Resenha - Tempo Of The Damned - Exodus
Por Sílvio Costa
Postado em 02 de julho de 2004
Nota: 10 ![]()
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Certas bandas já deveriam ter acabado há muito tempo. Chega um momento em que a falta de garra e, principalmente, o "recesso criativo" tornam tudo muito repetitivo e sem graça. Viver do passado glorioso acaba sendo a única saída. Nem vou citar exemplos de grupos que vestem a carapuça do que acabei de dizer para não despertar a fúria dos leitores, mas eles, certamente, identificarão alguns grupos assim.
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Com o Exodus isso jamais aconteceu. Mesmo no tempo difíceis, a banda sempre lançou trabalhos de qualidade, como o incompreendido "Impact is Imminent" (1990). Mas "Tempo of the Damned" supera as expectativas até mesmo dos mais afoitos fãs da banda. Não é apenas um álbum feito para entrar para a história da música pesada. É um suspiro de criatividade e garra em meio ao mar de mesmice que a música pesada tem se afundado nos últimos tempos. Não é somente a melhor coisa que Gary Holt e cia. já fizeram. É um disco feito para todos aqueles que estão cansados de bandas tentando soar como a quintessência da criatividade, mas que só conseguem um pálido reflexo do verdadeiro espírito do metal. Mesmo correndo o risco de não ser muito isento, posso afirmar que este "Tempo of the Damned" não só é o legítimo sucessor do clássico "Bonded by Blood" (1985), como representa um passo adiante na reascensão do Exodus rumo ao trono do thrash metal.
A produção do disco ficou a cargo do já conhecido Andy Sneap (Kreator, Skinlab, Blaze Bayley e mais um monte de gente), que tornou o som do Exodus ainda mais pesado e compacto. O timbre das guitarras de Gary Holt e Rick Hunolt ficou ainda mais forte e, de modo geral, o som do disco é mais "na cara", como deve ser um bom disco de thrash metal. O trabalho de Sneap contribuiu de forma decisiva para que a banda não soasse datada, mas, antes, renovada. Quanto aos músicos, além dos destaques inegáveis para a dupla de guitarristas (seguramente estão entre os melhores do estilo), Tom Hunting (D) é outro que merece aplausos. Quem havia se acostumado com as levadas furiosas de clássicos como "Metal Command" ou "A Lesson in Violence" (ambas de "Bonded by Blood") vai se surpreender com a técnica e a velocidade desenvolvidas por Hunting em porradas como "Scar Spangled Banner" (uma justa "homenagem" a George W. Bush e suas sapientíssimas decisões) ou "Shroud Of Urine", para ficar só em dois exemplos. Além disso, o desempenho de Steve "Zetro" Souza é impecável, com momentos de fúria absoluta, como na velocíssima "Forward March" ou a fantástica faixa-título. A banda parece estar bastante à vontade com um sujeito tão talentoso como Sneap no comando de tudo e apresenta-se de forma bastante ousada, destilando riffs certeiros e músicas absolutamente inesquecíveis. Tudo soa como novidade, mas sem nunca perder de vista alguns dos elementos que tornaram a banda conhecida e respeitada nesses vinte anos.
Num disco tão bom é quase impossível eleger uma faixa favorita. Além da incrível "Tempo of the Damned", eu citaria a levada de "Impaler", cujo riff inicial remete a "Crazy Train" de Ozzy Osbourne e mais umas três ou quatro que sobressaem num disco sem pontos fracos. A levada de bateria de "War Is My Shepherd" e a raiva contida no andamento mais lento do início de "Blacklist" (que logo se converte em uma faixa repleta de elementos clássicos do thrash metal. Tanto que parece ter saído diretamente de "We´ve Come to You All", do Anthrax) também ajudam a torná-las destaques deste disco. O momento mais "calmo" do disco é o cover de "Dirty Deeds done Dirty Cheap" do AC/DC, já presente anteriormente no ao vivo "Good Friendly Violent Fun". A voz de Zetro Souza reproduz os timbres de Bon Scott sem tentar imitá-lo. A música ficou a cara do Exodus.
Riffs cortantes, levadas mid-tempo como há muito não se ouvia e, principalmente, garra e talento que fazem falta há um monte de gente que se meteu a fazer música nos últimos tempos. O Exodus mostra que heavy metal de verdade se faz com riffs furiosos e um trabalho musical , acima de tudo provocativo e energético. Debulhando suas guitarras e gritando uns "fucks" para aqueles que acham que o heavy metal está morto, aqui está o Exodus, dando um cruzado de direita na cara de muita bandinha metida a besta. É um álbum que vai trazer emoções fortes aos velhos fãs e, com toda certeza, conquistar uma legião de novos headbangers. Este é o melhor tributo que a banda poderia prestar ao saudoso Paul Baloff.
Tracklist:
Scar Spangled Banner
War Is My Shepherd
Blacklist
Shroud Of Urine
Forward March
Culling The Hand
Sealed With A Fist
Throwing Down
Impaler
Tempo Of The Damned
Dirty Deeds Done Dirty Cheap (Bonus track)
Line-up:
Steve Souza - Vocal
Rick Hunolt - Guitarra
Gary Holt - Guitarra
Jack Gibson - Baixo
Tom Hunting - Bateria
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