Resenha - Neon God Part II; The Demise - WASP
Por Carlos Eduardo Corrales
Postado em 17 de abril de 2005
Matéria extraída do site DELFOS – www.delfos.art.br
Uma grande dificuldade ao resenhar dois CDs que deveriam ter sido lançados em um mesmo pacote é diferenciar os dois textos. Ainda mais no caso do W.A.S.P. que, embora seja uma banda que eu gosto muito, já lançou vários álbuns bem parecidos uns com os outros, como The Crimson Idol, Still Not Black Enough e as duas partes deste The Neon God. Pois nesse caso, fica ainda mais difícil já que praticamente tudo o que disse na resenha da primeira parte (leia AQUI) serve para este novo lançamento.

The Neon God: Part 2 é a conclusão da saga do falso messias Jesse James em busca do sentido da sua vida. Como já é habitual nas composições do vocalista, guitarrista e dono da banda Blackie Lawless quando se aventura em fazer músicas sérias, as letras estão cheias de referências bíblicas, históricas, filosóficas e até cinematográficas, tornando a busca por essas referências uma das características mais marcantes e divertidas do disco, assim como na trilogia cinematográfica Matrix (leia AQUI). As letras deste álbum são realmente geniais, podendo ser enquadradas entre as melhores já compostas por Lawless.
Musicalmente, também gostei bem mais dessa segunda parte. Ok, não existe nenhuma composição aqui tão legal quanto Sister Sadie e Asylum #9 (ambas da primeira parte de The Neon God), mas é um disco bem mais nivelado do que o primeiro e, principalmente, com menos baladas. Boa parte das músicas que começa como balada, acaba ficando pesada depois, o que deixa o disco bem menos monótono. Esse é o caso de Clockwork Mary, por exemplo.
O principal destaque do disco vai para a faixa de abertura Never Say Die, cujo refrão inicialmente parece ir em uma linha meio Queen, mas que depois descamba no estilo bem tradicional do W.A.S.P. que dá vontade de sair pulando por aí. Outra que merece ser citada é Come Back To Black com seu refrão para lá de pegajoso.
The Neon God: Part 2 também traz a música mais longa da carreira do W.A.S.P.. Intitulada The Last Redemption, ela tem mais de 13 minutos e assim como toda música longa e boa, parece ter apenas uns 4 minutos. Ela é bem variada e também conta com um refrão bem na linha W.A.S.P. tradicional.
Não posso deixar de falar dos fantásticos solos de guitarra presentes no álbum. A cargo de Darrel Roberts, são daqueles que, quando você menos espera vai estar acompanhando com sua air guitar.
Na resenha do disco anterior, citei uma aparente influência de Savatage no W.A.S.P. (aproveite e leia a resenha do disco mais recente do Trans-Siberian Orchestra clicando AQUI). Pois aqui essa influência continua evidente devido à repetição de trechos de umas músicas em outras. Sim, eu sei que isso é usado muito em musicais de teatro e foi exatamente daí que o Savatage tirou a idéia. No meio do Rock/Metal, contudo, o Savatage foi a primeira banda que eu conheci que faz isso, então eu sempre vou relacionar essa característica aos caras.
A capa, obviamente, é uma referência direta à primeira parte, cuja única diferença entre uma e outra são as cores. Na minha opinião, se a primeira já era feia, essa ficou mais feia ainda com as cores predominantemente escuras. O encarte também é igualmente feio (igual ao do primeiro álbum). Todo preto, contém apenas as letras, resumo da história e agradecimentos tradicionais, sem nenhuma foto ou algo do tipo.
No geral, The Neon: God Part 2 é um disco melhor do que do primeiro. Mas mantenho minha dica da resenha anterior. The Neon: God Part 2 é indicado para aqueles que gostam do W.A.S.P. mais sério de The Crimson Idol e Still Not Black Enough. Para os que gostam da banda quando ela encara seu lado mais festeiro, resta torcer para que o próximo álbum venha na linha do Helldorado. E que a banda finalmente seja trazida para shows no Brasil. Já está na hora, você não acha?
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