Resenha - Live Without a Net - Van Halen
Por Carlos Eduardo Corrales
Postado em 03 de fevereiro de 2005
(Warner – 2004)
Matéria originalmente publicada no site
DELFOS – www.delfos.art.br
Finalmente o melhor home-video do Van Halen chegou aos DVDs. Lançado originalmente em 1986, Live Without a Net pega o VH em sua primeira turnê com o novo vocalista Sammy Hagar após a conturbada saída de David Lee Roth. Na época desse show, a banda estava a todo vapor, divulgando um de seus álbuns mais legais (5150, de 1986). Até hoje, seus fãs são divididos entre aqueles poucos que preferem Sammy Hagar e a grande maioria que prefere David Lee Roth (curiosamente, nunca conheci ninguém que preferisse Gary Cherone). Como eu sempre sou do contra (embora prefira dizer que tenho personalidade e opiniões próprias), eu gosto muito mais da banda com Hagar, o que torna este show uma delícia de ser assistido.

Existem duas formas de se avaliar este lançamento. Uma delas é pelo que o DVD contém, ou seja um show da banda. Outra é em comparação ao VHS dos anos 80. Vamos começar por esta última. O DVD é muito simples, a capa é feia e datada (tudo bem que arte gráfica nunca foi o ponto forte da banda), não existe encarte, o menu é feio e a imagem é a mesma do VHS, sem absolutamente nenhuma melhora. O som, por outro lado, recebeu um belo tratamento e está presente em Stereo, Dolby Digital e DTS. Não existe absolutamente nenhum extra no disquinho. É o show e pronto. Mas pelo menos não tem aquela falha irritante dos outros DVDs do VH (Live: Right Here, Right Now e Video Hits Volume 1) e muito presente em boa parte dos primeiros DVDs de música lançados: a falta de sincronia entre som e imagem – é um absurdo que algo tão óbvio passe pelo controle de qualidade de uma empresa. Na verdade, o negócio é tão simples que nem parece ter sido lançado em setembro de 2004, mas em algum momento do final do século passado, quando a tecnologia de vídeo digital ainda engatinhava.
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Mas agora vamos ao que realmente interessa: o conteúdo principal. Ah, e que show está presente nesse disquinho. A banda já começa com There’s Only One Way To Rock, o que pode e deve causar um certo estranhamento dos fãs afinal, trata-se de uma música da carreira solo de Sammy Hagar. Claro que devemos lembrar de dois pontos: 1 – Antes de entrar na banda, Hagar tinha uma carreira solo de sucesso. 2 – Essa música é perfeita para abrir um show. Rápida, pesada (para os padrões do Hard Rock, é claro) e empolgante pra caramba. E comparece aqui "Van Halenizada", em uma versão bem diferente da original e incrivelmente superior àquela presente no CD ao vivo Live: Right Here, Right Now, de 1992, contando com vários licks e mini-solos de Eddie Van Halen. Até Sammy dá um show nessa música, mostrando que além de um ótimo vocalista, é também um guitarrista muito competente, fazendo bonito em vários duelos com o virtuoso Eddie. Outra música onde Sammy assume as guitarras é a bela balada Love Walks In, onde ele manda muito bem nos três solos dos quais dois foram originalmente gravados por Eddie, enquanto este comanda os teclados.
O setlist é completamente baseado no álbum 5150 e traz suas músicas mais legais como a faixa-título, Best Of Both Worlds, Summer Nights e Why Can’t This Be Love, todas executadas de forma magistral pela banda. De músicas mais antigas, temos apenas a já citada There’s Only One Way To Rock, I Can’t Drive 55 (também da carreira solo de Sammy), Panama, Ain’t Talkin’ ‘Bout Love e Rock And Roll (cover do Led Zeppelin).
Aliás, aqui vale uma ressalva e uma alfinetada no nosso amigo Sammy Hagar, pois ele parece simplesmente querer fazer feio nas músicas originalmente gravadas por David Lee Roth. Falta de capacidade, nós sabemos que não é, pois suas músicas exigem muito mais técnica vocal do que as do vocalista anterior, então a única possibilidade restante é má vontade. E não sei o que ele pensava que ia ganhar fazendo isso, mas o cara simplesmente arruinou a fantástica Ain’t Talkin’ ‘Bout Love.
Uma outra coisa estranha no setlist é a ausência de músicas obrigatórias como Jump (o maior sucesso da banda) ou Dreams (música mais famosa do disco 5150, o mais recente na época desse show). Isso dá a impressão de que o show foi fatiado e, sinceramente, nunca vou entender porque alguém intencionalmente optaria por piorar seu lançamento excluindo músicas que já estão gravadas, erro cometido também pelo Shaman (leia resenha aqui) e pelo Judas Priest em seus DVDs Ritualive e Live In London, respectivamente. E o que é mais bizarro é que eles tiram essas músicas obrigatórias e deixam os chatíssimos solos individuais (embora, por mais que seja chato, o solo individual de Eddie Van Halen é meio que obrigatório). Até o solo de baixo está aqui. Faça-me o favor, existe alguém que não toca baixo e quer assistir a um solo desse instrumento?
Mas então o que torna este lançamento o DVD mais legal do Van Halen? A alegria e a energia que a banda mostra no palco. Eles brincam, pulam, dançam e fazem coreografias que parecem ter sido inventadas na hora. É praticamente impossível vermos algum dos membros da banda sem este estar com um grande sorriso no rosto. É aquele tipo de show onde está na cara que os músicos estão se divertindo tanto ou mais do que o público. E se a banda se diverte, o público (e o espectador) também se diverte. Afinal, não tem nada mais chato do que assistir a um show sem comunicação com a platéia e onde a banda fica com cara de emburrada o show inteiro (leia resenha do show do Children Of Bodom aqui).
Apesar dos defeitos, Live Without A Net é um daqueles DVDs que pode (e deve) ser assistido a qualquer momento, por pura diversão, pois traz músicas e performances igualmente divertidas. E diversão, afinal, é o grande objetivo de uma boa banda de Hard Rock, não é?
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