Resenha - Under The Blossom; The Anthology - Tempest

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Por Rodrigo Werneck
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Indubitavelmente um dos melhores bateristas a já ter pisado no planeta Terra, Jon Hiseman tinha outro grande talento: o de estar sempre bem acompanhado. Tanto no John Mayall’s Bluesbreakers, quanto no sensacional sexteto de jazz rock Colosseum, e também no Tempest, cuja formação variou entre quarteto, quinteto e até mesmo trio, músicos excepcionais fizeram companhia a este genial inglês. A Sanctuary nos presenteia agora com um CD duplo que reúne simplesmente todo o material gravado pelo Tempest, uma antologia imperdível.

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Após o encerramento das atividades do Colosseum (pelo menos até o festejado retorno da banda nos anos 90), no final de 1971, seus ex-membros se meteram nos mais diversos projetos individualmente, entre discos solo e participações em outras bandas, como no caso do guitarrista Clem Clempson, que se juntou ao Humble Pie (após a saída de Peter Frampton), e do baixista Mark Clarke, que passou rapidamente pelo Uriah Heep (logo antes de Gary Thain entrar para o grupo). Mas Clarke foi informado por Hiseman logo após o fim do Colosseum que ele iria telefonar-lhe assim que montasse uma nova banda, chamando-o a se juntar.

E isso de fato ocorreu, em 1972. Com a idéia de formar uma banda mais voltada para o hard rock, focada em canções e mantendo o esmero técnico, mas sem todo o virtuosismo do Colosseum (que levava um jazz-rock progressivo de primeira), Hiseman montou seu novo projeto. Contando com ele próprio na batera, Clarke no baixo, piano elétrico e vocais eventuais, mais o (ainda) desconhecido guitarrista Allan Holdsworth e o vocalista Paul Williams (que havia também passado pelo Colosseum e estava no Juicy Lucy), estava dada a largada para mais um super-grupo, que infelizmente durou pouco.

O primeiro CD desta antologia ora lançada inclui nada mais, nada menos, que os 2 LPs inteiros lançados pela banda, respectivamente "Tempest" (1973) e "Living In Fear" (1974). São 8 músicas de cada disco, dispostas na mesma ordem dos discos originais. O interessante é que os discos são um tanto diferentes entre si, e isso se deve à radical mudança de formação ocorrida entre eles. Na realidade, o grande clássico mesmo é o primeiro, com participação marcante do excelente Holdsworth, que viria em seguida a se juntar ao Soft Machine. É difícil se destacar alguma música pois são todas excelentes, sendo que a única que se assemelha um pouco ao estilo do Colosseum é "Strangeher". São todas cantadas por Williams, cujo vozeirão lembra um pouco o de Chris Farlowe, o vocalista mais consagrado do Colosseum, com exceção de "Grey And Black", uma balada na qual Clarke assume os vocais e teclados. "Upon Tomorrow" apresenta Holdsworth arrebentando no violino (!), e é de fato uma composição (mais progressiva) de Clarke juntamente a Clem Clempson, ainda dos últimos momentos do Colosseum. A faixa de abertura, "Gorgon", faz referência à gárgula da capa do disco, e é um arrasa-quarteirão e tanto, dando logo o recado de que o grupo não estava para brincadeiras.

Após o lançamento do disco de estréia e a conseqüente turnê promocional do mesmo, o Tempest sofreu importantes baixas: Paul Williams saiu por ter um medo incontrolável de viagens aéreas, o que acarretava óbvios problemas nas excursões, e Allan Holdsworth deixou a banda por querer se concentrar mais a tocar jazz, e para tal se juntou ao lendário Soft Machine. Antes da saída deles, entrou para o Tempest o guitarrista canhoto Ollie Halsall, que ainda por cima tocava teclados e cantava. Admissão perfeita, pois após breve período como quinteto, que durou apenas alguns shows, o grupo se tornou um trio, com os vocais sendo divididos entre Halsall e Clarke. É dessa fase entre os dois discos de estúdio que são a maioria das músicas do segundo CD desta coletânea. Mais precisamente, de uma apresentação ao vivo gravada para a rádio BBC, que chegou a sair em alguns piratas da época. Excelente performance, por sinal, com solos de guitarra maravilhosos tanto de Holdsworth quanto de Halsall, e comentários pertinentes do DJ Alan Black entre as faixas, dando um bom "insight" sobre as composições.

Com a formação Hiseman/Clarke/Halsall, gravaram o segundo disco, "Living In Fear", muito centrado nas composições de Halsall e, talvez por isso, bem diferente do primeiro. Após mais uma turnê como trio, festejada por uns e rejeitada por outros, o grupo acabou por encerrar suas atividades logo após a gravação de mais 2 músicas em estúdio, "You And Your Love" e a ótima "Dream Train", inéditas até agora (pois foram incluídas no segundo CD desta compilação). O sucesso esperado não veio e os integrantes baldearam-se para novos projetos: Jon Hiseman montou o Colosseum II com Gary Moore na guitarra e Don Airey nos teclados, Mark Clarke se juntou à banda solo do tecladista/guitarrista/vocalista Ken Hensley (do Uriah Heep), antes de seguir para o Natural Gas, e Ollie Halsall foi para o Boxer de Mike Patto.

Mais uma banda de vida curta, mas obra de qualidade, totalmente reunida neste lançamento, que merece portanto nota 10 pela excelência de sua montagem e pelo próprio material em si.

CD 1

1. Gorgon
2. Foyers Of Fun
3. Dark House
4. Brothers
5. Up And On
6. Grey And Black
7. Strangeher
8. Upon Tomorrow
9. Funeral Empire
10. Paperback Writer
11. Stargazer
12. Dance To My Tune
13. Living In Fear
14. Yeah, Yeah, Yeah
15. Waiting For A Miracle
16. Turn Around

CD 2

1. You And Your Love*
2. Dream Train*
3. Foyers Of Fun (BBC session)*
4. Gorgon (BBC session)*
5. Up And On (BBC session)*
6. Grey And Black (BBC session)*
7. Brothers (BBC session)*
8. Drums Away (BBC session)*
9. Strangeher (BBC session)*

* Previously Unreleased




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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D'Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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