Resenha - Nothing Is Easy: Live At The Isle Of Wight - Jethro Tull

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Maurício Gomes Angelo
Enviar correções  |  Ver Acessos

publicidade

Nota: 10


A primeira preocupação que me veio à mente ao fazer o review de um álbum desse tipo é: "como vou transformar em palavras uma atuação dessa magnitude?" E quando você se dá conta que a musicalidade, a interpretação e a potência deste Jethro Tull ao vivo é simplesmente inefável só lhe resta dar uma gostosa gargalhada e prosseguir o trabalho sem maiores preocupações.

Aerosmith: Steven Tyler e três mulheres nuas no chuveiroBatom, laquê...: Como formar uma banda de Hard Rock em 69 lições

É fácil distinguir excelentes bandas de gênios da música: os gênios são aqueles que fazem você ter plena certeza de que são os melhores do mundo naquele momento, que monopolizam seus sentidos e sua atenção de forma tão avassaladora que sua mente fica impregnada indestrutivelmente da superioridade daquele conjunto. E isto o Tull faz de modo deveras eficaz, juntando-se ao panteão de "intocáveis" da época: eles, Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, The Who, Pink Floyd, Ten Years After, dentre outros. Todos com esta qualidade singular que os permite serem mencionados sob a alcunha de gênios.

O tradicionalíssimo festival da Ilha de Wight, continha em sua edição de 1970 grandes feras da música (Jimi Hendrix, The Who, Moody Blues...), e entre estes o Tull já estava na vanguarda, mesmo com apenas três anos de estrada e três álbuns lançados (época boa essa) - "This Was" de 68, "Stand Up" de 69 e o recém saído "Benefit" de 70. Deixando o mundo a seus pés em virtude da originalidade e intensidade de suas composições e claro, ao fator chave que era a bombástica presença da flauta transversal de Ian Anderson.

E o próprio adverte no encarte deste cd que não há rock progressivo aqui, apenas o frenético e entusiástico rugido dos instrumentos. Simplismo à parte, é verdade que a energia do álbum é extremamente visceral e nada aqui é prolixo. Naturalidade, espontaneidade, técnica, competência, peso, mágica...tudo conjugado numa apresentação absolutamente orgástica.

O começo fulgurante com "My Sunday Feeling" abre espaço para a primeira aparição de "My God", vindo ao mundo de forma inédita no festival e que estaria somente na masterpiece "Aqualung", lançada um ano depois. "With You There To Help Me" vira todos os holofotes para o monstro John Evan, fazendo barbaridades com seu instrumento. E durante "To Cry You A Song" entendemos perfeitamente porquê os shows de rock eram chamados nesta época de concertos: a sinfonia divinal de guitarras distorcidas aliada à completa simbiose dos músicos a seus instrumentos, tudo numa entrega total ao espetáculo e impregnado da alma de cada um, ajudados por um período histórico único para a música pesada acabava originando composições transcendentais como esta e a bem da verdade, como todas desta bolachinha.

"Bourée", música de J.S. Bach re-arranjada por Anderson, contém todo o delírio sensitivo que você puder imaginar de um gênio interpretando outro.

"Dharma For One" apresenta Clive Bunker em um solo de bateria fe-no-me-nal, que não é mero exercício atlético, mas tem sentimento, contexto, completude e razão de existir, ele é a expressão natural do êxtase provocado pela composição executada.

O final com "Nothing Is Easy" e o medley de "We Used To Know"/"For A Thousand Mothers" é a celebração última da mistura sublime de folk, rock e blues destes ingleses, além de ser o clímax do concerto.

O momento estava tão propício e inspirado que o Jethro Tull iria lançar, apenas durante a década de 70, no mínimo 8 obras primas do rock (basta conferir a discografia para corroborar esta afirmação).

"Live At The Isle Of Wight" faz-me querer quebrar o protocolo, dar uma nota acima de 10 seria perfeitamente cabível, mas isto torna-se desnecessário ao perceber que estamos lidando com deuses do rock n' roll. Tanto meu lado fã quanto meu lado crítico (que se completam numa simbiose harmoniosa e consciente) dizem-me que este álbum é um pouquinho além de histórico e perfeito. Que bom que assim seja, posso dormir tranqüilo, sem medo de cometer excessos. E acreditem meus amigos, sonhar com as levadas surreais de Ian Anderson não é nada mal! Comprem, porque momentos como esse são indubitavelmente impagáveis.

Um dos melhores ao vivo de todos os tempos.

Formação:
Ian Anderson (Vocal/Flauta/Violão Acústico)
Martin Barre (Guitarra)
Glen Cornick (Baixo)
Clive Bunker (Bateria)
John Evan (Teclado)

Site Oficial: http://www.j-tull.com




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Denuncie os que quebram estas regras e ajude a manter este espaço limpo.


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Jethro Tull"


Ninguém é perfeito: os filhos bastardos de pais famososNinguém é perfeito
Os filhos "bastardos" de pais famosos

Metallica: como o Jethro Tull encarou a vitória no GrammyMetallica
Como o Jethro Tull encarou a vitória no Grammy

Poeira: a fúria de Ian Anderson pra cima do Led ZeppelinPoeira
A fúria de Ian Anderson pra cima do Led Zeppelin


Aerosmith: Steven Tyler e três mulheres nuas no chuveiroAerosmith
Steven Tyler e três mulheres nuas no chuveiro

Batom, laquê...: Como formar uma banda de Hard Rock em 69 liçõesBatom, laquê...
Como formar uma banda de Hard Rock em 69 lições

Metalcore: os dez trabalhos essenciais do estiloMetalcore
Os dez trabalhos essenciais do estilo

Zakk Wylde e Dave Grohl: A treta por causa de canções para OzzyZakk Wylde e Dave Grohl
A treta por causa de canções para Ozzy

Rolling Stone: os 100 melhores álbuns dos anos 90Rolling Stone
Os 100 melhores álbuns dos anos 90

Roqueiro poser: 100 regras essenciais para se tornar umRoqueiro poser
100 regras essenciais para se tornar um

Whitesnake: em raro momento, Coverdale elogia John SykesWhitesnake
Em raro momento, Coverdale elogia John Sykes


Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

Mais matérias de Maurício Gomes Angelo no Whiplash.Net.