Resenha - Você Vai Perder o Chão - Terminal Guadalupe

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Por Cristiano Viteck
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Uma nota lida em jornal, um e-mail para a banda e uma semana depois o disquinho está dentro do CD player onde, desde então, insiste em permanecer. Foi mais ou menos assim que a coluna conheceu a banda curitibana Terminal Guadalupe.

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Formado em 2002, o grupo nasceu sem pretensões, montado apenas para compor a trilha sonora de um curta-metragem. Porém, o negócio deu tão certo que Dary Jr. (voz e letras) resolveu seguir adiante com o projeto musical. Cerca de três anos depois, o Terminal Guadalupe - que conta na formação atual, além de Dary Jr., com Allan Yokohama (guitarra e voz), Fabiano Ferronato (bateria) e Rubens K (baixo) - já está no seu terceiro disco, sendo o mais recente "Vc Vai Perder o Chão", desde já um dos bons discos do ano e com potencial para fazer a banda ecoar por todo o Brasil, o que de fato já vem acontecendo. Em abril deste ano, por exemplo, a banda foi uma das selecionadas em meio a outros 2.300 grupos de todo o país para abrir o show do Placebo em Florianópolis (SC), no festival Claro Q É Rock. No mês seguinte, participou do Festival América do Sul, em Corumbá (MS), onde fez um dos shows mais comentados diante de 5 mil pessoas.

Jornalismo, literatura, cinema, o cinza das cidades, o amargo e o doce da vida. É daí que vem a inspiração para o Terminal Guadalupe. A própria origem do nome da banda já é digno de nota. Conforme explicação do grupo, "terminal guadalupe é a estação de transporte coletivo que atende aos moradores da periferia e região metropolitana de Curitiba. Digamos que seja um entreposto de sonhos. Durante o dia, os trabalhadores que ali desembarcam têm a sensação de que chegaram ao primeiro mundo, no centro da capital. Mais tarde, expediente encerrado, fazem o caminho inverso, rumo aos municípios distantes do imaginário paraíso urbano. O terminal guadalupe é onde começa e acaba o mito da cidade perfeita que ainda seduz desavisados". Ao ler isso você pode até pensar: "pronto, mais uma daquelas bandas xaropes querendo passar uma mensagem...". Mas pode ficar tranqüilo, pois o legal do grupo Terminal Guadalupe é falar disso tudo de uma maneira poética, mas não piegas; séria, mas não ranzinza. E o melhor, acompanhado de um instrumental de primeira, que não comete exageros quando precisa ser pesado e nem afrouxa demais a mão quando a música requer suavidade.

CD rodando e um caminhão de referências muito bem costuradas de cara já servem para quebrar o gelo natural da primeira audição de uma banda desconhecida. Na verdade é uma salada de influências que vêm do rock brasileiro dos anos 80, grunge, pós-punk e até novo rock, temperada com boas doses de inteligência e criatividade. O álbum "Vc Vai Perder o Chão" abre com a faixa de clima oitentista "O Bêbado de Ulysses", que consegue unir em um só refrão o filme "Punch-Drunk Love" (Embriagado de Amor) e o músico Frank Jorge. Na seqüência vem "Esquimó Por Acidente", que se confunde com algumas canções dos Los Hermanos. Também valem a pena ser destacada "Burocracia Romântica", canção do primeiro álbum do grupo, só que agora regravada com mais peso. O humor do álbum "Vc Vai Perder o Chão" se mostra presente na cantiga "Por Trás do Fator Gallagher", em que a banda debocha do povo mais "descolado" que está sempre atrás dos modismos do rock. Outra faixa que merece uma ouvida atenta e emocionada é "Veludo Sabre a Areia", canção levada ao violão cuja letra na verdade é uma poesia de Leonardo Vinhas ("a fé cura o tornozelo deslocado/ quebrada é a vida do jovem/ com a idade é que se colam os cacos fixados pela experiência/ quem sabe um dia o amor da juventude aprenda a amar"). Mas é com "O Peso do Mundo", faixa que encerra o álbum, que o ouvinte realmente perde o chão. A música parece Coldplay, parece Radiohead, mas ainda assim consegue soar totalmente original e sintetizar tudo o que o Terminal Gualupe é: um grupo inteligente mas que nega a pecha de "banda-cabeça" para fazer pop de garagem como pouco se ouve no Brasil.

Importante ressaltar ainda que "Vc Vai Perder o Chão" é o primeiro álbum de rock do país a ser lançado com a tecnologia SMD (semi-metalic disc), cujo disco roda em qualquer aparelho de CD, mas custa até 80% menos, daí os míseros R$ 4,00 cobrados pelo disco. Mais sobre a banda você encontra no www.tg.mus.br. No site, é possível baixar os três álbuns do Terminal Guadalupe em MP3. Mais melzinho na chupeta, impossível.




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Sobre Cristiano Viteck

Cristiano Viteck é jornalista em Marechal Cândido Rondon (PR), apresentadordo programa Garagem 95, da Rádio Difusora FM, e assina a coluna de música Pédo Ouvido do jornal O Presente.

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