Resenha - Motus Perpetuus - Dynasty
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 19 de junho de 2004
Nota: 7 ![]()
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O Dynasty, uma das bandas pioneiras do metal cristão no Brasil, e depois de lançar uma demo e dois eps, somando 7 anos de luta, finalmente consegue colocar no mercado seu primeiro full lenght, com o emblemático nome de "Motus Perpetuus".

Só isso já é uma grande conquista. E é muito útil para demonstrar a dificuldade de se manter, levar a sério e obter sucesso com uma banda de metal no Brasil, ainda mais difícil por se tratar de uma banda declaradamente cristã (sim, o pré-conceito ainda existe, e em larga escala), não obstante a mentalidade estrangeira do headbanger brasileiro, que felizmente está mudando.
O estilo? Metal Melódico. Sim. O puríssimo e descarado metal melódico, praticado sem nenhuma pretensão de se desvencilhar disto, daqueles com vocal agudo, instrumentos na velocidade da luz, arranjos bem trabalhados e timbres de guitarra doces e harmônicos.
E já que as bandas do estilo se multiplicam mais rápido do que coelhos no cio, o que o Dynasty faz para se tornar uma banda única e obter destaque no meio? È impossível não fazer essa pergunta, e eis aí o grande problema! É aquele negócio: empolga, diverte, agrada os ouvidos, indicado para todas as horas do dia, mas a formulinha cansa e já não tem o mesmo efeito que outrora tivera.
O vocal de Nahor Andrade é limitado, e passa longe de se equiparar aos mestres da área como Timmo Kotipelto, Tobias Sammet, André Matos, Fabio Lione, Kai Hansen e cia, mas não compromete, e com algumas restrições, convence. E a bateria? Bom, nada que você não tenha ouvido antes. Baixo? Ótimo em alguns momentos, mas muito comportado. Teclados? Discretos e bem clichê. Bom, só sobraram as guitarras não é mesmo? Sim, e é aí que a banda consegue melhores resultados. Especialmente nas músicas que possuem mais riffs (daqueles empolgantes mesmo) e com mais variações, incorporando mais elementos do heavy tradicional (recurso que faz um bem imenso ao estilo) e do prog metal (bem levemente), o que está mais visível na fantástica "The Word That Remains", a melhor do álbum, com certeza. "Following The Sign" é puríssimo metalzão melódico, com direito á aquelas tradicionais suítes instrumentais e belas viradas de bateria. Ouça também a pedregosa "Salvation" e suas saudades do Stratovarius vão ser amenizadas. "Just For Loving You" é a típica balada que não funciona, e esta ali apenas para preencher espaço, piegas até a alma. Deslize que é compensado pela ótima "The Time Is Over", a mais trabalhada e memorável do álbum que é fechado com a igualmente ótima "Goldenland". Acho que a ordem das músicas é que acabou prejudicando, pois o álbum é bem melhor do que parece.
O trabalho gráfico está bem bacana, este que ficou á cargo de Marcus Ravelli (desenhista de mão cheia e vocalista do Thespian, uma ótima banda de metal melódico mineira, que aliás pode muito bem ser comparada ao Dynasty, mas que é mais devastadora e já alcançou um nível mais alto).
A produção de Ricardo Parronchi está ótima, uma das melhores que já vi em bandas cristãs no Brasil. É um metal melódico muito bem feito, de gente que sabe o que está fazendo, que diverte pra caramba e vai fazer a alegria dos fãs do estilo, mas em raros momentos impressiona de verdade, o que praticamente leva a zero a chance de ser surpreendido por alguma coisa.
"Motus Perpetuus" é a expressão do que poderia ter sido e não foi. Poderia ser um devastador álbum de metal melódico, capaz até de incentivar as bandas cristãs do estilo, mas não é. Faltam só alguns detalhes para chegar lá. Dar uma caprichada nos refrões, colocar mais riffs e fazer um som que consiga demonstrar mais coisa do hard rock, do heavy tradicional e do prog metal são algumas dicas. Uma dose extra de agressividade também não faz mal á ninguém.
Mas, no final das contas, o saldo é positivo e os erros são perdoáveis. Vocês também não acham que o Edguy já nasceu sabendo fazer aquele metal melódico que encanta o mundo hoje em dia não é mesmo? Dê uma chance ao Dynasty, pode ter certeza que os "prós" superam os "contras", e os caras merecem. É só o começo, e para um debut está de muito bom tamanho. Só posso desejar um próspero e evolutivo caminho para Nahor Andrade e Cia. Eles tem talento e sabem como melhorar.
God Bless You Guys. Take Your Faith To The Extreme.
Formação:
Nahor Andrade (Vocal)
César Martins (Guitarra)
Tuta (Guitarra)
Ivan Almeida (Baixo)
Ademir Machado (Bateria)
Gustavo Ivon (Teclados)
Track – List:
01 – Not In Vain
02 – Eternity
03 – Against All Evil
04 – The Word That Remains
05 – Miztvoth
06 – Following The Sign
07 – Another Chance
08 – Salvation
09 – Just For Loving You
10 – The Time Is Over
11 – Goldenland
Tempo Total: 57:19 min.
Site Oficial: www.dynasty.com.br
Material Cedido Por:
Avantage Records
http://www.avantagerecords.com
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