Resenha - Harppia & Dragonheart (Victoria Hall, São Caetano do Sul, 05/09/2003)

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Por Leandro Testa
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Tem vezes que uma determinada surpresa é de tamanho impacto que o ocorrido insistirá em ficar gravado para sempre na mente do ouvinte/espectador. Coisas pequenas podem fazer a sua alegria ou arruinarem um espetáculo... Mas e quando essa mesma pessoa está diante de algo de grandes proporções, de fatos realmente inusitados?

Foi assim com o Opera (de SP) mais recentemente. Foi assim com o nosso conterrâneo Necromancia (do ABC), abrindo para o Exodus muitos invernos atrás e, tanto quanto, foi assim com o lendário Harppia naquela noite de 6a-feira. Até ali eu só sabia que era um grupo das antigas, responsável pelo clássico A Ferro e Fogo, e que estava agora voltando à ativa. Mesmo não faltando esse tipo de informação, eu sou jovenzinho demais, daqueles que ainda assistiam ao palhaço Bozo e ao Xou da Xuxa enquanto esses senhores já botavam pra arregaçar, ou seja, sou nada contemporâneo à sua fase ou pico de carreira.

E foi só eles começarem com a faixa-título daquele velho vinil (agora relançado em CD) que eu percebi o quão grave foi a nossa perda nesse hiato de cerca de quinze longos anos. Assim, mantiveram o pique em qualquer uma das demais: “Metal para Sempre”, “Metal Comando” (dos também paulistas e pioneiros Centúrias) ou “Vampiros”.

Houve sim um momento mais introvertido, com sua versão para “Desert Plains” (Judas Priest), no entanto, o show do quinteto é muito espontâneo, energético e havia bastante peso, considerando também que, de praxe, ele fica mais moderno e bombástico em relação a um registro, por exemplo, feito em 1985.

Fecharam com o sucesso das rádios “Salém (A Cidade das Bruxas)”, quando o performático vocalista e co-fundador Jack Santiago (que por vezes subira nos bumbos e já tinha ostentado a tal da “machadinha de caveira”, além de um tridente infernal, ambos de plástico) apresentou (com uma repetição engraçada da palavra “rock”) seus comparsas, Ricardo Ravache (baixo - este de longa data, já que também pertencia à formação original, a cara do Bee Gees ‘cabeludo’), Marcelo Francis, que acabou de ser efetivado, e Kleber Fabianni (competentíssimos guitarristas), além de Fabrício (bateria), este último um animal impiedoso, cruel com seu ‘kit’.

Todos os instrumentos estavam audíveis a contento e o microfone foi aumentado um pouco depois do início, mas mesmo assim não fui capaz de entender parte das letras, que, inclusive na cover, são todas em português. Esse lance da língua, anteriormente me causava certo asco ou “pré-conceito”, entretanto creio que estou começando agora a mudar de idéia, podendo o mesmo acontecer contigo, se estiveres diante de tão fascinante situação.

Com a extensa intro “The Beginning...” era anunciada a chegada do Dragonheart, emendada, assim como no álbum com “Throne of the Alliance”, a avalanche que abre e dá nome ao trabalho. Um fato que sempre foi (e continuará sendo) o ponto-chave do quarteto curitibano é o de serem três, pasmem!, TRÊS cantores (nem no KISS eles são tão ativos assim!). Todavia, com a saída de Eduardo Marques (o de maior presença), rolava uma expectativa de como se sairia seu substituto.

A resposta não poderia ter vindo de melhor forma, pareceu-me o encaixe perfeito. Uma pena que eu não pude comprovar isso antes, em melhores condições. André Mendes, além de interpretar com mais vontade, alcançar tons variados, entre eles os mais altos, parece ser um sujeito inquieto, ao menos intrépido no palco. Quanto à habilidade ou criatividade no manusear das seis cordas, já não irei conjeturar muito, coisa que só teremos uma maior noção no futuro, afinal, o ‘ex-frontman’ se saía muito bem nessa posição.

O clima deu uma amenizada na cadenciada “...And the Dark Valley Burns”, mas voltou a esquentar com “Mountain of the Rising Storm”, uma cacetada assim como “Underdark”, que dá nome ao debute. Deste ainda tivemos “Tied in Time”, “Dinasty and Destiny”; e para levantar mais os ânimos, reviveram o glorioso e quase imbatível Battle Hymns (Manowar) com “Metal Daze”.

Creio que a passagem mais esperada, para mim, viria a seguir, devido à curiosidade de como soará a segunda parte da trilogia, prevista para sair entre março e abril próximo. Meu amigo!, se vir nessa linha estamos feitos, porque a agressividade pregada por estes rapazes vem novamente em evidência, e assim, será um item indispensável para qualquer ‘headbanger’ que se preze. Agora eles têm um trio com ‘gogó de ouro’ e o mais novo integrante parece ser indicado para transmitir raiva quando a personagem da estória exigir, beleza quando necessário, a menos que tenham me enganado ali, na hora...

