Resenha - Tales from the Black Book - Vulcano
Por Sílvio Costa
Postado em 11 de junho de 2004
Na década de 80 esse negócio de fazer música pesada no Brasil era muito diferente do que é hoje. Os espaços eram ainda menores e não existia nada parecido com uma rede de informações voltadas para o underground, coisa que, bem ou mal, se tem nos dias de hoje. Foi nessa época, mais precisamente em 1981 que o então guitarrista Zhema se juntou ao baixista Carli Cooper e ao também guitarrista Paulo Magrão e fundaram o Vulcano. Na época, a banda estava sediada em Osasco, mas logo se mudaria para Santos. Foi uma das primeiras bandas do Brasil (eu diria que uma das primeiras fora da Europa) a fazer o que hoje se denomina black metal. O resto é por demais parecido com as histórias de muitas outras bandas. Depois de um single lançado em 1983 e quatro álbuns, o falecimento do guitarrista Soto Jr. em 2001 e muitas outras reviravoltas. A banda "hibernou" em 1990, e só agora ressurge com este Tales from the Black Book, o primeiro disco de estúdio em 14 anos.

Da formação original (aquela que gravou o single Om Pushne Namah há mais de 20 anos), apenas o agora baixista Zhema permaneceu. O antigo vocalista Angel também está presente e o ex-baterista Laudir Pilloni participa de uma faixa. O Vulcano parte para mais uma aventura no underground fazendo aquele death/black que já os havia transformado em uma das bandas mais queridas do underground paulista desde os anos 80.
Infelizmente, porém, o trabalho padece pela falta de capricho na produção. Nada que se compare ao som tosco e mal polido que se tinha há vinte anos, quando ninguém sabia o que era metal extremo nem como fazer aquela podreira toda fazer algum sentido depois de gravada. O problema é que a banda parece ter resolvido apostar em uma sonoridade crua demais, quando se leva em conta a experiência do grupo. Algumas músicas estão realmente entre as melhores que a banda já produziu, mas a qualidade sonora do disco ficou muito aquém das expectativas. Nada muito prejudicial, no entanto. A potência sonora da banda é a mesma que encantava os deathbangers de vinte anos atrás.
Mas isto não impede ninguém de sair jogando caspa no chão ao som de porradas como "Face of the Terror", "Pristes of Bacchus" ou "Obskure Soldiers". A banda se sai bem até quando arrisca-se em português, como em "Guerreiros de Satã" e "Total Destruição", duas regravações de temas presentes no disco Vulcano Live!, de 1985. Entretanto, a parte instrumental - uma mescla muito bem sacada entre um thrash a la Slayer e a fase mais antiga e interessante do Sarcófago - é o grande destaque deste disco. É um disco muito bem vindo numa época em que o underground parece estar cada vez mais fortalecido graças a uma infinidade de novas mídias e novos meios de comunicação. É para não ter vergonha de pegar uma "air guitar" e sair bangeado enlouquecidamente.
Line-up:
Zhema - Baixo
Angel - Vocal
Arthur - Bateria
André - Guitarra
Passamani - Guitarra
Materal cedido por:
Renegados Records
[email protected]
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Luis Mariutti se pronuncia sobre pedidos por participação em shows do Angra
Músicos da formação clássica do Guns N' Roses se reúnem com vocalista do Faster Pussycat
Black Sabbath "atrapalhou" gravação de um dos maiores clássicos da história do rock
Jessica Falchi critica sexualização da mulher na guitarra: "Não me verão tocando de biquíni"
ZZ Top confirma três shows no Brasil em novembro
O melhor álbum da banda Death, segundo o Loudwire
Por que o Lollapalooza parece ter "só bandas que você não conhece", segundo o Estadão
Paul Di'Anno diz que Iron Maiden ficou pretensioso demais na fase de "Killers"
As 35 melhores bandas brasileiras de rock de todos os tempos, segundo a Ultimate Guitar
Vocalista encoraja fãs a conhecer a fase farofa do Pantera
A banda responsável por metade do que você escuta hoje e que a nova geração ignora
A música tocante do Dream Theater inspirada por drama familiar vivido por James LaBrie
O álbum que melhor sintetiza a proposta sonora do AC/DC, segundo Angus Young
Angra anuncia fim do hiato e turnê em celebração ao disco "Holy Land"
Depois de mais de quarenta anos, vendas de discos de vinil nos EUA superam US$ 1 bilhão
Revista Metal Hammer elege o melhor álbum do metal de todos os tempos
Black Sabbath: o dia em que Tony Iommi quase matou Bill Ward
O vocal que James Hetfield não conseguiu atingir na hora de gravar; "não consigo cantar isso"


A todo o mundo, a todos meus amigos: Megadeth se despede com seu autointitulado disco
"Old Lions Still Roar", o único álbum solo de Phil Campbell
Virgo um dos álbuns mais importantes da carreira de Andre Matos
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes



