Resenha - Days of Rising Doom; The Metal Opera - Aina
Por Daniel Dutra
Postado em 05 de julho de 2004
Nota: 9 ![]()
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Sim, mais uma ópera-rock. Na verdade, uma ópera-metal. Mas o primeiro disco do Aina, Days of Rising Doom - The Metal Opera, tem predicados que o garantem num lugar de destaque. Todos os trabalhos do tipo são ambiciosos, claro, mas este possui um conceito único e conta com um time de compositores e músicos que fazem a diferença, do núcleo do projeto aos convidados especiais. Há nomes comuns a outras óperas lançadas recentemente no rock pesado, mas nada se compara. E ainda tem o formato tripo: o primeiro disco com a obra regular, o segundo com versões alternativas e inéditas e o terceiro sendo nada menos que um DVD recheado de detalhes.

Ex-guitarrista do Heaven's Gate e hoje conceituado produtor, Sascha Paeth foi o ponto de partida e chamou Robert Hunecke-Rizzo (produção, bateria, baixo, guitarra, baixo e arranjos), Amanda Somerville (concepção lírica e artística, história, letras e vocais) e Miro (teclados, efeitos e arranjos de orquestra) para dar vida ao Aina - clique aqui para ler uma entrevista com Somerville a respeito de como tudo começou e foi desenvolvido. O quarteto acabou se cercando também de músicos de talento indiscutível para, no fim das contas, gravar um trabalho excelente.
Aina Overture é a tradicional instrumental que abre os serviços. Pesada, rápida e orquestrada, acaba apontando o único problema de todo o CD: o metal melódico, sempre igual e viciado nos próprios clichês. Mas aí chega Revelations e você releva tudo quando Michael Kiske abre a boca. Não dá para disfarçar a empolgação, pois o que esse cara canta é um absurdo! Jens Johansson (Stratovarius) ainda faz um belo solo de teclado, mas fica com o papel de coadjuvante. Kiske ainda dá brilho a mais três músicas: a bela Silver Maiden, Restoration (em que é bem acompanhado por Simone Simons, do Epica) e a maravilhosa Serendipity.
As partes rápidas de Fight of Torek apresentam Tobias Sammet, com o vocalista do Edguy cada vez menos Kiske e mais Andre Matos (Shaman), enquanto a passagem mais lenta é feita com primor pelo sempre extraordinário Glenn Hughes. Outro grande destaque, o ex-Deep Purple arrasa também em The Siege of Aina, Talon's Last Hope e Rebellion. As três, no entanto, possuem outras características marcantes. A primeira tem um senhor refrão, Derek Sherinian (Planet X) nos teclados e a curta, porém ótima, participação de Candice Night (senhora Ritchie Blackmore e vocalista do Blackmore's Night).
A excelente Talon's Last Hope, com forte influência de Pink Floyd no início, conta com uma performance precisa de Matos, que explora muito bem os graves (recurso que melhorou muito nos últimos anos, diga-se), enquanto a ótima Rebellion dá conta com os trabalhos de Erik Norlander (teclados, Lana Lane) e Emppu Vuorinen (guitarra, Nightwish). Já Naschtok is Born, além de possuir um dos melhores solos de guitarra do álbum, a cargo de Paeth, é surpreendentemente agradável por fazer ressurgir o ótimo vocalista Thomas Rettke (ex-Heaven's Gate).
Ele também assume sozinho The Beast Within (uma das melhores e com grande riff de Paeth) e Son of Sorvahr (com T.M. Stevens no baixo), além de duelar com Marko Hietala (Nightwish) em Oriana's Wrath. Em todas, mostra que seria um desperdício ficar fora do cenário. As vozes feminina marcam maior presença na curta e bela Rape of Oria, mais uma vez com Candice Night, e na ótima Lalae Amêr, em que Cinzia Rizzo e Rannveig Sif Sigurdardottir (é isso mesmo, não tem erro de digitação) dividem os vocais em meio a melodias árabes muito bem sacadas - ah, claro: Thomas Youngblood (Kamelot) faz o solo de guitarra.
O segundo CD tem duas versões para The Story of Aina, uma delas instrumental e orquestrada; edições de single para The Beast Within e The Siege of Aina; e a demo de Talon's Last Hope, em que Hunecke-Rizzo faz quase tudo (apenas os backing vocals foram responsabilidade de Cinzia Rizzo). No entanto, o melhor está em Silver Maiden e Ve Toúra Sol - na verdade, Rape of Oria traduzida para o idioma do país Aina, o "Aindahaj". Quem assumiu os (ótimos) vocais foi Amanda Somerville, dando uma amostra de que deveria ter tido um papel solo em Days of Rising Doom - The Metal Opera.
No DVD, o video clip de The Beast Within (todo feito em computador com animação em terceira dimensão) e o documentário "The Making of Aina" (o nome já diz tudo, mas vale citar que há entrevistas com o quarteto responsável pelo projeto) são os grandes destaques - pena que o último não tenha imagens dos músicos que não gravaram suas partes na Alemanha. De resto, a indefectível galeria de fotos é acompanhada por detalhes das ilustrações do encarte e o passo-a-passo ilustrado da história (quer saber do que se trata? Acesse o site oficial do Aina).
(Hellion - nacional)
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