A música que fez Neil Young querer gravar com o Pearl Jam
Por Bruce William
Postado em 27 de maio de 2026
Neil Young já vinha sendo chamado de "padrinho do grunge" antes de gravar com o Pearl Jam, mas essa aproximação não nasceu de uma estratégia de marketing. Havia uma afinidade real entre o veterano canadense e aquela geração de bandas dos anos 90, especialmente porque Young nunca pareceu muito preocupado em soar polido, moderno ou obediente ao gosto da indústria. Para Eddie Vedder e companhia, ele era menos uma influência distante e mais um parente mais velho que ainda fazia barulho com a mesma disposição.
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O encontro que levou a "Mirror Ball" começou em janeiro de 1995, pouco depois de Vedder introduzir Neil Young no Rock and Roll Hall of Fame. Na mesma semana, Young participou de um show beneficente em Washington, ligado ao Voters for Choice, e tocou músicas novas com o Crazy Horse. O Pearl Jam estava lá, gravou "Act of Love" em uma fita cassete e aprendeu a música para a noite seguinte. Quando tocaram juntos, Young percebeu que havia algo a mais acontecendo.
Nas palavras de Neil: "Eddie tinha acabado de me introduzir no Rock And Roll Hall Of Fame em Nova York, onde toquei 'Act of Love' com os caras do Crazy Horse. Os caras do Pearl Jam gravaram a apresentação em um toca-fitas que tinham na mesa, e já sabiam a música na noite seguinte. Eu disse: 'Por que não tentamos?' Então fizemos isso em Washington, e foi ótimo. Eu disse: 'Talvez devêssemos gravar. Soa bem.' Eles estavam pensando a mesma coisa."
O detalhe importante é que Young não se encantou apenas por Vedder. A conexão parecia estar na banda inteira, na forma como Stone Gossard, Mike McCready, Jeff Ament e Jack Irons conseguiam entrar em uma música quase de imediato, sem transformar aquilo em uma sessão cheia de explicações. Mirror Ball foi gravado no Bad Animals Studio, em Seattle, nos dias 26 e 27 de janeiro e 7 e 10 de fevereiro de 1995, com produção de Brendan O'Brien. Foram apenas quatro dias efetivos de estúdio.
Esse método combinava com Young. Ele chegava com músicas recém-escritas, mostrava a ideia, e o Pearl Jam respondia como banda de palco, não como músicos esperando partitura. Em entrevista da época, Young comentou que quase não era preciso conversar: ele apresentava a canção, todos tocavam, e raramente passavam de cinco takes. O resultado tem esse ar de coisa capturada no momento, com guitarras grandes, arranjos soltos e uma energia menos lapidada do que muita produção de rock dos anos 90.
"Mirror Ball" saiu em junho de 1995 e trouxe uma curiosidade burocrática: por questões envolvendo gravadoras, o nome Pearl Jam não apareceu destacado na capa, embora os integrantes fossem creditados individualmente no encarte. O disco chegou ao quinto lugar da Billboard 200 e recebeu disco de ouro nos Estados Unidos. Também rendeu indicações ao Grammy, incluindo melhor álbum de rock, além de indicações por "Downtown" e "Peace and Love".
"Act of Love", portanto, não foi apenas uma música que Young gostou de ouvir com o Pearl Jam. Foi a porta de entrada para um disco inteiro. A faixa carregava aquela mistura que fazia sentido para os dois lados: a rusticidade elétrica de Young e a força de uma banda que vinha do grunge, mas já parecia desconfortável com a ideia de ser apenas "a banda do momento". Para o Pearl Jam, tocar com ele também era uma maneira de sair da própria bolha e medir forças com alguém que já havia sobrevivido a várias mudanças de época.
O Pearl Jam ainda lançaria o EP Merkin Ball, com "I Got Id" e "Long Road", também ligado àquela fase de aproximação com Young. Mas a faísca inicial estava em "Act of Love". Um veterano que já havia atravessado folk, country, hard rock, eletrônica torta e guitarras sujas ouviu uma banda jovem pegar sua música de um dia para o outro e pensou: "soa bem". Às vezes, para Neil Young, isso bastava.
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