Patinhos feios: grandes álbuns que são subestimados - Parte 1
Por Mateus Ribeiro
Fonte: Sou o redator da matéria
Postado em 26 de novembro de 2019
Desde que o heavy metal surgiu, grandes álbuns foram lançados e até os dias de hoje são considerados clássicos. Quem aqui nunca ouviu falar de "Paranoid" (Black Sabbath), "Master Of Puppets" (Metallica" ou "Reign In Blood" (Slayer), não é mesmo?
Existem também os discos que são considerados uma belíssima porcaria de maneira quase unânime. "St. Anger", do Metallica, talvez seja o maior exemplo disso.
Porém, ainda existem aqueles discos que são injustamente criticados e que acabam quase que esquecidos no meio da discografia de alguns artistas renomados. Confira alguns desses discos subestimados, que são grandes "patinhos feios" do metal.
"Soundtrack To Your Escape" - In Flames: quem é fã da banda sabe que desde o início, a sonoridade dos caras foi mudando, agregando elementos um tanto quanto modernos para a época. Porém, os seguidores de Björn Gelotte e sua turma quase caíram da cadeira com o disco "Reroute To Remain", lançado em 2002, que veio cheio de influências até mesmo de new metal, porém, mantendo a identidade da banda.
Alguns fãs praticamente desistiram do In Flames, e a indiferença de alguns refletiu no álbum seguinte, "Soundtrack To Your Escape", que é o disco mais moderno, controverso e diferente lançado pela banda até os dias de hoje. Apesar de muito pesado e bem construído, ficou meio escondido no meio da discografia do In Flames, que passava por um momento de transição.
Fato é que um álbum que tem músicas como "My Sweet Shadow", "F(r)iend", "Touch Of Red", "Like You Better Dead", "The Quiet Place" e "Evil In A Closet" merece MUITO respeito.
"The World Needs A Hero" - Megadeth: o sucessor do polêmico "Risk" é uma espécie de resgate ao som que a banda fazia, porém, com músicas mais acessíveis do que as da primeira fase do grupo. Talvez, pelo descaso de algumas pessoas com "Risk", a atenção recebida por "The World Needs A Hero" não foi das maiores. Também contribui o fato de que mais uma vez, a banda mudava de formação, com a entrada do guitarrista Al Pitrelli no lugar do inesquecível Marty Friedman.
Apesar da horrorosa "Motopsycho", o disco tem ótimos momentos, como "Disconnected", "1000 Times Goodbye", "Return To Hangar" (continuação de "Hangar 18"), "Drean And The Fugitive Mind" e a balada "Promises".
Curiosidade: "The World Needs A Hero" seria o último disco do Megadeth, já que um ano após seu lançamento, Dave Mustaine encerrou as atividades da banda, voltando atrás dois anos depois.
"Volume 8: The Threat Is Real" - Anthrax: é bem verdade que a fase John Bush no Anthrax é completamente subestimada, principalmente pelos viúvos que vivem presos nos anos 1980. Esse sentimento que algumas vezes passa perto do desprezo fez com que uma obra como o oitavo álbum de estúdio da banda passasse batida.
A modernidade no groove metal apresentado pela banda nos discos da fase Bush rendeu excelentes momentos, muitos deles apresentados em "Volume 8: The Threat Is Real". Músicas como "Crush", "Catharsis" (um grandioso refrão, que figura entre os mais marcantes do Anthrax), "Inside Out", a divertida "Toast To The Extras", "Harms Way" (TOTALMENTE grunge) e a comovente "Pieces" são grandes músicas, porém, acabaram esquecidas na memória daqueles que nunca conseguiram ouvir algo que não fosse da fase Belladonna. Azar o desse pessoal.
"Virtual XI" - Iron Maiden: sejamos sinceros, os trabalhos de Blaze com o Iron Maiden não chegam perto dos discos que a banda lançou durante a sua melhor fase. Porém, estão longe de ser um horror, como muita gente classifica.
O segundo desses trabalhos, "Virtual XI", é um disco que tem ótimos momentos, afinal de contas, até quando o Iron Maiden erra, acaba acertando. A rápida "Futureal", a épica "The Clansman", "When Two Worlds Collide" e "Don't Look to The Eyes Of a Stranger" são ótimas músicas, que garantem bons momentos. Apesar da quase vergonhosa "The Angel And The Gambler", é um grande disco, que infelizmente, é visto com maus olhos por muitos fãs mais radicais.
