Resenha - Última Noite / Ninja - Centúrias

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Por Guilherme Vignini
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Nota: 9


Este é um dos mais importantes relançamentos do Heavy Metal nacional, dos últimos anos. Luiz Calanca, da Baratos Afins, abriu seus arquivos e relançou em um único cd os dois álbuns do Centúrias, uma das bandas mais importantes do Brasil. Se você tem menos de trinta anos, provavelmente desconhece a importância dessa banda. Para isso precisaria voltar ao começo dos anos 80, onde os shows internacionais eram escassos, a aparelhagem era horrível (é isso aí, não tinha essa moleza de lojas carregadas de Fenders ou Gibsons), e o pessoal apoiava as bandas nacionais de verdade. O Centúrias, e outras bandas como Vírus, Cérbero, Harppia e várias outras, facilmente tocavam em teatros e ginásios lotados. E todas essas bandas cantando em português.

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O primeiro álbum, "Última Noite" de 1985, conta com a seguinte formação: Eduardo Camargo - vocais, Adriano Giudice - guitarra, Rubens Guarnieri - Baixo e Paulo Thomaz - bateria. Começa com "Não Pense, Não Fale" um clássico nos shows da época. Com um vocal rasgante, com grandes influências de Rob Halford, O vocalista Edu dá um show. "Rock na Cabeça", é mais uma música que era um hino, uma saudação ao rock'n roll.

Logo depois entra a boa "Chama de Pouca Idade" e a regravação de "Duas Rodas", que já havia sido gravada na coletânea SP Metal, mas dessa vez com um pique mais hard. Imperdível!!!

"Inferno Fácil" e "Última Noite" encerram com chave de ouro a fase do Centúrias com essa formação. Logo em seguida Paulo, (o popular "Paulão"), chamou para os vocais do ex-Santuário César "Cachorrão" Zanelli, e os ex-fundadores do Harppia, Marcos Patriota para a guitarra e Ricardo Ravache no baixo.

Essa formação foi umas das melhores do cenário metálico. Cachorrão, com influências de Rob Halford, e Marcos e Ricardo que eram influenciados por bandas como Gentle Giant, U.K. ou S.O.D. e Anthrax, trouxeram um novo pique a banda. Se na formação anterior era dada mais ênfase ao hard-rock, agora era puro metal.

Para comprovar isso os registros dessa fase começam com "Animal" um começo poderoso, seguido por umas das melhores músicas da época, "Senhores da Razão", com um grande solo de guitarra. "Guerra e Paz" é outra música que era freqüentemente requisitada, com um trabalho vocal perfeito a música é um clássico.

"Arde Como Fogo" é uma saudação ao rock, Cachorrão mais uma vez faz um grande trabalho, e o restante da banda não deixa a peteca cair, tem até uma referência ao grande Eddie Clark no solo. Essa música termina com "To Hell", uma brincadeira com a música do Chapelzinho Vermelho e as bandas "satanistas da época".

"Ninja" tem o mesmo padrão de qualidade. "Fortes Olhos" era também muito requisitada, outro clássico, com gravações de guitarras tocadas ao contrário e um refrão forte. "Metal Comando" Paulão arrebenta com tudo. Nessa música tem talvez a única falha desse relançamento, pois o nível do vocal está mais baixo do que nas outras músicas, (o que já acontecia no vinil) e poderiam ser corrigidas, mas tudo bem. "Cidade Perdida" termina o Ninja.

O cd tem três bônus, as gravações ao vivo de "Não Pense, Não Fale", "Fortes Olhos" e "Metal Comando", gravadas no Projeto SP em 1988, o principal local de shows da época.

Em 1989 o Centúrias encerrou as atividades, e Paulão passou por várias bandas como o Firebox, Cheap Tequila e agora está com o Baranga, mas o Centúrias ainda deixa saudade em muita gente.

Esse relançamento ainda inclui um encaixe super caprichado. Esse cd é obrigatório se você quer saber mais sobre o metal nacional. Valeu Centúrias.




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