Resenha - Tales from the Black Book - Vulcano

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Por Sílvio Costa
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Na década de 80 esse negócio de fazer música pesada no Brasil era muito diferente do que é hoje. Os espaços eram ainda menores e não existia nada parecido com uma rede de informações voltadas para o underground, coisa que, bem ou mal, se tem nos dias de hoje. Foi nessa época, mais precisamente em 1981 que o então guitarrista Zhema se juntou ao baixista Carli Cooper e ao também guitarrista Paulo Magrão e fundaram o Vulcano. Na época, a banda estava sediada em Osasco, mas logo se mudaria para Santos. Foi uma das primeiras bandas do Brasil (eu diria que uma das primeiras fora da Europa) a fazer o que hoje se denomina black metal. O resto é por demais parecido com as histórias de muitas outras bandas. Depois de um single lançado em 1983 e quatro álbuns, o falecimento do guitarrista Soto Jr. em 2001 e muitas outras reviravoltas. A banda "hibernou" em 1990, e só agora ressurge com este Tales from the Black Book, o primeiro disco de estúdio em 14 anos.

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Da formação original (aquela que gravou o single Om Pushne Namah há mais de 20 anos), apenas o agora baixista Zhema permaneceu. O antigo vocalista Angel também está presente e o ex-baterista Laudir Pilloni participa de uma faixa. O Vulcano parte para mais uma aventura no underground fazendo aquele death/black que já os havia transformado em uma das bandas mais queridas do underground paulista desde os anos 80.

Infelizmente, porém, o trabalho padece pela falta de capricho na produção. Nada que se compare ao som tosco e mal polido que se tinha há vinte anos, quando ninguém sabia o que era metal extremo nem como fazer aquela podreira toda fazer algum sentido depois de gravada. O problema é que a banda parece ter resolvido apostar em uma sonoridade crua demais, quando se leva em conta a experiência do grupo. Algumas músicas estão realmente entre as melhores que a banda já produziu, mas a qualidade sonora do disco ficou muito aquém das expectativas. Nada muito prejudicial, no entanto. A potência sonora da banda é a mesma que encantava os deathbangers de vinte anos atrás.

Mas isto não impede ninguém de sair jogando caspa no chão ao som de porradas como "Face of the Terror", "Pristes of Bacchus" ou "Obskure Soldiers". A banda se sai bem até quando arrisca-se em português, como em "Guerreiros de Satã" e "Total Destruição", duas regravações de temas presentes no disco Vulcano Live!, de 1985. Entretanto, a parte instrumental - uma mescla muito bem sacada entre um thrash a la Slayer e a fase mais antiga e interessante do Sarcófago - é o grande destaque deste disco. É um disco muito bem vindo numa época em que o underground parece estar cada vez mais fortalecido graças a uma infinidade de novas mídias e novos meios de comunicação. É para não ter vergonha de pegar uma "air guitar" e sair bangeado enlouquecidamente.

Line-up:
Zhema - Baixo
Angel - Vocal
Arthur - Bateria
André - Guitarra
Passamani - Guitarra

Materal cedido por:
Renegados Records
renegadosrecords@mail.pt




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Sobre Sílvio Costa

Formado em Direito e tentando novos caminhos agora no curso de História, Sílvio Costa é fanzineiro desde 1994. Começou a colaborar com o Whiplash postando reviews como usuário, mas com o tempo foi tomando gosto por escrever e espera um dia aprender como se faz isso. Já colaborou com algumas revistas e sites especializados em rock e heavy metal, mas tem o Whiplash no coração (sem demagogia, mas quem sabe assim o JPA me manda mais promos...). Amante de heavy metal há 15 anos, gosta de ser qualificado como eclético, mesmo que isto signifique ter que ouvir um pouco de Poison para diminuir o zumbido no ouvido depois de altas doses de metal extremo.

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