Resenha - Kingdom of Madness (Expanded Edition) - Magnum
Por Rodrigo Werneck
Postado em 22 de janeiro de 2006
Nota: 10 ![]()
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A banda Magnum nunca estourou de fato no Brasil, mas em sua terra natal (Inglaterra) são considerados quase uma instituição nacional, a exemplo do Queen. Agora que retornaram à atividade após um hiato de 8 anos, a Sanctuary vem relançando seus CDs de forma remasterizada e com vasto material extra.

Conterrâneos e contemporâneos de grupos ingleses como o Iron Maiden e outros expoentes do rock pesado da época, o Magnum estava porém numa linha musical diferente, mais melódica e comercial, mas sem abrir mão da qualidade. Oriundos da cidade industrial de Birmingham, de onde haviam surgido anos antes o Black Sabbath e o Judas Priest, apresentavam entretanto características bastante diversas do heavy metal desses.
Formada em 1975 em torno dos talentos do vocalista Bob Catley e do guitarrista e compositor Tony Clarkin, a banda assinou com a Jet Records mas somente teve este primeiro disco, "Kingdom of Madness", lançado em 1978, já competindo de forma injusta com o movimento punk, então emergente. Na formação estavam ainda o tecladista/flautista Richard Bailey (que veio ao Brasil com o Whitesnake no primeiro festival Rock In Rio, em 1985), o baterista Kex Gorin e o baixista Colin "Wally" Lowe.
Nessa estréia, o que se pode ouvir é uma banda já madura, com composições fortes e inspiradas, onde não há fillers: todas as músicas se destacam, e muitas se tornaram hits pedidos em shows e nas rádios. Algumas apresentam nítidas influências do Queen nos caprichados arranjos vocais, como a faixa-título e "Invasion". Outras apresentam alguns resquícios do rock progressivo tão popular na Europa nos anos anteriores, como "In The Beginning" (e seus 8 minutos de duração) e "All Come Together". Mas há espaço também para os chamados "rocks de arena" como em "Baby Rock Me", e baladas, como em "Universe". O vozeirão de Catley, muito característico e de bom gosto, realmente é uma marca registrada do grupo, assim como os arranjos extremamente melódicos e ao mesmo tempo pesados da guitarra de Clarkin e da tecladeira de Bailey. Referências aos grupos norte-americanos progressivos da época também podem ser citadas, em especial Kansas e Styx.
Esse relançamento é especial por uma série de motivos. Além do som remasterizado, o encarte é caprichado e inclui uma entrevista com Tony Clarkin, com uma visão perspectiva sobre o disco após trinta anos (ele foi gravado em 1976!). Um segundo CD recheado de faixas bônus de importância histórica foi incluído, trazendo muito material indispensável aos fãs: 4 músicas gravadas antes do disco inicial (em 1974), e que não foram incluídas nele; 2 músicas lançadas num single de 1975, também antes do álbum de estréia; 4 outtakes do disco inicial, que não haviam sido lançadas anteriormente (a não ser na coletânea de raridades "Archives", de 1993); e finalmente uma versão alternativa de "Kingdom of Madness", regravada em 1979.
Concluindo, pode-se dizer que é um lançamento impecável, muito bem compilado em todos os aspectos, e com todos os cuidados indispensáveis aos fãs do grupo. Tanto a capa original do LP quanto a do relançamento de 1988 (com arte do mestre Rodney Matthews), estão presentes no encarte, o que mostra o nível de cuidado e detalhamento com o que o presente CD foi feito, obra da dedicada e meticulosa dupla Steve Hammonds e Jon Richards, que coordena o relançamento dos discos de rock clássico do catálogo da Sanctuary Records.
Tracklist:
CD 1 (original album)
1. In The Beginning
2. Baby Rock Me
3. Universe
4. Kingdom of Madness
5. All That Is Real
6. The Bringer
7. Invasion
8. Lords of Chaos
9. All Come Together
CD 2 (bonus tracks)
1. Sea Bird
2. Stormbringer
3. Slipping Away
4. Captain America
5. Sweets For Mr. Sweet (single A-side)
6. Movin’ On (single B-side)
7. Master of Disguise
8. Without Your Love
9. Find The Time
10. Everybody Needs
11. Kingdom of Madness (alternative version)
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