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Resenha - End Of Beginning - Lost Forever

Por
Postado em 13 de março de 2004

Nota: 8 starstarstarstarstarstarstarstar

Convenhamos que não temos muitas e excelentes bandas de prog metal no Brasil, por isso quando algo da qualidade do Lost Forever surge, é um forte motivo para comemorar.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A banda é direcionada para o lado mais direto do prog (na linha Symphony X, Queensryche e Evergrey), e não aposta tanto (não tanto, mas com nítidas influências) em toda concepção estilística e técnica de bandas como Dream Theater, Pain Of Salvation, Vanden Plas e congêneres.

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Hugo Navia é um bom vocalista, em timbres e interpretações mais agressivas o resultado é singular, como nas partes mais pesadas de "Mater Et Magistra", gerando expectativa para que tal qualidade fosse usada no restante do álbum; mas não é... ele deixa a agressividade relativamente de lado e investe na regularidade e alternância de tons semelhantes a partir dali. Mesmo assim o talento do rapaz em qualquer caminho tomado é latente. Há que se ressaltar também a semi-perfeita (ainda há o que melhorar) pronúncia do inglês, detalhe importantíssimo, inclusive para vislumbrar território lá fora.

As influências de hard rock, heavy tradicional e até mesmo o thrash são bem vindas e ficam evidentes na grande dose de peso que o Lost Forever coloca nas guitarras e também na abundância de riffs (maioria deles bem pesados) que as músicas possuem. "Among The Crowd" escancara bem isso. Corre-se o risco de pensar que a composição tenha saído de um álbum do Testament tamanho o peso do seu riff inicial, e o decorrer também não decepciona.

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Em algumas faixas podemos encontrar facilmente aquela rifferama complexa e caracteristicamente timbrada que as bandas de prog proporcionam. "Damned Train" é um belo exemplo, minha favorita, e com várias mudanças de climas e arranjos, não deixando de ser equilibrada e fluente.

"Spirits From The Ice Garden" e "End Of Century" mostram bem que "prog metal" é mesmo a melhor definição para o som do Lost Forever. Aquelas vocalizações sentimentalistas intercaladas por riffs pesados e cozinha no melhor estilo John Myung/Mike Portnoy são provas cabais de que fugir de todos os clichês que o estilo impõe é realmente difícil, mas a banda encontra bons resultados entre caracterizar o seu som e buscar inovação ao mesmo tempo. Ponto pra eles.

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A balada "A Season In Between" faz o papel de "dardo tranqüilizante" do álbum, facilitando para quem não agüenta toda aquela quebradeira em seqüência e, além disso, é feita com classe.

E pra fechar o cd somos agraciados com aquela tradicional suíte matadora. É curioso notar que muitas bandas de prog deixam o melhor da festa para o final, colocando sua melhor composição como última faixa do cd – parecem querer agregar o estilo do "verso de ouro" que os parnasianos sempre primam em sua poesia. E neste caso a suíte "Above The Sins" não foge á regra, é de longe a composição que transborda maior bom gosto; Arranjos e melodias magníficas, tudo numa harmonia impressionante, é um "supra-sumo" da música trabalhada, detalhista, de fácil assimilação e alto nível que o grupo pode alcançar, onde os músicos colocam seus talentos individuais em prol da música em si e não querendo chamar atenção para suas performances particulares, o que é uma sensibilidade e bom senso que toda banda de prog deveria ter.

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A gravação e produção apesar de perfeitamente nítidas e compreensíveis, podem melhorar bastante, fazendo um melhor trabalho de mixagem e equalização, diminuindo o eco e a sensação de "abafado" que notamos em alguns pontos. Os erros aqui são perdoáveis – já que com certeza o próximo trabalho terá uma produção melhor.

As participações de Daniel Melo nos teclados (originário do Dead Nature) e Sabrina Carrión (do HeavenFalls) como backing vocal em várias faixas tornam o álbum uma "união de forças" do metal carioca, que sofre – ou sofria – de um certo preconceito no resto do Brasil (fora os problemas internos de rivalidade, desorganização), mas que ultimamente com a revelação de muitas e excelentes bandas (Venin Noir, Tothen, Imago Mortis, Sigma 5, Allegro, Avec Tristesse, Unearthly, Saint Spirit e os próprios Lost Forever, Dead Nature e HeavenFalls) vem calando a boca de muitos críticos e produzindo música de altíssima qualidade.

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As letras giram em torno das desilusões, ações, conseqüências e vivências do ser humano (tema preferido das bandas de prog) e mesmo que não almejem o Prêmio Nobel de Literatura são bem compostas.

O Lost Forever desponta ao lado do Khallice (e o interessante e positivo fator é que as duas partem em direções diferentes dentro do estilo) como os maiores representantes do prog nacional (opa, opa! me torturaria eternamente se deixasse de citar o INJUSTISSADÍSSIMO e "pouco conhecido" Akashic, perdão também se estou esquecendo de outros tantos talentos). São gratas e bem vindas revelações de anos extremamente recentes, metal brasileiro tipo exportação, prontinho para evoluir e ganhar espaço. Não tem erro. É cair na estrada, trabalhar e procurar melhorar sempre. Boa sorte á eles.

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Formação:

Hugo Navia (Vocal)
Fabbio Nunes (Guitarra)
Nelson Magalhães (Guitarra)
André de Lemos (Baixo)
Renê Shulte (Bateria)
Daniel Melo (Teclado)

Track List:

01 – Mater Et Magistra
02 – Among The Crowd
03 – The Lies Behind The Mirror
04 – Spirits From The Ice Garden
05 – End Of Century
06 – Damned Train
07 – A Season In Between
08 – Above The Sins (I – The Dying Dreams)
09 – Above The Sins (II – The Remains Of Myself)

Tempo Total: 55:00 min.

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.
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