Death DTA: a apresentação no Vila Marquês de São Paulo

Resenha - Death DTA (Via Marquês, São Paulo, 07/09/2014)

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Por Miguel Júnior
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“Arrasô”, me disse a atendente quando fui comprar meu ingresso para o show do DEATH. Havia lhe dado uma nota de 2 reais, facilitando o troco de R$ 100. Encontrei a loja buscando pontos de venda da “TícketBrasil”, porque queria pagar em dinheiro, apesar da taxa. O show do DEATH, para mim, já começou ali. A loja fica na R. Augusta, passagem dos descolados de São Paulo e o recinto em si já era algo peculiar, cujo espaço deixaria qualquer homofóbico ressabiado. A gíria “arrasô”, da atendente, mais a presença de um rapaz comentando uma nova série do Almodóvar na Rede Globo, evocavam cores do universo LGBTT que quase ninguém diria estar relacionado com “death metal”, nem com o DEATH.

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Mas está.

Este texto é para quem curte “death metal” e já caçoou de “gays”, xingou, bateu e não sabe que o peso e fúria que você admira num som pesado pode vir da autoria de homossexuais, irados com a violência moral e física que sofrem, expressando-se veladamente por meio de uma resposta musical feita sob medida para irradiar o ódio que sentem.

Foi em 16 de março de 2012 que foi anunciado pela revista “Sick Drummer”, o projeto dos vários músicos ex-integrantes do ícone DEATH que viajaria o mundo mostrando um tributo ao vocalista Chuck Schuldiner, morto há quase 15 anos. Gene Hoglan, Sean Reibert, Steve DiGiorgio, Scott Clendenin, Paul Masvidal, Shannon Hamm, Bobby Koelble levariam o show a noites completamente lotadas nos EUA e na Europa em 2013, mudando o nome da empreitada de “The Death To All” para “DEATH (DTA)” posteriormente. E eu estava ali, na edição de São Paulo, no bairro da Barra Funda, aguardando qualquer som do álbum “Human”, considerado o pilar do “death metal técnico”.

Imagem
No show de São Paulo, a formação foi na guitarra o ex-DEATH Bobby Koelble, no baixo Steve DiGiorgio, que já tocou no SADUS, AUTOPSY, TESTAMENT; já a bateria ficou por conta de Gene Hoglan, que já passou por DARK ANGEL e TESTAMENT, restando a responsabilidade dos vocais para Max Phelps, do CYNIC e Steffen Kummerer, um dos fundadores do OBSCURA.

Abrindo a noite estavam convocados a dupla paulista de “grind/death/crust” TEST, conhecida por apresentar-se exatamente nas ruas, diante das casas de show, em lugares não usuais e similares e a outra banda de “grind” que conta com o mesmo baterista “Barata”, chamada D.E.R, sigla que desmonta o lema da bandeira, aclamando a “Desordem e o Regresso”, cujas letras tratam de temas sociopolíticos, desordem e fúria. A D.E.R. já registrou três “Split” álbuns, ao lado de bandas como MORTE ASCETA e ABERRANT, além de um álbum completo de 2008, intitulado “Quando a Esperança Desaba”. A TEST ostenta três EPs gravados, além da “demo”, um “Split” com o D.E.R. e o álbum de 2012 - “Arabe Macabre”, que saiu pela “Peculio Discos”. Quem estava lá para o show do DEATH foi presenteado com a inusitada experiência de duas bandas tocarem, ao mesmo tempo, duas músicas diferentes. A originalidade da dupla TEST / D.E.R. marcou um ponto alto no evento, e fez com que muitos presentes se deparassem pela primeira vez com uma experiência realmente extrema dentro das praias do “grind”.

Exibida no telão, a discografia da lendária banda DEATH anunciava que o ritual estava para começar, aproximando-se das 21h. Com a ausência do eterno vocalista, os outros integrantes aparecem um pouco mais. Interagem, soltam frases, tocam. Definitivamente, tocam o que já é histórico e lendário. O “setlist” que iniciavam iria representar os álbuns “Scream Bloody Gore”, “Leprosy”, “Human”, “Symbolic”... sem praticamente deixar nada importante para trás. Muitas e muitas rodas, galera agitando a cada som do começo ao fim, sendo que nesta primeira parte, sob a voz de Max Phelps, muitos diziam estar diante de um trabalho vocal muito parecido com o do saudoso Chuck, inclusive por meio de trejeitos que lembravam o vocalista morto em 13 de dezembro de 2001. Steve, interagindo, atiçava ainda mais o público. Depois de “Flattening of Emotions”, entra em cena o segundo vocalista, o fundador do Obscura “Steffen Kummerer”, que ficaria mais uma parte até que Max voltasse e encerrasse o show com “Pull the plug”. Afinal de contas, três clássicos em sequência deram o desfecho daquilo que parecia ser o mais autêntico tributo a uma banda significativa na história do metal extremo.

Sean Reinert, baterista da banda CYNIC, que também ofereceu pelo mundo em outros shows os seus trabalhos no primoroso projeto DEATH - DEATH TO ALL (DTA), declarou-se abertamente homossexual há alguns meses. Paul Masvidal que também integrou essas formações alternativas ao longo da tour, saiu do armário já em 1991. Como se sabe, Paul participou da gravação do importante álbum do DEATH - “Human”.

Se você for curioso o bastante para ir até ao Google pesquisar sobre a polêmica de uma suposta homossexualidade de Chuck Schuldiner, Freud vai explicar muito bem a sua conduta, de querer ver em terceiros algo que você mesmo tem, reprimido. A uma característica de Chuck, sua paixão por animais, chegam a atribuir uma determinada orientação sexual. O apelo pode estar ligado aos jogos banais da nossa sociedade baseada em estereótipos. Tendo vendido três milhões de discos, DEATH certamente tem fãs de todos os estilos de vida e alma. O metal sempre foi sobre viver do jeito que você bem entender, mesmo se for algo extremo. E o DEATH certamente escreveu bons capítulos desta história.

Setlist

The Philosopher
Leprosy / Left To Die
Living Monstrosity
Suicide Machine
In Human Form
Lack of Comprehension
Spiritual Healing
Flattening of Emotions
Symbolic
Zero Tolerance
Bite the pain
Overactive Imagination
Zombie / Baptized in blood
Crystal Mountain
Pull the plug

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Sobre Miguel Júnior

Paulistano, não tem banda porque não sabe tocar, exceto tirar trechos de black metal no violão. Escreve basicamente resenhas de shows que assiste, e deve ter uns 50 ingressos de show já assistidos guardados. Ouve metal mais pelo som, permitindo-se ouvir bandas cuja ideologia não inteiramente concorde. Quer escrever sobre todos os shows extremos e sinceros que acontecem em São Paulo.

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