Resenha - Segue Em Frente Toda a Vida...Mas Pare em Birigui - Tubaína
Por Carlos Roberto Merigo Filho
Postado em 14 de abril de 2000
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
A banda Tubaína do Demônio já tinha feito dezenas de shows pelo Estado de São Paulo no ano de 1994. Com apenas 7 músicas no repertório, conseguiam agradar e divertir as pessoas nos shows, apresentações essas que eram marcadas por farta distribuição de Pipoca Doce Gasparzinho e sorteio de fitas da banda.

Gravaram duas demos que fizeram grande sucesso pelo interior de São Paulo, mas mesmo assim não conseguiram apoio suficiente para gravar um CD. Na época eram apenas uma dupla, formada por Paulo D'amaro (O Mancha) e Bife, sem se esquecer da bateria eletrônica. Após um contrato frustrado decidiram se separar e aí se dava o fim da banda.
Mas no final de 1996 o guitarrista Mancha decidiu retomar o grupo, agora rebatizado apenas de Tubaína. E finalmente, em agosto de 1997, saía o primeiro disco, intitulado "Segue Em Frente Toda A Vida...Mas Pare Em Birigüi". Para mais informações sobre a banda confira a biografia do Tubaína na seção Bandas.
E valeu a pena o tempo esperado. As 12 faixas do CD trazem um rock'n’roll excelente, alternando muito entre o punk rock e o heavy metal. Poderíamos chamar de um verdadeiro tesouro do rock-caipira. :)
Com letras bem-humoradas e na sua maioria alusivas ao interior de São Paulo, o disco conquistou o gosto da crítica sendo citado pelos principais programadores das rádios de São Paulo como a 89 e a Brasil 2000. Mas, ironicamente, as músicas da banda nunca foram executadas nas rádios da capital. Por outro lado, o disco era amplamente divulgado e executado nas rádios do interior, o que foi uma grande pena, pois não permitiu que o grande público tomasse conhecimento desse primeiro disco da banda, que é excelente.
A pequena introdução "A Tubaína do Demônio" abre o disco, dando passagem para a fenomenal "Voltar Pra Birigui", onde é contada a história de um homem que foi morar na capital, não gostou e quer desesperadamente voltar para Birigui. Confira um trecho da letra: "Foi há muito tempo que saí de Birigüi / Com a intenção de me dar bem por aqui / Mas nesta cidade não encontro tubaína / E todo santo dia é barulho de buzina!"
Entre as melhores do disco, junto com "Voltar pra Birigui", está a terceira faixa, "Bauru x BigMac", onde é feita uma crítica irônica e bem-humorada aos americanos. Acompanhe um trecho da letra: "O México pra eles tá na América Central / Bolívia, Colômbia e Brasil é tudo igual / Acham que aqui só tem banana e carnaval / E que Buenos Aires é a nossa capital!"
"Deus e o Diabo em Sorocaba" narra uma batalha entre Deus e o Diabo, e é óbvio, em Sorocaba. Ao final da música acaba-se descobrindo que essa grande guerra entre o bem e o mal nada mais é do que uma partida de futebol.
A música "Vem Neném pra Itanhaém" cita uma Brasília e um casal indo passar o fim de semana no litoral. Devido a isso, muita gente comparava o Tubaína aos Mamonas Assassinas. Mas notem, a banda Tubaína foi criada bem antes da existência dos Mamonas, e por isso Paulo D'amaro pergunta: "Quem copiou quem?", já que em um dos shows da banda no Aeroanta em 94, Dinho, que viria a ser líder dos Mamonas, estava na platéia.
A ótima "O Diabo é Português" é a sexta faixa do disco e fala das semelhanças de um padeiro português com o diabo. Em seguida vem "A Espanhola Morena De Dracena", a mais fraca do disco. A oitava canção é "Jamaica... Não É Birigüi", onde a banda faz uma ótima sátira ao reggae.
Em seguida temos a engraçadíssima "War For Birigüi", uma espécie de cover da música "War For Territory" do Sepultura, só que na letra eles fazem uma mistura de "Atirei o Pau no Gato" e "Batatinha Quando Nasce...", tudo em inglês. A bela "De Queluz Eu Não Passo" fala sobre o amor que pode transpor todas as barreiras, menos uma, confira no refrão: "Oh, babe... por você tudo eu faço....Mas de Queluz eu não passo!"
"Biribol" é a décima primeira do disco, e conta sobre um novo esporte que foi inventado em Birigüi. E para fechar o disco, a faixa "Errei!" traz alguns erros cometidos pela banda durante as gravações, somando 12 faixas de um excelente disco.
Enfim, esse primeiro trabalho da banda Tubaína é obrigatório para todos aqueles que são fãs de um bom rock, com letras escrachadas, inteligentes e que preferem fugir um pouco desse jabaculê que existe nas rádios de todo o país. Tem uma sonoridade que deve agradar aos que curtem desde o rock'n’roll mais puro até aqueles que gostam de um som mais pesado. O segundo disco da banda, intitulado de "Polka Vergonha" deve ser lançado ainda esse ano, e com certeza nos trará boas surpresas com o melhor do rock-humor. Enquanto o novo não sai, aproveite para conferir o que você já perdeu fazendo o download das músicas desse disco no site oficial da banda: www.tubaina.com.br. Altamente recomendado!
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 11 melhores álbuns conceituais de metal progressivo, segundo a Loudwire
O disco em que o Dream Theater decidiu escrever músicas curtas
A sumidade do rock nacional que expulsou Lobão de seu álbum solo
O guitarrista favorito de todos os tempos de James Hetfield do Metallica
A turnê faraônica que quase causou danos irreversíveis ao Iron Maiden
O dia em que um futuro guitarrista do Whitesnake testou para o Kiss, mas não foi aprovado
Os clássicos do rock que estão entre as músicas preferidas de Carlo Ancelotti
O clássico do rock que mostra por que é importante ler a letra de uma música
Isa Roddy, ex-vocalista do Dogma, ressignifica balada do Black Sabbath
Pra tocar no Dream Theater, não dá pra estar no modo "deixa a vida me levar", segundo Rudess
O brasileiro que andou várias vezes no avião do Iron Maiden: "Os caras são gente boa"
Os 3 veteranos do rock que lançaram álbuns que humilham os atuais, segundo Regis Tadeu
Gibson TV lança o primeiro episódio da série "Tony Iommi: The Godfather Of Heavy Metal"
As bandas de heavy metal favoritas de Rob Halford do Judas Priest, segundo o próprio
A sincera opinião de Pitty sobre Guns N' Roses, System of a Down e Evanescence
A estratégia de Paula Toller e Leoni para seduzir Herbert Vianna a colaborar com o Kid Abelha
As regras do Death Metal
Paul Stanley: A dor e o drama de ser talaricado por um Caça-Fantasmas

Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Anguish Project mergulha no abismo do inconsciente com o técnico e visceral "Mischance Control"
Motorjesus pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em "Streets Of Fire"
Metallica: "Load" não é um álbum ruim e crucificável
Black Sabbath: Born Again é um álbum injustiçado?



