O álbum mais bonito de todos os tempos, segundo Dave Grohl do Foo Fighters
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de maio de 2025
Com uma carreira marcada por tragédias e superações, Dave Grohl construiu uma das trajetórias mais respeitadas do rock moderno. Da força na bateria Nirvana, ao carisma como líder do Foo Fighters, Grohl é, há décadas, símbolo de boa praça na música pesada. Mas entre riffs pesados e hits, também há espaço para a delicadeza — especialmente quando fala sobre "The Winding Sheet", disco solo de Mark Lanegan, lançado em 1990.
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"É o disco mais bonito de todos", declarou Grohl em entrevista à Melody Maker, no ano 2000 (via Far Out). Segundo ele, o álbum — que marcou uma mudança de tom em relação ao som mais denso dos Screaming Trees, banda original de Lanegan — representa algo íntimo e revelador:
"É um disco de domingo de manhã, acústico, com alma e blues. Mark tem tanta alma e uma voz linda. É como se fosse o som que o seu coração faria se pudesse cantar. É tão fodidamente bonito."
Grohl não apenas admirava o talento do amigo, mas se identificava profundamente com o disco por razões pessoais. Ele conta que o álbum chegou em um momento decisivo de sua vida:
"Esse disco saiu pouco depois de eu me mudar para Seattle, então para mim, ele representa toda aquela fase. O Mark ainda cantava no Screaming Trees, mas também existia naquela época uma grande admiração pela pureza e verdade da música real."
O contexto da cena grunge era carregado de sentimentos contraditórios, e Lanegan — que faleceu em 2022 — era, para Grohl, um dos poucos artistas capazes de transformar dor e fragilidade em arte verdadeira. "Se ele cantava sobre dor, você acreditava. Se cantava sobre amor, você também acreditava", disse Grohl ao The Independent, após a morte do amigo. "Era tudo tão puro, tão verdadeiro. Isso está cada vez mais raro na música."
Grohl também destaca que entender a intensidade da voz de Lanegan exige conhecer sua história de vida, marcada por lutas contra o vício e problemas de saúde. "Se você leu os livros dele ou sabe qualquer coisa sobre sua história, vai entender por que ele cantava do jeito que cantava. Não havia ninguém como ele. Em Seattle, ele era muito querido."
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