Resenha - Contraband - Velvet Revolver

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Por Bruno Romani
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Tentando recuperar o tempo perdido. A missão da banda Velvet Revolver, mais do que qualquer coisa, é tentar devolver ao guitarrista Slash, ao baixista Duff Mckagan e ao baterista Matt Sorum o lugar no topo do mundo musical que lhes foi precocemente tomado pelo ego do vocalista Axl Rose. Na mesma linha problemática, o Stone Temple Pilots teve, em 1996, sua trajetória abalada durante seu maior momento de sucesso devido ao duradouro e persistente envolvimento do vocalista Scott Weiland com as drogas.

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Desde então, as carreiras do trio do GNR e de Scott Weiland nunca mais emplacaram, embora inúmeros projetos tenham sido tentados. Ao mesmo tempo, o mundo da música mudou consideravelmente e "Contraband," álbum de estréia do quarteto que incorporou o também guitarrista Dave Kushner, demonstra uma banda ainda tentando se encaixar nesse novo panorama musical. Por vezes é difícil determinar a direção para qual o VR aponta, tamanho é o flerte com estilos diferentes dentro desse mundo chamado Rock n'Roll.

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O álbum inicia sua jornada com "Sucker Train Blues" e "Do it For the Kids," dois números que bebem da fonte de águas turvas do Punk Rock. "Illegal I Song" remete ao bom e velho Heavy Metal, com suas paredes sólidas criadas pelas guitarras de Slash e Kushner sendo cortadas pelas melodias espaciais de Weiland. "Slither," o single do grupo, resgata o som grunge que consagrou milhares de bandas no início dos anos 90. "Headspace" e "Superhuman" carrega os riffs envolventes das bandas de Hard Rock dos anos 80. Ironicamente, tanta indecisão por parte da banda acaba gerando poder de decisão para a diversificada base de fãs dos músicos. Dependendo de gostos, pode-se achar perfeita a volta dos riffs oitentistas ou dos vocais emotivos dos anos 90.

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Na tentativa de buscar a melhor sonoridade, o VR também passeia por territórios conhecidos das carreiras de GNR e STP. "Big Machine" parece sair diretamente do aclamado álbum "Tiny Music" do STP para as fileiras do VR. O minimalismo na bateria e o cuidado com cada melodia produzida tanto pelas guitarras quanto pelos vocais são responsáveis por um dos melhores momentos nesse mar de irregularidades. "Spectable" teria lugar fácil no álbum "4" do STP, e "You Got No Right" é um estranha mistura da balada "Wonderful" com os solos da épica "Estranged" do GNR.

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Ao revisitar "You Could be Mine" do GNR, a banda acabou por criar o clássico instantâneo "Set Me Free." Bateria frenética, guitarras cortantes e refrão grudento mostram que apesar do limbo, a capacidade desses músicos para criar hinos para consumo rápido continua presente em algum lugar. Por outro lado,a banda escorrega feio no refrão de "Loving the Alien," uma combinação de tranquilizantes com o riff inicial da balada "Sweet Child o' Mine."

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Confuso, existe espaço em "Contraband" até mesmo para um "auto-cover." "Dirty Little Thing" é uma versão preguiçosa para "Sucker Train Blues." Para completar, Slash, Mckagan e Sorum retornam ao território de grandes "jams" habitado por "Double Talkin Jive" ou "Don't Damm Me" em "Illegal I Song" e "Superhuman."

No meio dessa agitacão de estilos e versões revisitadas, fica claro que a banda não precisa trazer para a luz da vida as "power-ballads" típicas das bandas oitentistas. "Fall to Pieces" e "You Got No Right," embora embelezadas pela destreza de Slash como compositor e guitarrista, apenas trazem um sabor embolorado à boca e um cheiro de naftalina às narinas. Como nos tempos de STP e em seu álbum solo, Scott Weiland mostra uma vez mais não ter o cacoete necessário para conduzir baladas. O resultado é entediante, talvez sendo o pior que há no disco.

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Como contra-ponto, as performances presentes no disco são um ponto muito positivo da banda. Matt Sorum provavelmente gravou seu melhor álbum desde o solitário e longínqüo projeto "Neurotic Outsiders." Mckagan, agora com a experiência que somente os anos trazem, demonstra confiança e poder nas composições. Slash continua sendo o guitarrista dono de solos bem característicos, fazendo cada nota tocada remeter o ouvinte a aquela velha imagem do músico do GNR com a cartola na cabeça. Weiland também aparece muito bem com suas melodias complexas e difíceis de serem digeridas a primeira ouvida. Talvez seu melhor trabalho desde o "Tiny Music."

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A temática do álbum e das letras é uma velha conhecida dos músicos. As drogas e incapacidade de lidar com essas permeia praticamente todas as letras do álbum. Tratar do assunto que mora no "Core" de cada um desses artistas parece gerar fome no VR. Mas não seria esse um "Appetite for Destruction," mas sim "Appetite for Resurrection." Toda essa energia traduzida em batidas rápidas, guitarras enlouquecidas e vocais incessantes talvez seja o caminho certo. Embora inconstante e longe do rótulo de clássico, "Contraband" é um bom começo. Axl Rose deve estar morrendo de inveja.

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