Thrash Metal: a paranóia do holocausto nuclear

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Por Rodrigo Lourenço Costa, Fonte: Blog HM
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Em complemento às matérias divulgadas anteriormente, com a análise das canções “Set the World Afire” e “Rust In Peace” do MEGADETH, “As the World Burns” do KREATOR, e “Beneath the Remains”, do SEPULTURA, o Blog HM traz análises sintéticas de mais algumas músicas.

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Além dos já citados MEGADETH e KREATOR, também outros expoentes do Thrash Metal: METALLICA, EXODUS, ANTHRAX, SLAYER e NUCLEAR ASSAULT.

ANTHRAX – álbum: Among the Living (1987)

ONE WORLD

Stop it
There's been too much debate
We could save ourselves from holocaust
Or is that just our fate
Start now
But we continue to balk
We let the genie out of the bottle
But we still hold the cork

One, two,- not
Three, four,- die
One, two,- not
Three, four,- die

Ignorance, is no excuse
For violence
No one wins ...

One world
One world
One world - welcome to it
One world - don't abuse it
One world - to live out your life
One world - total schism
Tunnel vision
One world - taming the beast
Fighting for peace

Killing
You pushed a button that's all you did
It's much harder to kill a man
If you've seen pictures of his kids
Responsibility
And what are all our lives worth ?
What kind of sentence would you serve
For killing the earth

Russians
They're only people like us
Do you really think they'd blow up the world
They don't love their lives less
America
Stop singing hail to the chief
Instead of thinking SDI
He should be thinking of peace

One world.

UM MUNDO (tradução)

Pare com isso
Tem havido muito debate
Nós poderíamos nos salvar do holocausto
Ou isso é apenas nosso destino
Comece agora
Mas nós continuamos a decepcionar
Deixamos o gênio sair da garrafa
Mas ainda temos a cortiça

Um, dois, - não
Três, quatro - die
Um, dois, - não
Três, quatro - die

A ignorância não é desculpa
Para a violência
Ninguém vence ...

Um mundo
Um mundo
Um mundo - bem-vindo a ele
Um mundo - não abusar dela
Um mundo - para viver a sua vida
Um mundo - total cisma
Visão de túnel
Um mundo - domesticando a besta
Lutando pela paz

Matança
Você apertou um botão que é tudo que fez
É muito mais difícil de matar um homem
Se você já viu fotos de seus filhos
Responsabilidade
E quais são as nossas vidas a pena?
Que tipo de frase que você serve
Para matar a terra

Russos
Eles são apenas pessoas como nós
Você realmente acha que eles explodirão o mundo
Eles não amam suas vidas menos
América
Pare de granizo cantando para o chefe
Em vez de pensar SDI
Ele deveria estar pensando em paz

Um mundo

Essa canção é mais direta, embora tenha um cunho mais pacifista, humanista e reflexivo. Podemos perceber que é uma crítica contundente à posição dos EUA em “demonizar” a URSS, principalmente durante o governo de Ronald Reagan. Desde que Mikhail Gorbatchov assumiu o posto de líder da URSS em março de 1985, implementou uma reestruturação do país, e deu sinais claros que não pretendia levar adiante a política da Guerra Fria (MEYER, 2009, P.7-26)

A última estrofe da canção é realmente o ponto de maior destaque, quando leva o ouvinte americano médio à reflexão: existe um ser humano russo, que tem tanto medo da morte quanto você.

ANTHRAX – álbum: Spreading the Disease (1985)

AFTERSHOCK

The day will come, yu cannot run
White hot clouds fill the sky
See the red flare, blasting hot air
There's no place left to hide

Binding our eyes as the sun turns to black
A world full of harted and fear
All are committed, there's no going back
There'll be no one left to hear

Shock, there's no relief
Shock, no will ever know why
Shock

Shock, panic won't cease
Shock, time to say our last good-bye
Shock

Aftershock, humanity's loss
Aftershock, all is destroyed
Aftershock, have no remorse
Aftershock, into the void

Never again we cannot depend
On leaders who see things so blind
Time will not lend, and never amend
A lesson for all mankind

