Resenha - Krig-Ha, Bandolo! - Raul Seixas
Por Carlos Roberto Merigo Filho
Postado em 02 de julho de 2000
No ano de 1966, aquele que seria chamado mais tarde de maluco beleza, Raul Seixas, já era conhecido na Bahia com a sua banda Raulzito e Os Panteras. Fizeram diversas apresentações, incluindo uma no Festival da Juventude no cine Roma, onde foram obrigados a voltar ao palco mais cinco vezes, de tão aplaudidos. Nessa época ele conhece a americana Edith Wisner, filha de um pastor, pára de tocar e volta aos estudos. Raul passa entre os primeiros colocados da Faculdade de Direito e declara: "Viu como é fácil ser burro?"
Casa-se com Edith, e depois de muita insistência de Jerry Adriani, volta a tocar com os Panteras. Mudam-se para o Rio de Janeiro, onde em 1968 gravam o primeiro disco, agora chamado de Raulzito e Seus Panteras. O álbum foi um fracasso total, a banda se dissolve e Raul volta pra Salvador.
Em 1970, Jerry Adriani apresenta Raul ao diretor da gravadora CBS, que o convida para ser produtor de discos. Raul aceita e passa a produzir para diversos artistas. Em 1971, ele produz e participa do seu primeiro disco de maior expressão "Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez". Porém, só em 1972 no Festival Internacional da Canção, todo o Brasil conheceria Raul Seixas através do rock-baião "Let Me Sing". Raul e sua banda, embora sem crédito, interpretaram inteiramente o LP "Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock" em 1973.

Era chegada a hora de partir para seu primeiro trabalho solo, o álbum "Krig-Ha Bandolo!" pela Phiplips/Polygram. E se o produtor Raul Seixas aprendeu sua profissão no estúdio, o jovem Raulzito foi desde cedo emérito rato de livraria, lendo de tudo, desde gibis a livros de filosofia. Nesse disco Raul já conta com a parceria de Paulo Coelho na maioria das canções.
Raul começaria então, a destilar todo seu veneno, ironia e humor ácido contra a sociedade vigente e aos valores impostos por ela. Na primeira música do disco "Mosca Na Sopa", Raulzito já mostra que cutucaria essa sociedade por muito tempo ainda e que não adiantaria dedetizá-lo, pois nem assim poderiam extermina-lo. Canção essa que mistura dois elementos musicais, começando solenemente com o som de batucadas, berimbau e palmas de rodas de capoeira chegando até ao ritmo contagiante do Rock ‘n Roll. Era Raul, começando a perturbar o nosso sono.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Segunda faixa, "Metamorfose Ambulante" nasceu já clássica, se tornando pouco tempo depois um sucesso estrondoso. Nela Raul mostra todas as suas faces, o Raul Guru, o Raul Raulzito, o Raul Maluco Beleza e sobretudo o que nem ele sabia o que era. Define perfeitamente a consciência humana, mostrando que não sabemos o que somos e que amanhã seremos completamente diferentes. Um ode ao livre pensamento e à necessidade de reconsiderar conceitos e opiniões. Uma das mais importantes canções do cânone raulseixista.
Como de costume, Raul adorava modificar as letras de suas músicas durante os shows. Em um show em São Paulo, 1983, Raul alterou a letra de "Metamorfose Ambulante" da seguinte forma: "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela podre velha opinião formada sobre tudo, formada sobre toda essa babaquice que esta ai existindo e parando sobre nossas cabeças, essa lama que a gente engole e não faz nada, mas esse caos de gente é o sinal de que algo esta pra acontecer." Que se concluiu numa performance arrebatadora.

Nesse mundo de sobe e desce, altos e baixos, "Dentadura Postiça" define o que entra e o que sai.
"As Minas do Rei Salomão", onde o real e o falso se encontram quando o princípio encontra o fim. É pensar na relatividade da importância dos fatos e dos objetos pra quem se esqueceu do passado e se perdeu no presente.
Violão e clima espacial abrem e percorrem "A Hora Do Trem Passar", onde Raul pergunta se é hora de partir ou hora de chegar. Aliás tudo passa, e já que vai passar porque não esperarmos e admirarmos a solidão do amanhecer?
Rock ‘n Roll rasgado e puro em "Al Capone", que junta Hendrix, Frank Sinatra, Júlio César, Al Capone e Jesus Cristo na imortal frase de Bob Dylan: "Não existe sucesso como o fracasso e o fracasso não é sucesso algum".