Entre riffs maldosos nesta novidade, quando o carismático Marco Caporasso solta o verbo, imediatamente somos lembrados de uma das suas maiores influências, o Running Wild e minutos depois, de outra não menos brilhante, o Blind Guardian com “Into the Storm”, esta que venceu a enquete promovida em seu website oficial. Apesar do maldito som, novamente embolado (que os acometeu especialmente no começo), quando os três vão alternando o papel de Hansi Kursch, isso traz um certo aditivo, não se furtando somente em reproduzir à risca o que outras cabeças pensaram. Pelo menos deixa um toque pessoal, esquema este que pode ser usado sempre, sem problemas.

Anunciado como ‘hit’, “The Blacksmith” novamente provou do que eles são feitos, e após uma vinheta, isso foi traduzido de maneira suprema com a pancadaria “Hall of Dead Knights”, na qual até que ficou legal a transposição elétrica para a bela intervenção acústica do disco.
Contudo, infelizmente, tudo tem um “porém”, e assim, podiam ter deixado de lado a desnecessária “Gods of Ice”. Trata-se da composição primogênita, presente no EP homônimo que lhes rendeu a assinatura de um contrato, mas que só carrega esse caráter sentimental, pois não chega nem ao calcanhar de nenhuma das outras. Isso é passado, e deveria ser deixado para trás.

Eles já tinham ameaçado ir embora, mas não conseguirem enganar quem sabia da indispensável “Rebellion (The Clans are Marching...)” dos alemães com quem, inclusive, eles vão tocar no próximo dia 04 de outubro. Nesse encerramento, os papéis meio que se inverteram em relação ao feito em estúdio: o arranjo revelou-se deficiente e os coros, outrora sem vida, ganharam potência ficando mais fiel (ou tão bons quanto) ao do verdadeiro Grave Digger.

Ao fundo, ouvia-se um lindíssimo epílogo para a despedida do sossegado Maurício Taborda (adjetivo este, pois pouco agita ou se movimenta), do concentrado ‘homem das baquetas’, Marcelo Caporasso, além dos dois ‘axe-men’ já citados, que esbanjaram muito ‘feeling’, primando pela naturalidade, o que se sobressaiu aos notáveis vacilos de execução.

Mais adiante, quando parecia que o minúsculo público iria ‘vazar pelo ladrão’, foi agradável ver que eles permaneceram para prestigiar o Piece of Maiden, que até na postura segue os seus ídolos da Donzela de Ferro. O sujeito reproduz até os movimentos do braço direito e os pulinhos de Bruce Dickinson e possui um timbre bem semelhante ao do baixinho. É ótimo e ao mesmo tempo engraçado.

Tiraram aquela tranqueira chamada “Wildest Dream”, que mesmo não tendo sido lançado ainda, já dava para perceber que seria o pior passo do Dance of Death, ainda mais por ser um ‘single’, um cartão de visitas e vídeo-clipe. Mas fazer o que? Faz parte do princípio deles dançar conforme a valsa, ou melhor, conforme o Iron (se bem que eles aceleraram tudo), mesmo nesses casos, ainda por ser algo fresquinho, que pôde ser levado ao conhecimento de alguns (até então) felizardos. Desculpem-me, mas eu fico com a “Be Quick or Be Dead”, para mim, um dos destaques.

Naquela altura do campeonato, o álcool já tinha subido à mente de alguns dos presentes, deixando aflorar o amor fraternal (ui!), com abraços e mais abraços, e a ordem era diversão ou os ‘stage divings’, cortados pela segurança da casa. Por outro lado, o que realmente entristecia era a ausência do pessoal local, ninguém apoiando o underground, que preferiu ir para Santo André ver o Shaman no domingo pelos mesmos R$ 10, (também com três bandas), só que com um fiasco de equalização que acabou por estragar algo passível de ser memorável. Igualmente negativo é aquele ‘lugarzinho’ (Aramaçan), que deveria se restringir ao clube que é, e não se aventurar em festivais daquele porte.

Mas voltando ao Victoria Hall, ambas as atrações principais tentavam disfarçar e agradeciam a todo instante quem realmente se importou em estar ali. E tenho certeza que os ‘metaleros’ da capital que foram ao Blackjack Bar no sábado, para ver um ‘Power’ de qualidade, de fato não se decepcionaram.

Para ver nosso cenário crescer, saiam de suas tocas! É o mínimo que se pode fazer...

Harppia: www.harppiaonline.cjb.net (em breve)
Dragonheart: www.dragonheart.com.br
Piece of Maiden: www.maidencover.hpg.com.br

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