APÓS O ABALO (tradução)

O dia virá, vocês não podem fugir
Nuvens brancas e quentes enchem o céu
Veja a chama vermelha, soprando ar quente
Não há lugar para se esconder

Atando nossos olhos enquanto o sol fica negro
Um mundo cheio de ódio e medo
Tudo está comprometido, não há volta
Não sobrará ninguém para ouvir

Abalo, não há socorro
Abalo, ninguém jamais saberá o porquê
Abalo

Abalo, pânico não cessará
Abalo, é hora de dizer nosso último adeus
Abalo

Após o abalo, a humanidade perdeu
Após o abalo, tudo está destruído
Após o abalo, não há remorso
Após o abalo, para o vazio

Nunca mais poderemos depender
De líderes que enxergam tão cegamente
Tempo não será emprestado, e nunca será reformado
Uma lição para toda a humanidade

A música começa descrevendo como seria o dia em que acontecesse um ataque nuclear, com muitas figuras de linguagem que nos remetem à explosão da bomba, tais como: “nuvens brancas e quentes”, “chama vermelha”, “não há lugar para se esconder”. E segue descrevendo o que acontece “Depois do Abalo”.

Vemos uma crítica aos líderes mundiais, aqui subentendidos como EUA e URSS, ante à possibilidade da destruição em massa. A última estrofe deixa isso muito evidente ao ouvinte.

EXODUS – álbum Bonded by Blood (1985)

AND THEN THETE WERE NONE

Wars coming start running
Eyes blinded by the nuclear blast
Hearts beating retreating
All around are bodies burned to ash
Children crying and people dying
No salvation from this holocaust
Bodies burning and now their learning
In war painful death's the bloody cost

Life ends in sin
God cries world dies

And then there were none
The world starts to burn
The world powers learn
Tha satans work is done

Wheels grinding the glare's blinding
Bullets flying all around your head
Tanks crushing and soldiers rushing
If you live you'll wish that you were dead
Stop praying there's no saving
No salvation from your fiery grave
Brains swelling bodies smelling
And satan comes to see that no one's saved

E ENTÃO NÃO SOBRA NINGUÉM (tradução)

As guerras começam a acontecer
Olhos cegados pela explosão nuclear
Corações que batem em fuga
Por todos os lados corpos queimados até as cinzas
Crianças chorando e pessoas morrendo
Não há salvação deste holocausto
Corpos que queimam e agora eles aprendem
O custo sangrento da morte dolorosa na guerra

Vidas terminadas em pecado
Deus chora o fim do mundo

E então não sobra ninguém
O mundo começa a queimar
Os poderosos do mundo aprendem
Que o trabalho Satã está feito

As rodas trituram, claridade que cega
Balas voando por toda parte
Tanques esmagando e soldados correndo
Se você ainda estiver vivo, desejará que estivesse morto
Pare de rezar não há salvação
Nenhuma salvação de sua sepultura em chamas
Cérebros inchados, corpos exalando odor
E Satã vem ver que ninguém se salvou

Tal como outras bandas, o Exodus utiliza uma linguagem direta para atingir a sua audiência. Essa canção fala sobre a Guerra Nuclear, seus efeitos e possíveis desdobramentos. É interessante destacar aqui, que tal como outras canções que tratam do mesmo tema, os efeitos de um possível ataque nuclear são descritos baseados única e exclusivamente em modelos teóricos, e estão carregadas de representações de outras expressões artísticas, como o cinema e os quadrinhos.

A música fala sobre a agonia, a dor e a tristeza de um mundo aniquilado por armas de destruição em massa. Uma diferença diante de outras canções analisadas,está no fato de utilizarem simbolismos cristãos, trazendo o imaginário religioso para dentro da questão da guerra. Há uma analogia clara entre o Juízo Final bíblico e o “Juízo Final” nuclear, teorizado por muitos cientistas durante o período da Guerra Fria.

METALLICA – álbum Ride the Lightning (1984)

FIGHT FIRE WITH FIRE

Do unto others as they have done unto you
But what in the hell is this world coming to?