Gravada no estúdio da CBS, Raul canta em inglês e diz ter escrito para Elvis Presley a canção "How Could I Know", sétima do disco.
Em "Rockixe", Raulzito canta a mediocridade e o ridículo do "way of life" comandado pela indústria capitalista, mesmo que se encontre na esquina da falência ele diz: "O que eu quero eu vou conseguir!"
Cachorro-Urubu afirma que "aquilo que aconteceu na França sempre vai se repetir, essa mesma briga por um cigarro de palha", sempre brigando pelo básico necessário. Uma alusão aos movimentos estudantis que tomaram a França em 1968.
Pra fechar este grande álbum, um dos maiores sucessos da década de 70 no Brasil, que se tornou um clássico absoluto da música brasileira. Para promover o disco, Raul circulava pelas ruas da cidade com o violão na mão cantando "Ouro de Tolo", que é um tapa na cara dos valores do ser mediano, mostrando toda a mediocridade do ser humano.

"É você se olhar no espelho se sentir um grandissíssimo idiota, saber que é humano, ridículo, limitado, e que só usa dez por cento de sua cabeça animal. E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial que está contribuindo com sua parte para o nosso belo quadro social."
Raul nos mostra que o mundo vai além disso que pensamos, que podemos mudar nosso destino já que "existem mais coisas entre o céu do que supõe nossa vã filosofia". Pensamento esse, mostrado claramente no final da canção: "Eu que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar. Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais, no cume calmo do meu olho que vê assenta a sombra sonora de um disco voador"
Esse era apenas o trabalho inicial da carreira solo de Raul Seixas, onde ele já mostra as suas armas, suas doses de luta contra o conformismo, porque como ele mesmo diria: "Um microfone nas mãos é uma grande arma se usado com sabedoria!"
"Gita", o próximo disco de Raul faria um sucesso estrondoso e é fator responsável por livra-lo do exílio nos Estados Unidos. E esse é um outro álbum que em breve estará na discografia básica.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
O cover gravado pelo Metallica que superou meio bilhão de plays no Spotify
A condição de Ricardo Confessori pra aceitar convite de Luis Mariutti: "Se for assim, eu faria"
A curiosa lista de itens proibidos no show do Megadeth em São Paulo
A banda de abertura que fez Ritchie Blackmore querer trocar: "Vocês são atração principal"
Dez músicas clássicas de rock que envelheceram muito mal pelo sexismo da letra
Bangers Open Air inicia venda de ingressos para 2027; confira possíveis atrações
Astro de Hollywood, ator Javier Bardem fala sobre seu amor pelo Iron Maiden
Sepultura se despede entre nuvens e ruínas
A música do The Police em que Sting se recusou a tocar: "Enterrou a fita no jardim"
A banda de metal que Lars Ulrich disse que ninguém conseguia igualar: "Atitude e vibração"
O clássico lançado pelo Metallica em 1984 que revoltou os fãs: "Eles surtaram"
"Exageraram na maquiagem em nós": Chris Poland lembra fotos para álbum do Megadeth
Guns N' Roses supera a marca de 50 shows no Brasil
A opinião de Renato Russo sobre o sucesso dos Mamonas Assassinas
Qual é a visão política do Ultraje a Rigor, segundo o guitarrista Marcos Kleine
A banda Grunge que era a preferida de todos os headbangers, conforme Ellefson

"O Raul, realmente é pobre também assim, é tosco"; Guilherme Arantes entende fala de Ed Motta
O que Titãs e Camisa de Vênus têm que outras do rock não têm, segundo Raul Seixas
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
Como trajetórias de Raul Seixas e Secos & Molhados se cruzaram brevemente
Em 1977 o Pink Floyd convenceu-se de que poderia voltar a ousar

