Resenha - Mabool; The Story of the Three Sons Of Seven - Orphaned Land

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Por Bruno Coelho
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Nota: 10


Por vezes, ao começar uma resenha, me pergunto se vale a pena contar toda a história de uma banda antes de falar do lançamento. No caso desta banda aqui cada detalhe é importante e não pode passar batido.

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Pra começo de conversa, o Orphaned Land é uma banda de Israel, e quem já sabia disso pode não lembrar que Israel é o único país democrático do mundo árabe. O único onde você pode escutar e vestir o que bem entender! Sendo assim, o Orphaned Land é a primeira banda do oriente médio a alcançar o mundo. O simples fato desta banda alcançar distribuição mundial através da Century Media já é um marco na história da cena. Alguém lembra quando a primeira sueca ou finlandesa chegou aqui no Brasil? Alguém lembra quando o Sepultura começou a ser divulgado e distribuído lá fora? Lembra do Rhapsody abrindo a cena italiana? Eu posso estar enganado, mas se as bandas de Israel forem tão boas quanto o Orphaned Land, estaremos vendo nascer mais um profícuo celeiro no mundo metálico!

A banda começou em 1991 com o nome Ressurection, mudando para o atual nome meses depois. Gravaram a demo The Beloved's Cry em 1993, reeditaram-na em 1999, e lançaram os discos Sahara (1994) e El Norra Alila (1996), tendo conseguido certo reconhecimento e algumas boas resenhas, já que eram distribuídos por um selo italiano. Pararam por problemas pessoais e desavenças entre integrantes. Voltaram em 2003, depois do convite da Century Media.

Falando do disco, tenho que lhes informar que é acachapante a mistura de estilos e instrumentos que vemos aqui. Além dos elementos fundamentais (baixo, guitarra, bateria) temos cordas de todos os tipos (violões, violinos, violoncelos e uma pá de cordas orientais de que eu nunca tinha ouvido falar), elementos percussivos variados, 30 convidados (um deles toca 10 tipos diferentes de percussão), corais e uma renca de instrumentos que nem Hermeto Pascoal deve saber que existem!

O disco só podia ser o "samba do crioulo doido", não é? Podia, mesmo! Mas não é! Incrivelmente coeso, o diabo do disco ainda é conceitual! Quer saber mais? Tem Death, Tradicional, Prog, Doom, Gothic, música árabe, orquestrações e passagens extremamente acústicas... tem de tudo no disco! TINHA QUE SER UMA GOROROBA! UMA MISTUREBA DO INFERNO! Mas não é... e isso pode até irritar muito músico por aí, sabia? Tem banda com 10 anos de estrada, com 4 componentes, usando só 3 instrumentos diferentes, que não conseguiu a coesão musical que o Orphaned Land conseguiu neste Mabool! TEM MAIS! Os vocais incluem coros, masculino urrado, masculino limpo e feminino, além de serem feitos em cinco idiomas diferentes. Tudo feito com maestria.

O conceito do disco é baseado no grande dilúvio da Bíblia e todos os outros grandes dilúvios contados pelas mais diferentes culturas e religiões. Para esta história, o Orphaned Land criou três heróis - um muçulmano, um judeu e um cristão. Estes três heróis tentam parar com o banho de sangue causado pelas brigas entre os membros destas religiões. O final é trágico, assim como na vida real, mas a viagem até o final da história é magnífica! Como já disse, o ouvinte flutua entre passagens prog metal (referências de Symphony X no instrumental), com vocais Death (algo da escola de Gotemburgo) e acaba caindo num clima Doom (Sisters of Mercy/The Mission). Tudo em perfeita harmonia!

Como destaques absolutos temos as três primeiras faixas: Birth of The Unicorn, Ocean Land e The Kiss of Babylon, seguidas da faixa título e de The Storm Still Rages Inside. O disco é bem mais suave entre as faixas 4 e 9, o que pode fazer com que um ou outro cidadão incauto torça o nariz.

- "Mas não é só isso! Ao comprar este maravilhoso álbum do Orphaned Land, você ganha, totalmente grátis, mais um cd do Orphaned Land! Sem nenhum custo adicional! Não é isso, Janaína?"

- "É isso mesmo TED! Além deste belíssimo álbum do Orphaned Land você ganha também um cd bônus acústico, gravado em 2002, com 3 faixas dos primeiros discos, um cover para "Mercy" do Paradise Lost e um medley de nove minutos! Não é legal, gente?"

Pois é... O disco acústico também é bem legal! Vale para conhecer uns sons antigos da banda. As músicas deste acústico tiveram suas partes mais METAL rearranjadas para aquela apresentação. Não é fantástico, mas bem interessante!

Indicado:

1 - Para aquele teu amigo pagodeiro filho da puta que te enche dizendo que metal é tudo igual, que é só grunhido e gente se drogando.

2 - Para quem está de saco cheio das viadagens do Timo Tolkki e está a fim de escutar uma banda onde neguinho não tem o ego do tamanho de um Olifante!

3 - Para quem tem mais cérebro do que atitude. Radicais - passem longe!

Contra indicado:

1- hmmmm... para Osama bin Laden ou Sadam Hussein.

2- Para aquela sua vó que já tá meio surda.

3- Pro Joselito...




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Sobre Bruno Coelho

Bruno Coelho é Arquiteto, escritor, poeta, produtor de eventos, pai, tradutor, intérprete e professor de inglês. Morou em cinco capitais brasileiras e hoje dedica-se ao árduo labor de organizar eventos na capital maranhense de São Luís. Fã do Dream Theater, Tool, Symphony X, Pain of Salvation e Evergrey, encontra espaço pra novas bandas e vertentes sempre.

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