Blow the universe into nothingness
Nuclear warfare shall lay us to rest

Fight fire with fire
Ending is near
Fight fire with fire
Bursting with fear

We shall die
Time is like a fuse, short and burning fast
Armageddon is here, like said in the past

Soon to fill our lungs the hot winds of death
The gods are laughing, so take your last breath

COMBATER FOGO COM FOGO (tradução)

Faça aos outros o que eles fizeram a você
Mas em que diabos o mundo está se tornando?

Reduzindo o universo a nada
Guerra nuclear nos fará todos descansar

Combater fogo com fogo
O fim está proximo
Combater fogo com fogo
Explodindo com medo

Nós devemos morrer
A vida é como um pavio, curto e queimando rápido
Armagedon está aqui, como foi dito no passado

Prestes a inflar nossas velas os ventos quentes da morte
Os deuses estão rindo, então respire pela última vez

Um dos grande clássicos do Metallica, esta música é direta. Aniquilação mútua através de armas de destruição em massa é realmente uma estupidez. “Combater fogo com fogo” foi a tônica da política de enfrentamento dos EUA e URSS durante toda a Guerra Fria, pois ambos sabiam que o outro lado responderia com a mesma intensidade se fosse necessário.

O medo da morte diante da Guerra Nuclear é realmente aterrador. Torna-se uma psicopatia nos EUA, especialmente, e esta música deixa isso muito explícito, falando que não há o que fazer a não ser esperar pelo fim.

SLAYER – álbum Seasons in the Abyss (1990)

SKELETONS OF SOCIETY

Minutes seem like days
Since fire ruled the sky
The rich became the beggars
And the fools became the wise
Memories linger in my brain
Of burning from the acid rain
A pain I never have won

Nothing here remains
No future and no past
No one could foresee
The end that came so fast
Hear the prophet make his guess
That paradise lies to the west
So join his quest for the sun

Shades of death are all I see
Fragments of what used to be

The world slowly decays
Destruction fills my eyes
Harboring the image
Of a spiraling demise
Burning winds release their fury
Simulating judge and jury
Drifting flurries of pain

Deafening silence reigns
As twilight fills the sky
Eventual supremacy
Daylight waits to die
Darkness always calls my name
A pawn in this recurring game
Humanity going insane

Shades of death are all I see
Fragments of what used to be

Minutes seem like days
Corrosion fills the sky
Morbid dreams of anarchy
Brought judgment in disguise
Memories linger in my brain
Life with nothing more to gain
Perpetual madness remains

Shades of death are all I see
Skeletons of society
Fragments of what used to be
Skeletons of society

ESQUELETOS DA SOCIEDADE (tradução)

Minutos parecem dias
Desde então o fogo comanda o céu
Os ricos se tornaram mendigos
E os bobos se tornaram os espertos
Memórias hesitam em minha mente
Das chamas da chuva ácida
Uma dor que nunca venci

Nada aqui permanece
Nenhum futuro e nenhum passado
Ninguém pôde prever
Que o fim chegaria tão rápido
Ouça o profeta fazendo sua previsão
Que o paraíso está no ocidente
Então junte-se a ele na sua busca pelo sol

Sombras da morte é tudo que vejo
Fragmentos que existiam

O mundo lentamente decai
A destruição preenche meus olhos
Guardando as imagens
De uma morte espiral
Ventos em chamas, libertam sua fúria
Simulando juiz e júri
Sendo levados por rajadas de dor

Um silêncio ensurdecedor reina
Enquanto o crepúsculo cobre o céu
Supremacia final
A luz do dia espera morrer
A escuridão chama meu nome
Um peão neste jogo periódico
A humanidade enlouquecendo

Sombras da morte é tudo que vejo
Fragmentos que existiam

Minutos parecem dias
A corrosão preenche o céu
Sonhos mórbidos de anarquia
Trouxeram julgamentos disfarçados
Memórias hesitam em minha mente
Sem nada mais a ganhar na vida
Uma loucura perpétua sobrevive

Sombras da morte é tudo que vejo
Esqueletos da sociedade
Fragmentos que existiam
Esqueletos da sociedade

Essa canção do Slayer é muito sutil em sua parte poética, e algumas figuras de linguagem utilizadas por Kerry King na canção é que nos dão a pista de que se fala sobre um mundo após uma Guerra Nuclear. A passagem “Minutes seem like days / Since fire ruled the Sky” já diz muito, pois a figura de “fogo no céu” é muito utilizada para tratar de uma explosão nuclear.

