 2006
Nota: 8 ![]()
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Devo admitir que sempre fico com os dois pés atrás quando a mídia paulistana – representada pelas principais revistas semanais e mensais de informação e entretenimento e pelos dois grandes jornais de circulação nacional – resolve eleger a nova salvação do rock da semana e tenta nos fazer engolir isso a qualquer custo. Ouvi todos os Strokes, Hives, Vines e afins que surgiram na cena independente nos últimos anos e... nada. Blé. Simplesmente não colou. Onde está a tal revolução sonora bombástica tão alardeada? É esta a nova vida que eles estariam dando ao rock ‘n’ roll? É tudo tão igual a uma centena de bandas que já ouvi nos últimos anos, umas apenas reciclando o que outras já fizeram (ou ainda fazem) como numa eterna caixa de repetição. Nem mesmo os recentes Arcade Fire, Arctic Monkeys e Franz Ferdinand (ou demais que possam ser encaixados no rótulo babaca de "pós-punk") me convenceram. Mais do mesmo. Por isso, resisti o quanto pude a ouvir o auto-intitulado disco de estréia do hypado Wolfmother. Mas acabei me rendendo ao perceber que todas as críticas eram unânimes ao citar suas duas influências mais óbvias: Black Sabbath e Led Zeppelin. Merecia ser ouvido, afinal de contas.

É bem verdade que o som que este trio australiano faz não tem nada de tão revolucionário assim. Mas o seu hard rock de raízes setentistas é tão vigoroso, orgânico e verdadeiro que se torna uma reverência pra lá de digna à trinca Sabbath, Zeppelin e Deep Purple. E uma verdadeira salvação para ouvidos cansados de novidades que, de novas, não têm nada. O Wolfmother é assumidamente retrô, e não está nem aí para o que qualquer crítico cretino possa achar disso. E ainda consegue, no meio de tantas referências abertas e fáceis de detectar, criar uma sonoridade absolutamente única. E se divertir muito com isso, o que é o melhor de tudo. Basta imaginar os sujeitos tocando uma canção como "Love Train" ao vivo, por exemplo. Deve ser como presenciar uma viagem no tempo em pleno palco.
A faixa de abertura, "Dimension", é rendição completa e descarada ao som de Robert Plant e cia enquanto, na seqüência, em "White Unicorn", a guitarra soturna de Andrew Stockdale vira pura releitura de um certo Tony Iommi – que Stockdale parece encarnar perfeitamente e sem qualquer vergonha em "Where Eagles Have Been" (sem dúvida, uma das melhores do disco), no solo delicioso que vem logo depois da tecladeira. Isso sem falar no refrão absolutamente pegajoso de "Woman", que remete aos maiores hits do Purple. Dá até gosto.
Lá pelo meio do disco, "Apple Tree" abre com uma levada punk típica de três acordes, assustando o ouvinte que até então já tinha reconhecido (e apreciado) a pegada do Wolfmother. Mas não demora muito e lá vem a guitarra de Stockdale para salvar o dia e trazer de volta o jeito Sabbath de lidar com as seis cordas. Para não dizer que este power trio se resume somente no trabalho de seu frontman, no entanto, vale ressaltar o trabalho impecável de uma excelente cozinha, com o baixo competente e pesadão de Chris Ross (que ainda arrasa no teclado, basta ouvir o trabalho dele em "Joker & The Thief" para entender) e a bateria bem sincopada e presente de Myles Heskett – que não chega a ser John Bonham, mas aí já era pedir demais.
Se existe alguma destas bandas que os arrogantes modernosos da geração TIM Festival adoram e com a qual o Wolfmother pode ser minimamente comparado, sem dúvida é o White Stripes – muito mais pelo punch e pela garra que extraem de seus instrumentos do que pelo som propriamente dito. Diz um amigo, aliás, que consegue definir o Wolfmother como sendo "o White Stripes tocando Black Sabbath". Discordo. Na opinião deste nada humilde escriba, o Wolfmother é uma ótima banda, influenciada pelo Black Sabbath (e demais grupos da mesma época). E...cá entre nós...uma banda muito melhor do que o White Stripes. Meg White que me perdoe.
Line-up:
Andrew Stockdale: vocal e guitarra
Chris Ross: baixo e teclado
Myles Heskett: bateria
Tracklist:
1. Dimension
2. White Unicorn
3. Woman
4. Where Eagles Have Been
5. Apple Tree
6. Joker & The Thief
7. Colossal
8. Mind´s Eye
9. Pyramid
10. Witchcraft
11. Tales
12. Love Train
13. Vagabond
Gravadora:
Universal Music
Site Oficial:
http://www.wolfmother.com/
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