Resenha - Madmen and Sinners - Tim Donahue
Por Daniel Dutra
Postado em 15 de setembro de 2004
Nota: 9 ![]()
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Imagine um disco de guitarrista em que o dono do negócio fez quase tudo: escreveu todas as faixas, produziu e ainda tocou baixo e teclados. Se você torceu o nariz, escute Madmen and Sinners, terceiro trabalho de Tim Donahue. Sim, o cara é virtuoso e faz o que quer com a guitarra fretless - não, você não leu errado. É fretless mesmo - mas aposta mais no lado compositor do que instrumentista. Contando com a ajuda do vocalista do Dream Theater, James LaBrie, e do extraordinário batera Mike Mangini (ex-Annihilator, Extreme e Steve Vai), Donahue gravou um discaço.

Nem mesmo The End, que fica um pouco abaixo do restante do álbum, pode ser colocada de lado. Até a balada Wildest Dreams - levada por voz, violão e teclados, mesmo caso da curta Let Go - cai bem aos ouvidos. O restante, meu amigo, é uma maravilha e já começa com um arrasa-quarteirão. A pesada Million Miles é um convite ao trabalho impecável de bumbos de Mangini, responsável por polirritmias de tirar o fôlego aqui e também em Feel My Pain, na qual acompanha com maestria as passagens da guitarra.
Aliás, Feel My Pain é uma das amostras do trabalho correto de Donahue, que trabalha riffs com a atenção que muitos guitarrista dão apenas aos solos. Isso vale também para My Heart Bleeds, que tem um solo ainda mais curto, acreditem. Mas é claro que não estamos diante de um trabalho simples, que o diga a excelente Children of the Flame. Precedida pelo canto gregoriano Morte Et Dabo (que significa "The Gift of Death"), começa meio gótica e arrastada, com destaque para os teclados, e depois se transforma numa daquelas canções complicadas que têm início, meio e fim.
Se não deu para entender, ouça Master of the Mind, em que Donahue usa e abusa dos efeitos e consegue um ótimo resultado. O melhor, se é que isso possível, ficou para o fim. Madmen & Sinners é uma pequena obra-prima de 15min49s, com uma seqüência estonteante de passagens de fazer cair o queixo, sejam as mais intrincadas (as instrumentais) ou não (as com os vocais de LaBrie, que tem aqui uma de suas melhores performances nos últimos anos). E como ninguém é de ferro, aí sim Donahue solta os bofes e os egos para fora com um solo maravilhoso... Quando a música já está acabando. Sacou a diferença?
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