A linha “Of burning from the acid rain” reforça a ideia anterior, e faz uma alusão aos possíveis efeitos de uma hecatombe nuclear.

A terceira estrofe fala sobre “sombras da morte” e “fragmentos” o que leva-nos a imaginar uma cena total destruição onde a sociedade que conhecemos deixa de existir. A quarta estrofe traz a seguinte linha que continua reforçando a imagem do holocausto nuclear: “Burning winds release their fury”.

A parte final traz consigo o título da canção, e sintetiza uma ideia, que é um mundo destruído, onde resta apenas uma lembrança estrutural do que foi a sociedade humana.

NUCLEAR ASSAULT – álbum Game Over (1986)

NUCLEAR WAR

War has come
To your home
Now it lies destroyed
Nuclear war, the final war
The end of all man's dreams
No one wins
In this game
Both sides have lost
Who has won
When all are dead
Except for the machines

Looking at the future
There's no much to see
Your homeland lies under
Radioctive debris

Millions dead
More on the way
What is worth this cost
For your god
And country
You'd destroy the world
It is madness
To believe
That you can survive
Take my word
You'd rather not
It's better just to die

Looking at the future
There's no much to see
Your homeland lies under
Radioctive debris

GUERRA NUCLEAR (tradução)

A guerra chegou
Até seu lar
Agora jaz destruído
Guerra nuclear, a guerra final
O fim do sonho de todos os homens
Ninguém vence
Nesse jogo
Ambos os lados perdem
Quem venceu
Quando todos estão mortos
Menos as máquinas

Olhando para o futuro
Não há muito o que se ver
Sua terra natal jaz sob
Destroços radiotativos

Milhões mortos
Mais a caminho
O que vale esse preço
Pelo seu Deus
E país
Você destruiu o Mundo!
É loucura
Acreditar
Que você pode sobreviver
Ouça minha palavra
Você não vai querer
É melhor logo morrer

Olhando para o futuro
Não há muito o que se ver
Sua terra natal jaz sob
Destroços radiotativos

Nada poderia ser mais direto que isso: A banda Nuclear Assault (que significa: Ataque Nuclear) escreveu uma música chamada “Nuclear War” (Guerra Nuclear).

Aqui não há espaços para sutilezas, e a temos uma letra que fala abertamente sobre o tema que pretende abordar. Fala ao ouvinte sobre a Guerra, sobre a destruição da humanidade, e sobre os efeitos das ondas radioativas nos seres humanos. Tomam emprestadas muitas das representações cinematográficas, como em “O Exterminador do Futuro” (1985) e de Histórias em Quadrinhos como “Wachtman” e “Batman, Cavaleiro das Trevas” (ambos de 1986)

KREATOR – EP Flag of Hate (1986)

AWAKENING OF THE GODS

Was it a vision or was it a dream
The trust of the mankind has never been real
Gods of pleasure gods of pain
Gods of terror of life and of hate
Mortality is endless when gods start to pray

Life becomes worthless by nuclear death
The're watching from above it could happen every daywatching their terror and
care in no way
No one can imagine where you will be
Where you have been before your birth you will see
Planned and controlled is your life in every way
Watched and controlled on every single day

See their eyes filled with lies
Watch the slaughter endless night
Can make your scream can make you cry
You know you're helpless till the end of time
Awakening of the gods

Burning ambitions your lusts and your wills
Your plans of life goals and your thrills
Days of laughter days of crime your living to your fate on foretold time
Nothin' has worth nothing is real nothing is important no way you
Feel this can't be the only life it could begin when you die

See their eyes...

