Bandas de BritPop
Por Angela Joenck Pinto
Postado em 01 de janeiro de 2000
A História tem se repetido. O mundo musical está no marasmo. Parece que nada vai acontecer. Ninguém acredita muito nas bandas americanas. O que acontece? Vêm os ingleses e fazem melhor. Isso está acontecendo, pelo menos, desde fevereiro de 1964. A primeira "investida" inglesa, digamos assim, trouxe muitas coisas boas dentro das malas dos pioneiros (eu ainda sou da teoria de que Gerry and the Pacemakers é bom) como Kinks, The Who, Animals, e todas as bandas que estouraram depois dos Beatles. Eram consumidas como água.
E isso foi muito bom para ambos os lados. Bom para os ingleses, que tinham sua chance de aparecer no mercado, vendendo milhões de discos. Bom para os americanos, que se viam obrigados a produzir coisas boas, mantendo um alto nível de qualidade de material ( isso não faz lembrar o slogan bobo do SBT: com crise se cresce?). É claro que a invasão britânica fez muita gente arrancar os cabelos. Os velhos ídolos dos anos 50 entraram quase que em falência. Brian Wilson queria matar um por um dos cabeludos ingleses que, na sua teoria, arrancaram dos Beach Boys uma grande fatia de público. Só que se formos verificar qual foi o período mais criativo dos Beach Boys, este será exatamente o espaço de tempo em que o baixista da banda teve que lançar desafios a si mesmo, para rebater o sucesso das bandas inglesas. A Motown, com um público mais segmentado, lançou Supremes, Aretha Franklin, Temptations, Stevie Wonder e mais algumas coisas maravilhosas que só a Motown tinha. Lançou o tipo de disco que os próprios artistas ingleses, quando em solo americano, compravam para escutar no silêncio do lar.
Nos anos 70 a Inglaterra abasteceu o mundo com uma quantidade considerável de ídolos. Queen, David Bowie, e aquele pessoal que começou no fim dos anos 60, e continuavam, como o Pink Floyd, Led Zeppelin, Black Sabbath e o Deep Purple. Quando a década estava chegando ao final e nada parecia mudar muito: tchararam!!! Aproveitaram que os nova-iorquinos tinham um movimento underground e resolveram fazer algo maior. Malcom McLaren lança o movimento Punk (de butique) inglês. Sex Pistols virou sucesso no mundo inteiro sem saber tocar uma nota direito. E isso não fazia os rapazes ficarem envergonhados, pelo contrario. Logicamente surgiram bandas punks que sabiam tocar muito bem, como o Clash. Falavam do submundo e dos excluídos britânicos. Foi quando os americanos descobriram o movimento SKA inglês. Muitos punks ouviam SKA, pois se identificavam com os problemas da classe negra marginalizada. Não demorou muito para o Specials e o Madness estourarem por aí. Como sempre, os ingleses pegaram um exemplo (jamaicano, no caso) e transformaram em algo só deles.
Nesta bolada veio de tudo: darks (The Cure, Siouxie and the Banshees e Echo and the Bunnyman), o pós punk new-wave com Dave Edmunds, Nick Lowe, Elvis Costello and The Atractions. O pessoal que decidiu se voltar as origens do rock também vieram, como os Smiths e o U2, enquanto nos Estados Unidos o pessoal ralava nas College Radios, como o R.E.M e tantas outras bandas.
Os americanos trabalharam bastante e fizeram coisas boas nesse período. Desde o fim dos anos 70 até o começo dos 80, surgiram B52's, Blondie, Cars e Devo. Algumas coisas dos anos 80 foram discutíveis (Bon Jovi, por exemplo) mas algumas coisas foram divertidas o bastante para a maioria.
Entrando nos anos 90, os miolos de Kurt Cobain já não estavam mais dentro da caixa crâniana dele e alguém precisava fazer alguma coisa. Foi quando o Blur e o Oasis começaram a fazer sucesso. 1994 foi um marco na história do britpop. O Oasis lançou Definitely Maybe, com uma foto de Burt Bacharach na capa e o nome dos Beatles dentro do encarte.
Foi uma brisa que refrescou aquela cena sisuda e hipócrita do grunge, que dizia: "Não queremos ganhar dinheiro, não queremos ser famosos". Noel Gallagher mandou Eddie Vedder ir ser frentista de posto de gasolina, ou caixa do McDonald's, e deixar o sucesso para quem o deseja, já que os Grunges detestavam tanto a vida de rockstars que levavam. Um pouco antes disso, a Inglaterra deu ao mundo o primeiro disco do Radiohead, Pablo Honey, com o sucesso Creep. Os ingleses desta época não tinham medo de dizer que eram pessoas normais, que nunca tinham apanhado na infância, que nunca foram abusados pelo pai. Tom Yorke foi um deles. Com o Oasis e o Blur vieram Supergrass, Kula Shaker, Ocean Colour Scene, o lançamento The Verve e a volta de Paul Weller. Os americanos contra-atacaram com trabalhos de altíssima qualidade, como Ben Folds Five.
Quem será o próximo?
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