No mesmo palco de seis anos atrás, o Pearl Jam voltou a enlouquecer os fãs cariocas com uma performance cheia de energia, presença de palco, e muitas surpresas. E, como em 2005, a Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, mais uma vez ficou lotada para ver a banda de Seattle.
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Fotos: Beatriz Lins
Mas se na primeira vez que o Pearl Jam se apresentou na Cidade Maravilhosa já havia sido sensacional, o show do último domingo (6) foi surpreendentemente melhor. A banda, que comemora vinte anos de carreira em 2011, parecia estar disposta a fazer a maior apresentação do Pearl Jam no Brasil.


E fez. O set list com 30 músicas, que visivelmente foi estendido por decisão ali, durante o show mesmo, somado as alterações no repertório e os mais de 160 minutos de música comprovam isso. O grupo liderado por Eddie Vedder surgiu no palco pouco depois do relógio marcar 20h30. Naquele momento 40.000 fãs tornaram a Apoteose uma arena de gritos e flashs. E junto com Stone Gossard (guitarra), Jeff Ament (baixo), Mike McCready (guitarra) e Matt Cameron (bateria), Vedder iniciou a apresentação com “Unthought Known”, do álbum mais recente da banda, “Backspacer” (2009). Seguiram as faixas “Last Exit”, “Blood” e “Corduroy”, até o momento em que Vedder parou para conversar, em um português confuso, porém esforçado, com a plateia carioca. Aliás, durante o show inteiro, o vocalista interagiu com o público utilizando mais a nossa língua e menos o seu idioma de origem. Até o “obrigado” era sempre em português. "Oi, galera! Eu lembro daqui muito bem. Nós estamos felizes por estarmos de volta", disse Vedder, fazendo menção à apresentação de 2005 no Rio de Janeiro.


Em seguida veio o primeiro momento de êxtase dos fãs quando “Given to Fly” começou a ser excutada. Logo depois “Nothing Man” simbolizava a primeira surpresa para os cariocas. O show continuou com “Even Flow”, “Daughter”, “The Fixer”, “Elderly Woman Behind the Counter in Small Tow”, entre outras. Vedder também queria aproveitar para dizer que “o mar e as montanhas daqui (do RJ) são muito especiais, mas são as pessoas que fazem a cidade bonita". O público carioca, claro, retribuiu o elogio com muitos aplausos e gritos.


Quando o Pearl Jam terminou de tocar “Rearviewmirror", com cerca de 1h10 de apresentação, o grupo deixou o palco pela primeira vez. E então Vedder e Cia retornaram avisando que a banda estava confabulando sobre mudanças no repertório e que eles queriam agradar aos cariocas. Foi quando veio a tocante “Just Breath”, que emocionou a Apoteose inteira. Depois era hora do vocalista prestar sua homenagem a Johnny Ramone. "Esta música é para meu amigo Johnny Ramone. Ele adorava o Brasil. Eu sinto saudade dele todos os dias", balbuciou Vedder, novamente em português. Mas, antes de tocar “I Believe in Miracles”, a banda executou “Come Back”. Pouco depois teve mais uma novidade no set list: “Of the Earth”. Praticamente desconhecida do público, a canção foi executada em apenas cinco apresentações do Pearl Jam, contando com a noite de domingo. Vedder já anunciava para o público, antes da execução, que “vocês talvez não conheçam essa”.


Prestes a abandonar o palco para mais um bis, a banda tocou “Do the Evolution” e “Jeremy”, deixando a plateia completamente pirada. Em seguida, o Pearl Jam retornou ao palco para a última parte de sua apresentação. Era chegada a hora de “Mother”, composta por Roger Waters, e que, também, os cariocas não esperavam. Depois veio uma sequência de clássicos para qualquer fã surtar: “Better Man”, “Black”, “Alive” e o famoso cover de “Rockin’ in the Free World”, de Neil Young.


Nesse momento os fãs já imaginavam que o show terminaria ali, já que a canção é uma das previstas para o encerramento de boa parte dos shows do Pearl Jam. Mas, dessa vez, não era o caso. Para alegria dos cariocas, Vedder avisou que a banda queria tocar mais para eles. E então o grupo executou “Indifference”, do disco “Vs” (1993). E ainda tinha tempo para mais. “Yellow Ledbetter”, outra que costuma fechar os shows da banda, foi, por fim, também executada. Com um privilégio de poucos, o público daquele dia pôde, diferentemente da maioria, ouvir duas faixas de encerramento na mesma noite.


Nesse clima de catarse e satisfação o Pearl Jam se despedia mais uma vez do Rio de Janeiro, com uma entrega física e técnica de se admirar. Uma noite em que, de novo, o rock n’ roll dominou a passarela do samba e fez com que a palavra “apoteose” fosse tão perfeitamente aplicada como poucas vezes.
Set list:
1- "Unthought Known"
2- "Last Exit"
3- "Blood"
4- "Corduroy"
5- "Given to Fly"
6- "Nothing Man"
7- "Faithfull"
8- "Even Flow"
9- "Daughter"
10- "Habit"
11- "Immortality"
12- "The Fixer"
13- "Got Some"
14- "Elderly Woman Behind the Counter in Small Town"
15- "Why Go"
16- "Rearviewmirror"
Bis 1:
17- "Just Breath"
18- "Come Back"
19- "I Believe in Miracles"
20- "State of Love & Trust"
21- "Of the Earth"
22- "Do the Evolution"
23- "Jeremy"
Bis 2:
24- "Mother"
25- "Better Man"
26- "Black"
27- "Alive"
28- "Rockin' in the Free World"
29- "Indiference"
30- "Yellow Ledbetter"





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Gabriel von Borell, nascido em 30/03/85, jornalista. Não vive sem música e também não se apega a rótulos musicais. Acredita que todo preconceito é burro, inclusive o musical. Escuta de tudo um pouco, considerando que um jornalista deve estar aberto pra conhecer e comentar sobre qualquer músico ou banda. Pode ser encontrado no Twitter em @gabrielborell.
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