Manipulated by human feelings
You're passing through this life searching for the meaning of all
But that's something you will never find
Accept all what happens to you
Be prepared for torture and pain you know there ain't nothing
You can do only death will close the reign

You've seen the good sides but you've also seen the bad
Damned to mortality damned is your life for death
Created for a mystery why is this your fate
Only the future will show
Or maybe you will never know

DESPERTAR DOS DEUSES (tradução)

Foi uma visão ou foi um sonho
A confiança da humanidade nunca foi tão real
Deuses do prazer deuses da dor
Deuses do terror de vida e de ódio
Mortalidade é interminável quando os deuses começarem a rezar
A vida se torna inútil pela morte nuclear
Eles estão assistindo de cima podia acontecer todos os dias assistindo seu terror e
sem se importar com nada
Ninguém pode imaginar o que você será
Quem você foi antes de seu nascimento você verá
Planejada e controlada é a sua vida em todos os sentidos
Monitorado e controlado em todos os dias

Veja os olhos cheios com mentiras
Assista ao abate interminável está noite
Posso fazer você gritar posso fazer você chorar
Você sabe que você está desarmado até o fim do tempo
Despertar dos deuses

Queimando suas ambições, luxúrias e seus testamentos
Seus planos de vida e de seus objetivos emocional
Os dias de riso, dias de crime a sua vida sua sorte no prognóstico de tempo
Nada vale nada é real nada é importante no seu caminho

Sinta não poder ser a única vida que pode começar quando você morrer

Ver os seus olhos ...

Manipulado por sentimentos humanos
Você está passando por esta vida buscando o significado de todas
Mas isso é algo que você nunca irá encontrar
Aceitar tudo o que acontece com você
Esteja preparado para a tortura e dor você sabe, não existe nada
Você pode fazer apenas a morte fechar o reinado

Você já viu os lados bons, mas também assistiu ao mau
Fudido na mortalidade fudido é a sua vida por morte
Criado por um mistério porque é esse o seu destino
Só o futuro mostrará
Ou talvez você nunca saberá

Aqui estamos falando do Kreator novamente, de uma canção que eu gostaria muito de ter usado no meu trabalho, mas (como já disse anteriormente) não se encaixava no meu recorte estudado.
Essa música foi lançada em 1986, e não figura (oficialmente) em nenhum álbum da banda. Foi lançada num EP (Extended Play) chamado “Flag of Hate”. Este EP, que conta com três músicas, foi lançado entre o primeiro álbum, Endless Pain (1985), e o segundo álbum, Pleasure to Kill (1986). Entretanto, a canção “Awakening of the Gods” é praticamente obrigatória nos shows da banda, e é um dos maiores clássicos da história dos germânicos.

A canção é tem um tom apocalíptico, e faz uso de muitas figuras de linguagem, abordando o tema sob um prisma quase sobrenatural. A letra equipara os líderes mundiais, e seus arsenais nucleares, a deuses capazes de julgar e punir a humanidade de acordo com suas vontades. A linha “Life becomes worthless by nuclear death” nos confirma que estamos lidando com a questão do holocausto nuclear.

Sobre a impotência do homem comum diante do poder militar, o refrão revela toda força contida na canção: “See their eyes filled with lies / Watch the slaughter endless night /Can make your scream can make you cry /You know you're helpless till the end of time / Awakening of the gods”. Ou seja, não somos nada diante da vontade daqueles que detém os meios de destruição. Somos apenas homens, diante de “deuses”.

MEGADETH – álbum Youthanasia (1994)

BLACK CURTAINS

Hey, look around you
Everything's helter-skelter
Listen up, I warn you
Run for cover, run
Bang, it happened
Time's up, armageddon
Fire, meltdown
The sky is crumbling in

Black curtains, never ending
Black curtains

Escape, you're joking
Can't find no place to run
Hair is burning
My flesh is bubbling up
Blood is boiling
Taste copper on my tongue
Fate is coming
Welcome it with a smile

Black curtains, never ending
Black curtains fall
Black curtains, never ending
Black curtains

Something's under my skin
Something's very strange
Playing with my mind
Tempting me to do you in

Am I dreaming? My heart pounds my chest
Held for ransom in a spider's web
Suffocating, no one hears my calls
Never ending, till the black curtain falls