"Tyr" - Black Sabbath: Tony Martin é de longe, um dos vocalistas mais subestimados de todos os tempos. O amor incondicional (e na maioria das vezes insuportável) que alguns fãs sentem pelo trabalho realizado com Ozzy e Dio faz com que a fase Tony Martin seja quase esquecida por uns e outros.
Entre todos os trabalhos lançados com o vocalista, "Tyr" é o que menos recebe valor. Só a faixa de abertura, "Anno Mundi", já vale o álbum, além de ser uma das composições mais bem construídas da banda. Além desta, "Jerusalem", "Valhalla", "The Sabbath Stones" e a rápida "The Law Maker" não ficam devendo nada aos famigerados clássicos da banda, que tocam em todo lugar.
"Halfway To Sanity" - Ramones: é um dos discos mais pesados e menos lembrados da banda. Por ironia do destino, a faixa que abre o álbum, "I Wanna Live", acabou se tornando um dos maiores sucessos do Ramones.
O último trabalho a contar com o excelente (e pouco valorizado) baterista Richie Ramone tem alguns toques de hardcore, como pode ser visto, por exemplo, na ótima e pesada "I´m Not Jesus". Ainda seguindo a temática mais "lado B" do disco, vale destacar "Garden Of Serenity", "I Know Better Now", "Death Of Me" e a balada "Bye Bye Baby" mostram um Ramones um pouco diferente dos primeiros lançamentos, deixando a costumeira "alegria" um pouco de lado, e focando mais no "peso", com músicas mais sérias.
Um grande registro, que fecha com muita dignidade o período com Richie Ramone nas baquetas.
"Falling Into Infinity" - Dream Theater: o disco mais amado e odiado da historia do Dream Theater, e pelos mesmos motivos. Se "Awake", lançado em 1994, chamou a atenção pelo seu peso descomunal, "Falling Into Infinity" trouxe composições BEM mais acessíveis, o que não foi exatamente muito bem aceito por grande parte de seus seguidores mais fieis (e chatos, é bom deixar claro).
Apesar de bastante músicas mais comerciais, como a quase radiofônica "You Not Me", as excelentes e tocantes "Ana Lee", "Hollow Years" e "Take Away My Pain", há espaço para as composições mais intrincadas, como "New Millenium", "Lines In The Sand", a maravilhosa "Peruvian Skies" e dobradinha formada por "Burning My Soul" e Hell´s Kitchen".
Apesar de não ser um "Image And Words" (NENHUM álbum chegará perto, vale ressaltar), está longe de ser tão ruim como alguns fãs julgam.
Em breve, a parte 2. Envie sua sugestão nos comentários!
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Metallica que foi inspirada em "Run to the Hills" (e virou um "patinho feio")
Andi Deris lembra estreia do Helloween no Brasil em 1996
Cinco versões "diferentonas" gravadas por bandas de heavy metal
As 11 bandas de rock progressivo cujo primeiro álbum é o melhor, segundo a Loudwire
A música do Helloween na fase Andi Deris que Kai Hansen adora
O único membro do "Angraverso" que tem uma boa gestão de imagem e carreira
Dave Mustaine explica por que Megadeth não participou do último show do Black Sabbath
"Não somos um cover, somos a banda real", diz guitarrista do Lynyrd Skynyrd
Rick Rubin descartou uma das maiores bandas do grunge; "Não acho que sejam muito bons"
A regra não escrita que o Iron Maiden impõe nos solos de guitarra, segundo Adrian Smith
A banda dos anos 80 que Pete Townshend trocaria por 150 Def Leppards
Os artistas que passaram toda carreira sem fazer um único show, segundo Regis Tadeu
Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
Como o Rush vai homenagear Neil Peart em cada show da turnê de volta
A música apocalíptica do Metallica lançada há mais de 40 anos que ainda faz sentido

Angus Young disse que uma banda gigante era "um Led Zeppelin de pobre"; "isso é ridículo"
A viagem do Ramones que mudou a história da música para sempre; "A gente não sabe tocar"
O maior disco da história do punk, segundo a Rolling Stone
A banda que Joey Ramone disse que mais o inspirava; "Uma experiência de corpo e mente"
Jaco Pastorius: um gênio atormentado
Para entender: o que é rock progressivo?


