Resenha - Epiphany - Eterna
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 21 de fevereiro de 2005
Nota: 10 ![]()
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Sabe qual a melhor forma de uma banda se apresentar dignamente depois da mudança de seu line-up?
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O Eterna sabe com certeza. "Epiphany" não só é o melhor trabalho dos caras, como o melhor álbum de metal brasileiro do ano passado e um dos melhores já lançado em terra brasilis. Se você quiser tê-los com uma das cinco melhores bandas do metal brasileiro na atualidade, você pode (e deve) fazê-lo. E se você quiser considerar seus quatro músicos como excepcionais nos instrumentos que tocam e Leandro Caçoilo um vocalista equilibrado e interpretativamente singular, idem ao de cima. Essas honrarias caem muito bem para uma banda que cria pérolas da pujança técnica de uma "Kyrie Eleison" ou "Searching for Salvation" e faixas título na magnitude e representatividade desta "Epiphany". Que refrão meus caros, que refrão!
O melhor do álbum é a sua capacidade de nos surpreender. Quando começamos a ouví-lo e vemos aquelas três faixas arrebatadoras em seqüência, é fatal pensarmos que colocaram o melhor da festa logo no início e que as demais não conseguirão manter o mesmo nível. Pois não só conseguem como ampliam o poderio destas e nos deixam maravilhados com a qualidade da banda, que conseguiu soluções espetaculares para que um material com mais de uma hora de duração não caísse na monotonia e no lugar-comum. "I Believe In Love" é o exemplo de balada que emociona sem ser piegas e agrada sem apelar para os clichês comuns do gênero, traços de uma banda corajosa e sem medo de mostrar seus sentimentos (seja no sentido humano ou religioso da coisa), ao passo que o acento hard de faixas como a sugestiva "Hard Life" e "Final Warning" são mais do que bem vindos e acertados, trazendo um frescor gostosíssimo para a sonoridade.
É curioso notar que o grupo só tem um guitarrista na formação, pois Paulo Frade trabalha com a potência de uns quinze (é impossível não voltar o início de "Dead Eyes" para ouvir seu riff novamente) e a massa sonora de sua guitarra (na verdade várias, já que a exemplo do que faz o Symphony X, deve ter sido gravada bem mais de uma camada em estúdio) é no mínimo atordoante. O baterista Paulo Henrique trabalha com grooves magníficos, e se permitem as comparações insólitas, é preciso como o Big-Bang e tem a ferocidade de uma AR-15. A diversidade, domínio e "senso de colocação" de baixo e teclado é assombrosa assim como fica notório que Leandro Caçoilo evoluiu barbaridade desde sua estréia na banda. Tudo suportado por uma produção perfeita e cuidadosa em tudo - os timbres, as texturas, a captação, a mixagem - deixando o álbum absolutamente vivo. É aterrorizante e recompensador pensar onde estes rapazes podem chegar.
Qual a receita do sucesso? Juntar todos os melhores elementos do metal melódico, do tradicional e do hard rock, trabalhá-los de forma extremamente criativa, adicionar técnica e peso absurdo e fazer com que o talento individual de cada integrante se torne visível como um conjunto absolutamente azeitado em cada composição. Mas se você tiver uma banda, não adianta tentar seguir isso aqui porque o resultado dificilmente se mostrará digno de equiparação. E quando pensamos que tudo isso vem lapidado por quase uma década de estrada, fica fácil entender o porque de "Epiphany" ser o que é. Como o próprio nome entrega, pode tomá-lo (literalmente) como uma manifestação divina.
Formação:
Leandro Caçoilo (Vocais)
Paulo Frade (Guitarra)
Jason Freitas (Baixo)
Rafael Agostino (Teclado)
Paulo Henrique (Bateria)
Site Oficial: www.eterna.com.br
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