Snakes, surround me
Offering their death kiss to me
Down, I'm drowning
How long, I hold my breath
Dogs are chasing
My legs are paralyzed
Pray, don't find me
My life is fading fast

Black curtains, never ending
Black curtains fall
Black curtains, never ending
Black curtains

CORTINAS NEGRAS (tradução)

Ei... dê uma olhada ao seu redor
Tudo está desordenado
Escute... estou te alertando
Corra por abrigo, corra
Bang... aconteceu
O tempo acabou, armageddon
Fogo... derretimento
O céu está desabando

Cortinas pretas... infinitas
Cortinas pretas

Fuja... você está de gozação
Não consegue encontrar nenhum lugar para fugir
O cabelo... está queimando
Minha carne está borbulhando
Sangue... está fervendo
O gosto de cobre em minha língua
O destino... está chegando
Saúdo-o com um sorriso

Cortinas pretas... infinitas, caem
Cortinas pretas
Cortinas pretas... infinitas, caem
Cortinas pretas

Algo está sob minha pele
Algo está muito estranho
Jogando com minha mente
Atrai-me fazê-lo em você

Estou sonhando? Meu coração bate no meu peito
Guardados para resgate em uma teia de aranha
Sufocante, ninguém ouve minhas chamadas
Nunca acaba, até que a cortina negra cai

Cobras, me cercam
Oferecendo a sua morte beije-me
Para baixo, eu estou me afogando
Quanto tempo, eu mantenho minha respiração
Os cães estão caçando
Minhas pernas estão paralisados
Por favor, não encontra-me
Minha vida está desaparecendo

Cortinas pretas... infinitas, caem
Cortinas pretas
Cortinas pretas... infinitas, caem
Cortinas pretas

Finalizando este apêndice, vamos trabalhar outra banda que fez parte do trabalho original: Megadeth.

Deixei essa música para o final porque ela me parece a mais deslocada, cronologicamente, com o contexto do terror do Holocausto Nuclear. A música foi lançada em 1994, três anos após o fim da URSS, e por conseqüência, sem a tensão da Guerra Fria.

É possível, como acontece muitas vezes, que a canção tenha ficado “esquecida” por anos, e somente naquele momento pode ser gravada. Isso aconteceu com as canções “Set the World Afire” e “Rust In Peace”, que Dave Mustaine gravou muito depois de escrever a letra.

Independentemente de qualquer coisa, a canção parece muito mais com um “pesadelo” do autor, tal como um trauma não resolvido, que esta sempre assombrando a sua mente. E realmente, Mustaine tinha uma “paranóia” com a questão do holocausto nuclear, o que pode justificar mais outra música sobre o tema, num momento tão distante.

Neste caso, a canção não serve exatamente como um documento que nos fala sobre o período analisado, mas é uma representação da memória, com todos os filtros pessoais implícitos nela. Isso fica mais evidente quando analisamos que a letra é toda escrita em primeira pessoa do singular, falando sobre sentimentos, alucinações e experiências que “eu poético” expõe ao ouvinte.

Referências Bibliográficas:

CHRISTIE, Ian. Heavy Metal: a história completa. São Paulo: Editora Arx, 2010.
HOBSBAWN, Eric. Era dos Extremos: O Breve Século XX (1914-1991). São Paulo; Companhia das Letras, 1995.
KRAKHECKE, Carlos André. A Guerra Fria da década de 1980 nas Histórias em Quadrinhos Batman – O Cavaleiro das Trevas e Watchmen. Revista eletrônica História, imagem e narrativa. disponível em: <[www.historiaimagem.com.br ]>. Acesso em: 23 mai. 2010.
MEYER, Michael. 1989: o ano que mudou o mundo: a verdadeira história da queda do Muro de Berlim. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2009.
NAPOLITANO, Marcos. A História depois do papel. In PINSKY, Carla Bassanezi (org.) Fontes Históricas. 2ª Edição, São Paulo: Contexto, 2010.
______. História e Música: História cultural da música popular. 3ª Ed. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2005

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